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O êxito da pequena turnê do espetáculo Saltimbanco, no ano passado, parece ter servido, acima de tudo, para mostrar que o Brasil oferece um solo fértil e acolhedor para as lonas do Cirque du Soleil. A trupe de origem canadense, responsável pelo mais concorrido picadeiro do mundo, está de volta a São Paulo, desta vez com o show Alegría, já visto por nove milhões de pessoas desde sua estréia, em 1996. Depois de apresentações sempre lotadas em Curitiba, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, Alegría estréia nesta sexta (8), em um terreno de 20 mil m² no Parque Villa-Lobos para uma temporada de três meses. “Depois de Saltimbanco as coisas ficaram absolutamente mais fáceis para o Cirque du Soleil no Brasil”, diz Michael Smith, diretor-artístico de Alegría. “Aquele espetáculo apresentou o público brasileiro ao universo do Soleil e ao mundo mágico que cada show pretende retratar. Somos muito orgulhosos de nossa herança artística e queremos compartilhá-la cada vez mais com novas audiências”.
Fotos: Masao Goto Filho/e-SIM |
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Alegría, com seu elenco de 55 artistas (entre eles o palhaço paulistano Marcos de Oliveira Cazuo) e um aparato tecnológico que chega a pesar 800 toneladas, foi concebido como um espetáculo de inspiração medieval, a partir de um roteiro baseado nas antigas famílias circenses que cruzavam a Europa com seu romantismo mambembe. O diretor do espetáculo, Frango Dragone, quis recuperar daquela época o que ele chama de ternura humana, ou uma certa ingenuidade e lirismo que não raro se vêem ameaçados pelos tempos mais tecnológicos. Ainda que o didatismo histórico não faça parte das preocupações do circo, Alegría revela, em seus nove atos, como as velhas monarquias européias foram aos poucos sendo substituídas por nações democráticas. Todas estas transformações, é claro, aparecem filtradas pelo olhar debochado de bobos da corte, menestréis, mendigos, crianças e também dos velhos e destronados aristocratas.
Dos nove atos do espetáculo, dois já estão despertando, por meio de fotos ou chamadas na televisão, a curiosidade do público paulistano.
O primeiro deles é Manipulation, em que uma ex-atleta da União Soviética lança mão de sua formação em ginástica olímpica para criar um número eletrizante de equilíbrio e malabares. O segundo, Contortion, executado por duas jovens da Mongólia, eleva o conceito de flexibilidade e alongamento a um patamar poucas vezes visto – uma espécie de Matrix sem a ajuda dos efeitos especiais.
Cirque du Soleil com o espetáculo Alegría, estréia nesta sexta (8), no Parque Villa-Lobos, Av. Queiroz Filho, s/nº, Alto de Pinheiros, tel.: 4004-1007. Quinta e sexta às 21h, sábado às 17h e 21h, domingo às 16h e 20h. Ingressos de R$ 130 a R$ 300. |
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Entrevista
Ex-diretor de teatro em
Londres, o inglês Michael Smith
entrou para o Cirque du Soleil há
pouco mais de três anos e agora
responde pela direção-artística do
espetáculo Alegría, que dá início nesta
sexta-feira, dia sete, a uma temporada
de três meses em São Paulo. Leia,
a seguir, os principais trechos da
entrevista que ele concedeu ao Diário
do Comércio:
DC: De que maneira o sucesso de
Saltimbanco, visto aqui em 2007,
influenciou na vinda do show Alegría?
Michael Smith: Saltimbanco deixou tudo
mais fácil para nós. A trilha de
Saltimbanco
também foi a primeira a se transformar
em um grande sucesso em CD. Alegría já
foi apresentado em quase todos os
continentes,
e não me lembro de termos
sido tão bem-recebidos como no Brasil.
O público brasileiro é uma grande fonte
de inspiração para os artistas do Soleil.
O senhor diria que Alegría revela um clima nostálgico ao abordar uma época de artistas mambembes e saltimbancos que parece não mais existir?
Sim, este é um tema central em Alegría. O espetáculo focaliza um ciclo infinito na vida do homem, como o velho aos poucos vai sendo trocado pelo novo. Este lado da nossa existência nunca vai mudar. O que é antigo tende a ser substituído pelo mais moderno e o conflito só ocorre quando este antigo se recusa a mudar.
O senhor acredita que o roteiro de Alegría foi construído em cima deste aparente conflito entre tradição e modernidade? Se foi, qual dos lados sai vitorioso nesta batalha no palco?
Não funciona desta maneira tão literal. A vida, em geral, é feita de conflitos, e os conflitos ocorrem em qualquer sociedade do mundo. No espetáculo, nós usamos esta idéia como um conceito, mas não como uma batalha literal entre velho e novo.
No palco, a nova ordem é representada por certas cores e personagens; outras cores e outros personagens definem a velha ordem. O conflito, usado em Alegría como um tema universal, não é uma simples luta entre tradição e modernidade, ricos e pobres, bons e ruins.
Quais são as principais características de Alegría entre
os outros shows do repertório
do Soleil?
Em Alegría nós adotamos a liberdade de dizer: geralmente o circo é redondo, então vamos fazê-lo quadrado. Isto tem tudo a ver com a nossa proposta teatral de adotarmos um grande cenário e uma profusão de cores. O espetáculo também utiliza os grandes recursos tecnológicos criados a partir dos anos de 1990, como um sistema de trampolins batizado de Fast Track, que fica oculto aos olhos do público.
Em 2004 esta tecnologia foi aprimorada e surgiu o Power Track, que o público vai ver agora. É um sistema que permite aos atletas saltarem muito mais alto, com muito mais força e impacto. (SR) |
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