Por Sonaira San Pedro, enviada especial a Pequim
Já ouviu aquela história de que chinês pode comer tudo o que se move? Pois é verdade. E eles mesmos brincam com essa fama. Não somente em Pequim, mas na China toda, você poderá provar de casulo de bicho da seda refogado, carne de cachorro e de gato, gafanhoto caramelizado e... camarão vivo! Explica-se: o camarão vivo é mergulhado na cerveja até ficar, digamos, bêbado. E o corajoso mata o bicho com uma mordida na cabeça. Impossível encontrar comida mais fresca no mundo.
Aliás, quando o chinês se refere a comida fresca, ele quer dizer que até poucos minutos atrás o peixe de seu prato ainda nadava no aquário do restaurante. E, em alguns restaurantes, o cliente é convidado a escolher na hora seu prato preferido, como um camarão flutuando no tanque ou uma rã pulando na gaiola. Em ambientes maiores, até crocodilos observam os clientes das suas jaulas.
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Espetinhos exóticos: casulo de bicho da seda, gafanhoto caramelizado e grilo estão nas receitas especiais
dos chineses. |
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Longe dos hábitos de vida tradicionais, Pequim abriga excelentes restaurantes de gastronomia internacional. Bons cardápios fazem a região chamada San Li Tun muito conhecida na cidade. Ali, restaurantes de todo tipo de culinária enfileiram-se pelas ruas. O Alameda (Rua San Li Tun North, no Nali Mall), brasileiro com chefs nordestinos, mantém o nível das melhores casas de São Paulo e serve feijoada nos fins de semana.
Mas, diferentemente da capital paulista, em Pequim mantém-se o hábito de almoçar e jantar cedo. Geralmente, os almoços são servidos até as 14h e os jantares dificilmente passam das 22h. Por isso, não estranhe se a conta chegar à sua mesa antes da sobremesa.
Pato de Pequim - O Pato de Pequim (Beijing Kaoya) é o prato mais famoso da cidade. Nos primeiros minutos de conversa com um chinês, ele já vai querer saber se você provou do tal do pato. Delicioso, aliás. A ave, como a maioria dos pratos preparados com caças na China, é servida inteira. É levemente seca e, depois, apertada contra uma marinada doce e grelhada em fogo de madeiras perfumadas. O prato é saboreado envolto em panquecas cozidas no vapor, com molho um pouco apimentado, pepino fatiado e cebolinhas. Patê de fígado da ave e sopa de pato, no final, costumam acompanhar a refeição. Os apreciadores da iguaria recomendam o Beijing Dadong Kaoyadian (Dongsanhuan, SE, esquina a Changhong Qiao, tel. 8610/6582-2892) como o melhor restaurante da cidade.
À mesa com os chineses – Se, há 2,5 mil anos, Confúcio era famoso pelo silêncio à mesa, hoje, os chineses são conhecidos pelos restaurantes barulhentos. O chá sempre acompanha as refeições, do começo ao fim. Aliás, beber um chá ou uma sopa ruidosamente indica aprovação. E palitos de dentes são mais comuns do que os guardanapos.
Os jantares chineses costumam ser pequenos banquetes com 10 a 15 pratos diferentes. Compartilhar a refeição é um hábito oriental. Come-se um pouco de tudo e não se incomode se seu vizinho for colocando comida no seu prato. Como bons anfitriões, eles querem garantir que o convidado somente se levante satisfeito. Ou chi bao le, como costumam dizer. Por isso, entre no clima e aguarde os elogios pela sua habilidade com os palitinhos (que eles chamam de kuaizi), mesmo que você não tenha lá muito jeito para isso. |