Por Sonaira San Pedro, enviada especial a Pequim
As ruas de Pequim ainda se expandem em círculos a partir da Cidade Proibida, como anéis que existem desde a dinastia Ming (séculos XIV a XVII). A tradicional capital chinesa brilha nos palácios seculares, nos templos majestosos, na ópera milenar e nos apertados hutongs, as ruelas labirínticas tipicamente chinesas.
Na Pequim atual, espaçosas avenidas se arrastam até viadutos, edifícios altíssimos, shoppings centers recém-inaugurados e o enorme espaço aberto da Praça do Portal da Paz Celestial (Tian'an Men). Com atmosfera pacífica e tantos turistas admirando as pipas que colorem o céu, fica cada dia mais difícil visualizar um protesto estudantil seguido do massacre de 3 mil vidas, como ocorreu há 19 anos.
Fotos: Sonaira San Pedro |
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Templo
do Céu, erguido há 600 anos, era o local onde rezavam
os poderosos. Cidade Proibida
(no topo.), antiga morada de 24 imperadores, abre suas salas
aos visitantes. |
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E foi bem em frente ao local por onde os tanques passaram em 1989, que, quatro décadas antes, o presidente Mao Tsé Tung proclamou a fundação da República Popular da China. O portão, que até hoje leva uma foto gigantesca do líder político, dá acesso à área até então reservada aos membros do alto-escalão do Partido Comunista Chinês e, que agora, abriga uma sucessão de museus e espaços que contam a história do país. Do lado de fora, o Mausoléo de Mao é rodeado de estátuas de revolucionários e guarda seu corpo embalsamado, com o boné emblemático do líder exposto.
A algumas quadras dali, no coração de Pequim, a Cidade Proibida (Gugong) é o maior complexo palaciano do mundo e foi morada de 24 imperadores que reinaram de dentro de seus muros altíssimos por 500 anos. O palácio foi domínio exclusivo da corte imperial até a década de 1920 e passou a ser aberto ao público em 1949. O grandioso complexo guarda tesouros históricos do dia-a-dia dos imperadores, como os quartos e as salas de chá usados por eles, além dos espaços coloridíssimos reservados para as ocasiões especiais.
A Cidade Proibida abriga 9.999 cômodos. E, como 9 vezes 9 é considerado sorte, as maciças portas vermelhas que se espalham pelo complexo têm 81 cravos de latão dourado. Nos telhados sempre amarelos, a cor real, enfileiram-se estátuas de guardiões associados à água. Ele vêm sempre em número ímpar, o que, acreditavam, ajudaria a proteger a construção de incêndios.
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Bei Hai foi jardim imperial
por mais
de mil anos |
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Jardins – Para uma visão privilegiada de todo o palácio, saia da Cidade Proibida pelo Jardim Imperial das Flores e siga em direção ao Parque Jing Shan. A alta colina do parque foi erguida com a terra escavada na construção do fosso do complexo palaciano. A idéia era proteger os imperadores dos maus ventos do sul, de acordo com os ensinamentos do feng shui. Hoje, sem imperadores para serem protegidos, a colina abriga um pequeno templo budista e oferece visão completa do palácio a quem tiver fôlego para alcançar os últimos degraus de intensa subida. Depois, vale caminhar em direção ao Parque Bei Hai, bem ao lado, que foi jardim imperial por mais de mil anos e abriga um lago charmosíssimo, de onde saem passeios de barco.
Também em meio a um parque – e repleto de madrugadores de tai chi chuan –, o Templo do Céu (Tian Tan), construído há 600 anos, era o lugar onde os imperadores rezavam aos deuses em favor de seu povo para uma boa colheita. As construções despertam os olhares pelos desenhos chineses detalhados e coloridos. E grandes placas em ideogramas espalhadas pelo templo levam a caligrafia dos imperadores das dinastias Ming e Qing.
Nos portões de saída do templo, riquixás se enfileiram como em um ponto de táxi. Um deles pode levar você a um passeio pela cidade. A brisa sempre fresca bate no rosto enquanto o motorista mostra a habilidade que ele tem de desviar dos carros e bicicletas apressadas pelo caminho. Siga até um hutong, aqueles bairros de ruelas estreitas da velha Pequim, onde a vida ainda corre devagarzinho, como há muito tempo. Ali, diversas famílias dividem um só espaço com casas muradas e voltadas para o mesmo hall. Idosos jogam xadrez na calçada, as mulheres servem o almoço em mesas coletivas, jovens pedalam suas bicicletas despreocupadamente, pequenas barracas de frutas oferecem variedades da estação. E não estranhe se um morador lhe convidar para entrar e conhecer sua casa. Vá e se surpreenda. Os chineses são um povo muito hospitaleiro e sempre querem mostrar ao visitante a China que cada um deles leva consigo. |