| SÃO PAULO - A brasileira Maurren Maggi, de 32 anos, conquistou nesta sexta-feira a segunda medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim. Depois de César Cielo ter vencido os 50 m livre da natação, foi a vez de Maurren conquistar a medalha dourada na prova do salto em distância, no Estádio Nacional de Pequim, o Ninho de Pássaro.
Com 7,04 m, conquistado na primeira tentativa, Maurren não teve adversárias durante a prova. A russa Tatyana Lebedeva, campeã olímpica do salto em distância em Atenas-2004 e medalha de prata no salto triplo em Pequim-2008, ultrapassou a marca dos sete metros apenas na última tentativa e acabou com a prata (7,03 m). O bronze ficou com a nigeriana Bleesing Okagbare, com 6,9 1m.
Nicolas Asfouri/AFP |
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"Eu não tinha certeza que iria ficar com a medalha de ouro depois do primeiro salto", explicou a brasileiras, lembrando que durante toda a prova ficou bastante concentrada porque sabia que as rivais poderiam tentar superá-la até no última tentativa. "Foi sofrido, foi um salto sofrido, porque eu sabia que poderia ter ido ainda mais. Depois do salto pensei: "pôxa, poderia acabar logo agora a prova", porque sabia que não tinha nada ganho ainda", disse a brasileira ao Sportv, ainda na pista do Ninho do Pássaro.
Na prova, Maurren conseguiu superar os sete metros e registrou a melhor marca de sua carreira e a segunda melhor da temporada - a melhor marca é da portuguesa Naide Gomes, com 7,12m, que não passou da primeira fase da competição e nem disputou a final.
Sobre a russa Tatyana Lebedeva, medalhista de prata, Maurren afirmou ter certeza que ela não iria dar moleza. "Durante toda a prova eu fiquei pensando e sabia que ela [a russa] viria para cima, que tentaria até o final porque ela salta muito. E eu tinha de esperar o último salto dela para fazer o meu também", contou Maurren, que nem precisou realizar a sexta e última tentativa na prova.
Para o técnico Nélio Moura, o momento histórico para o atletismo brasileiro, protagonizado por Maurren em Pequim é bastante merecido - a brasileira se tornou a única mulher do esporte no País a conquistar o ouro em uma prova individual em uma edição dos Jogos Olímpicos. "Foi maravilhosa a sensação da conquista, não dá nem para descrever. Estava tudo muito bom, ela conseguiu dar o melhor que ela tinha", declarou o treinador. "A Maurren merece, por tudo o que ela já passou, trazer esta medalha para a gente", lembrou o vitorioso técnico.
Foi a segunda medalha de ouro conquistada por Nélio com treinador em uma Olimpíada. A primeira já havia sido conquistada no próprio Ninho de Pássaro. Treinando com Nélio Moura desde 2006, o panamenho Irving Saladino conquistou o ouro na prova masculina do salto em distância, na China.
CARREIRA INTERROMPIDA
E a medalha de ouro tem um significado diferente para a brasileira, que foi flagrada no exame antidoping em 2003, poucos dias antes da disputa dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, na República Dominicana. A defesa de Maurren alegou que ela não sabia da presença da substância dopante (clostebol) em um creme cicatrizante aplicado após uma sessão de depilação definitiva.
A substância está na lista proibida da Federação Internacional de Atletismo (Iaaf). Após um período afastada das competições, e sem saber se retomaria a sua carreira aos 30 anos, Maurren Maggi voltou aos treinamentos em 2006. No ano seguinte, conquistou a medalha do Pan e voltou definitivamente às competições fazendo frente às melhores saltadoras do atletismo mundial.
"Eu vejo que o Brasil acreditou em mim, todos acreditaram na minha determinação. Só tenho a agradecer todo mundo que me apoiou nessa conquista", falou a atleta. "Tem muita coisa para acontecer, vamos finalmente ouvir o Hino Nacional. É pela minha filha Sofia que estou aqui. Deus fez este caminho para mim."
Desde 1984, com a conquista do ouro por Joaquim Cruz, o Hino Nacional Brasileiro não tocava em um estádio olímpico.
MEDALHAS DO BRASIL NO ATLETISMO
1952 - Ouro - Adhemar Ferreira da Silva: salto triplo
1952 - Bronze - José Telles da Conceição: salto em altura
1956 - Ouro - Adhemar Ferreira da Silva: salto triplo
1968 - Prata - Nelson Prudêncio: salto triplo
1972 - Bronze - Nelson Prudêncio: salto triplo
1976 - Bronze - João Carlos de Oliveira: salto triplo
1980 - Bronze - João Carlos de Oliveira: salto triplo
1984 - Ouro - Joaquim Cruz: 800 metros rasos
1988 - Prata - Joaquim Cruz: 800 metros rasos
1988 - Bronze - Robson Caetano: 200 metros rasos
1996 - Bronze - Revezamento 4x100 metros masculino
2000 - Prata - Revezamento 4x100 metros masculino
2004 - Bronze - Vanderlei Cordeiro de Lima: maratona
2008 - Ouro - Maurren Maggi: salto em distância
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