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24/08/08
PRIMEIRO, AS DAMAS
Na China, a participação feminina foi decisiva para o Brasil. Até nas poucas medalhas de ouro, bateram os homens e deixaram de ser sombra no esporte nacional.



A história das medalhas do Brasil em Pequim passa pelas mulheres. Estes Jogos, sem dúvida, foram delas. Começou com Ketleyn Quadros no judô. Um bronze na categoria leve (57 quilos), a primeira medalha de uma brasileira em um esporte individual. O reconhecimento pelo esforço finalmente chegava para aquela menina que, desde os oito anos, fugia das aulas em Ceilândia, no Distrito Federal, para ver o judô. Uma medalha que ninguém esperava que viria da "menina sorriso", como ficou conhecida pela delegação brasileira. As mulheres abriram a temporada de medalhas e também encerraram.

Foto:Alexander Demianchuk/Reuters
Ouro: Esq p/ dir: Sheilla, Jaqueline, Sassá, Fabiana, Valeskinha, Thaissa, Paula Pequeno, Mari, Carol, Walewska, Fabi, Fofão. Com medalha conquistada em Pequim, o vôlei feminino encerra um ciclo de críticas, quando as meninas passaram a ser conhecidas como as "amarelonas", por não ganhar um título de importância mundial.

A última coube a Natália Falavigna, no taekwondo. Um bronze na categoria acima de 67 quilos, no sábado. Emocionada, Falavigna batia no peito e dizia: "É meu, é meu". Era também a primeira medalha do Brasil nesse esporte numa Olimpíada. Mas o ano que marcaria a vida desta guerreira foi 2004, em Atenas, quando perdeu a disputa do bronze para a venezuelana Adriana Carmona.Ficou em quarto, porém não desistiu e viu a glória. A mesma história das velejadoras Fernanda Oliveira e Isabel Swan, que participaram na classe 470. Com a medalha inédita no feminino, elas esperam que as "portas se abram para as mulheres". O que antes era privilégio apenas dos homens, as medalhas, agora não é mais. Fernanda, que vai se casar em novembro, já está cobrando do noivo Diogo a promessa que lhe fez: "Ele disse que se eu ganhasse uma medalha entraria com ela no pescoço dentro da igreja. A minha parte eu já fiz."

Finalmente, as "amarelonas" do vôlei feminino, como eram chamadas, deram a volta por cima. Levaram o ouro e em troca só perderam um set em toda a Olimpíada. No futebol, a única derrota valeu prata. A segunda consecutiva em Jogos Olimpícos - o mesmo que o masculino conquistou até hoje. O duro foi perder, mais uma vez, para os Estados Unidos.

Esq p/ dir: 1 - Ouro: O primeiro salto de Maurren de 7,04m garantiu a medalha e muita tensão depois.Foto:Caio Guatelli/Folha Imagem 2 - Bronze: Ketleyn Quadros faz história com a medalha no judô. Foto:Julio Muñoz/EFE 3 - Bronze: Fernanda e Isabel quebram a hegemônia masculina na vela. Foto:Luis Tejido/EFE
Esq p/ dir: 1 - Bronze: A vitória de Natália Falavigna traz a primeira medalha para o taekwondo brasileiro. Foto:Alessandro Bianchi/Reuters 2 - Prata: Esta medalha não tirou a frustração de Marta por mais uma derrota, na final, para os Estados Unidos. Foto: Marcos Brindicci/Reuters

as o ouro que simboliza a história das mulheres do Brasil em Olimpíadas foi o de Maurren Higa Maggi. Além de marcar a carreira da saltadora de 32 anos, o ouro ajudou a quebrar um jejum de 12 anos. Por isso, ao subir no pódio, deixou para trás uma suspensão de dois anos por doping e mostrou que tomou a melhor decisão quando decidiu voltar às pistas. A atleta que poderia ficar manchada para sempre entra para a história do esporte como a primeira mulher a conquistar ouro em um esporte individual. Com as seis medalhas no feminino, o Brasil somou 15 no total e se igualou a Atlanta/96. Mas as três medalhas de ouro tiraram o país da 16ª posição em Atenas, quando ganhou cinco de ouro, para a 23ª de Pequim. Só que com um detalhe: esses Jogos tiraram definitivamente as mulheres da sombra dos homens do esporte nacional.