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Saem Romeu e Julieta e entram Tony e Maria. Sai a paisagem renascentista da italiana Verona e entram os subúrbios acinzentados de Nova York. Saem os versos lapidados pela poesia de Shakespeare e entra a linguagem das ruas, marcada por gírias e palavrões. E assim, remoçada em 500 anos, a mais decantada história de amor da literatura universal renasce a partir deste sábado (8), no Teatro Alfa, no formato de um musical que revolucionou a Broadway por sua coreografia vigorosa e a impressionante atualidade do seu tema – o premiadíssimo West Side Story.
| Nelson Antoine/e-Sim |
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| Jorge Takla, o diretor: sem oncessões para o público. |
Dirigido pelo mesmo Jorge Takla que, ano passado no mesmo endereço assinou a elogiada montagem de My Fair Lady, West Side chega com aqueles números que, quase rotineiros, ainda causam frisson no panorama teatral da cidade: 42 atores em cena, 24 músicos na orquestra, 12 cenários, 200 figurinos desenhados por Fabio Namatame e uma conta que se fecha em R$ 5 milhões até o dia da estréia. Outros R$ 7,5 serão necessários à manutenção da temporada de apenas 100 apresentações. "O grande desafio, no entanto, é que West Side é uma peça que não faz concessões ao público", diz Takla. "Ao contrário da fórmula consagrada em quase todos os outros musicais, aqui a cortina se abre no silêncio e se fecha da mesma maneira. Antes de mais nada, é teatro".
Takla deu a largada à produção de West Side Story exatamente um dia após a estréia de My Fair Lady, em 7 de março do ano passado. "Desde o início nós resolvemos não apostar em nomes, mas em talentos", diz. "Do ponto de vista de um produtor, esta é uma atitude de risco, pois um astro no elenco já é garantia de alguma bilheteria". Na ausência de estrelas, a bateria de testes se estendeu por três meses, até que se chegasse, entre os 2,5 mil inscritos, ao trio de protagonistas, composto por Fred Silveira (Tony), Bianca Tadini (Maria) e Sara Sarres (Anita). O ator Francarlos Reis, uma das boas surpresas de My Fair Lady, volta à cena agora na pele de Doc, o bonachão dono da lanchonete onde as gangues da história se reúnem.
West Side Story é uma versão revista e modernizada da tragédia de Romeu e Julieta. A rivalidade que no original de Shakespeare tornou inimigas as famílias Capuleto e Montéquio campeia agora entre duas gangues das ruas de Nova York, os Jets, que representa o lado americano, e os Sharks, que abriga os imigrantes de Porto Rico. Representantes de lados opostos, o americano Tony e a porto-riquenha Maria se conhecem, apaixonam-se na mesma noite e o desenrolar desta história será dado ao longo de 13 números musicais, compostos por alguns clássicos como Tonight, Somewhere e Maria, que na versão de Cláudio Botelho para o português surgem, respectivamente, como Você, Um Lugar para Nós e Maria mesmo. "West Side Story é uma peça atual porque fala de jovens", defende Takla. "Nunca houve, como hoje, uma porcentagem tão grande de jovens no mundo. E eles estão despreparados, sem saber como reagir diante da violência urbana, do preconceito e da intransigência.
Apesar de tudo isso, o que mais me atrai no espetáculo é que ele aborda o tema mais universal da dramaturgia: o amor impossível". |
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Ele não faz o tipo galã como Daniel Boaventura, de My Fair Lady, não tem o sex-appeal de Nando Prado, o bonitão de Miss Saigon, e tampouco a pujança cênica de um Saulo Vasconcelos, o astro de O Fantasma da Ópera. Mas quando solta sua poderosa voz de um veludo encantador, Fred Silveira deixa claro que não precisa de mais nada para seduzir uma platéia.
Aos 35 anos, este ator e cantor que já arrancara elogios por suas atuações impecáveis nos musicais Les Miserables, My Fair Lady e O Fantasma da Ópera, encontra-se agora diante da grande chance de sua carreira no papel do protagonista Tony, em West Side Story. "Ele é um cantor maravilhoso, capaz de atingir um si bemol que deixa o elenco todo arrepiado", diz sobre ele o diretor Jorge Takla. "Apostar em Fred Silveira para protagonista é, acima de tudo, investir no talento". Antes de ingressar nos musicais, há pouco mais de dez anos, Fred chegou a estudar regência e composição em Brasília. Nas horas vagas, como nem tudo na vida é um estrondoso dó de peito, soltava o vozeirão à frente de uma banda de heavy metal. (SR) |
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West Side Story é, antes de tudo, um musical urbano. Seu enredo dá voz às típicas gangues juvenis das grandes cidades (Nova York, no caso específico) envolvidas em temas como preconceito racial, luta de classes e fanatismo religioso. Foi escrito na década de 1950, mas poderia ter saído do forno ontem que seu impacto ainda seria considerável.
West Side Story nasceu em um berço invejável: as músicas foram compostas por Leonard Bernstein, as letras são de Stephen Sondheim e o texto original de Arthur Laurents, o primeiro a ter a idéia de transportar a tragédia de Romeu e Julieta para um cenário muito mais contemporâneo. Junte-se a isso a revolucionária coreografia de Jerome Robbins, que caiu sobre o universo dos musicais como um míssil de modernidade, e o resultado não poderia ser diferente: o espetáculo estreou na Broadway em 1957 e tornou-se um clássico em tempo recorde. A adaptação para o cinema viria em 1961, pelas mãos do diretor Robert Wise, que escalou para os papéis principais a estonteante Natalie Wood (Maria) e um galã inexpressivo, Richard Beymer (Tony). "Ele não sabia cantar e seus dotes de ator eram limitadíssimos", diz Jorge Takla. O que não impediu o filme de faturar naquele ano dez Oscar, três Globos de Ouro e um prêmio Grammy de melhor trilha sonora para o cinema. (SR)
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West Side Story, estréia neste sábado (8), no Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, tel.: 5693-4000. Quinta e sexta às 21h, sábado às 17 e 21h, Domingo às 18h. Ingressos de R$ 40 a R$ 150. |
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