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22/08/08
Brasil bate a Itália e pega os Estados Unidos na decisão

SÃO PAULO - A seleção brasileira masculina de vôlei garantiu nesta sexta-feira a vaga para a final dos Jogos Olímpicos de Pequim. Em jogo complicado contra a Itália válido pela semifinal da competição, a equipe mostrou poder de reação e venceu de virada por 3 sets a 1, com parciais de 19/25, 25/18, 25/21 e 25/21. Veja também: A campanha brasileira na Olimpíada de Pequim Agora, na grande final do torneio, o Brasil encara a forte seleção dos Estados Unidos. A partida está marcada para o próximo domingo, a partir da 1 hora (de Brasília).

O time comandado pelo técnico Bernardinho busca o bicampeonato olímpico e os brasileiros podem conquistar a Olimpíada no vôlei masculino pela terceira vez na história (os outros títulos foram em Barcelona/1992 e Atenas/2004). A final contra a equipe norte-americana também terá um gostinho de vingança para o Brasil.

Na fase final da última Liga Mundial, disputada no Rio de Janeiro, a equipe tentava conquistar a competição pela sexta vez consecutiva e foi eliminada justamente na semifinal pelos Estados Unidos, que acabou levantando a taça. A seleção brasileira e os EUA possuem dois títulos olímpicos do vôlei masculino na história. Os dois times só ficam atrás da antiga União Soviética, que subiu no lugar mais alto do pódio em três oportunidades.

COMPLICADO

A Itália não chegou aos Jogos Olímpicos sendo apontada como uma das seleções favoritas, apesar da tradição do país no esporte. Com uma equipe renovada, fez uma campanha boa na primeira fase e passou em segundo lugar no grupo B. Foram quatro vitórias e uma derrota, justamente para os Estados Unidos. Após um triunfo emocionante contra os poloneses por 3 sets a 2 nas quartas-de-final (com 17 a 15 no set desempate), os italianos chegaram empolgados para a semifinal e iniciaram a partida demonstrando muita vontade de ganhar.

Já o Brasil, que havia passado com tranqüilidade pela China na fase anterior (a equipe só foi derrotada uma vez na competição, pela Rússia na primeira fase), entrou em quadra desligado e deixou o adversário abrir uma boa vantagem no começo do primeiro set. Com seis pontos de diferença, a Itália conseguiu manter o volume de jogo para não deixar os comandados de Bernardinho se aproximarem no marcador.

Sem reação, o Brasil perdeu o primeiro set em um erro de saque de André Heller. No entanto, a história do confronto começou a mudar completamente a partir do segundo set. Mais concentrada, a equipe brasileira encontrou seu melhor jogo e se impôs sobre o adversário. O time contou com um dia inspirado de Giba e André Heller para mostrar porque é considerado quase imbatível nos últimos anos.

Além disso, o bloqueio melhorou e passou a marcar as jogadas que a Itália fazia com Gavotto, jogador que havia se destacado na primeira parcial. A melhora fez a seleção brasileira fechar o segundo set até com certa tranqüilidade, em um bom saque de Murilo, que entrou no lugar de Dante, atleta que não estava em um bom dia.

No terceiro set, a Itália sentiu ainda mais a força brasileira. Após a contusão de Mastrangelo, a equipe se desestruturou completamente e começou a cometer muitos erros, principalmente no saque. E foi justamente em uma falha italiana neste fundamento que o Brasil fechou a parcial e ficou a um set da decisão.

GARRA

No quarto set, as duas equipes mostraram muita garra e a partida ganhou ainda mais em emoção. Quando o Brasil abriu cinco pontos de vantagem, a Itália mostrou a forma de sua camisa e mesmo com um nível técnico claramente inferior foi buscar o empate. Mas Bernardinho parou o jogo na hora certa e o Brasil voltou a imprimir muito volume de jogo para chegar à vitória, que veio em um ponto bonito de Murilo, sem bloqueio.

A vitória mantém o bom retrospecto dos brasileiros contra os italianos em jogos decisivos. Contra a Itália na final, o Brasil ganhou as Ligas Mundial de 2001 e 2004 e os Jogos Olímpicos de Atenas/2004.

POTÊNCIAS

Brasil e Estados Unidos mostram nesta Olimpíada que são as duas maiores potências do vôlei mundial na atualidade, pois vão decidir o título tanto no masculino como no feminino. Para o levantador Marcelinho, a força norte-americana está na disciplina tática. "É um time que sabe jogar e neste confronto os nervos estarão a flor da pele. Mas Olimpíada é outro espírito e estamos acostumados a encarar estas decisões, temos que pensar nisso", afirmou após a vitória contra a Itália, em entrevista à TV Globo.

De acordo com o jogador, a equipe está treinando muito forte, pois se preparou para este momento nos últimos quatro anos. "Vamos fazer o nosso melhor, tenho certeza", declarou.

Agência Estado