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Você viu, pai, como eu pulei?", Maurren Maggi dizia ao telefone dois minutos depois de ter saltado para o ouro. O pai, Willian Maggi, não resistiu: caiu no choro. E passou o telefone para a mãe, Ruth. "Eu te amo", elas disseram. "Mamãe, vem logo para casa que eu quero abraçar você", falou a filha de três anos, a Sofia, que ainda fez um pedido para a mãe: "Eu quero a prata, ela é mais bonita". Esses foram os primeiros momentos de comemoração da família Maggi, separada pelos 18 mil quilômetros de distância entre São Carlos, sua terra natal, e Pequim. E unida por um sonho que acabara de se realizar.
Foto:Marcio David/FTR |
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| Maggi, com Sofia, comemora o salto de ouro da filha Maurren, que chegou a vender pizza no começo da carreira, em Ribeirão Preto. Foi o suficiente para ganhar o apelido de Tartaruga Ninja, que adora uma massa. |
O ouro de Maurren foi o primeiro de uma brasileira em esporte individual e a primeira medalha dourada do País no atletismo desde 1984, quando Joaquim Cruz ganhou nos 800 metros, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles. "Quem viu Maurren crescer e fez parte da história dela sabe o peso que essa medalha tem", disse o pai, Willian.
Foto: Phil Noble/Reuters |
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A esportista saiu de casa com 17 anos de idade para treinar em Ribeirão Preto, em um projeto voltado para o atletismo. O topo do pódio veio cinco anos depois de a atleta ter vivido o drama da suspensão por doping e de ter abandonado a carreira (voltou dois anos mais tarde). E uma década e meia após ela ter conseguido o primeiro patrocinador: uma pizzaria em Ribeirão Preto que dava a Maurren uma pizza por noite. "Às vezes, ela vendia a pasta para conseguir se manter nos treinos", lembrou o pai, emocionado. Nessa época, era conhecida como Tartaruga Ninja, em alusão ao desenho animado das quatro tartarugas que adoram comer pizza. "Foi uma fase sofrida para ela, mas que trouxe muitos bons resultados", lembrou a mãe, Ruth.
Com o burburinho da vitória, Maurren ainda demora alguns dias para chegar a São Carlos. Ontem, carregou a bandeira brasileira no encerramento dos jogos de Pequim, a convite do Comitê Olímpico Brasileiro. Quando desembarcar em São Paulo, a atleta tem compromissos com grandes patrocinadores: hoje, o Grupo Pão de Açúcar e a Caixa.
"Ela ainda vai ser recebida pelo presidente da República e nós vamos para Brasília para viver mais esse momento com a Maurren", disse Willian, enquanto tentava administrar uma entrevista e outra a jornais e emissoras de televisão e rádio do País inteiro. "No dia da vitória, chegou um momento em que tivemos oito equipes de TV aqui em casa, sem contar a quantidade de jornalistas que entravam e saíam a todo o momento. E até agora temos a sensação de estar flutuando." |