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20/08/08
No futebol, mais uma chance de ganhar ouro
A seleção feminina repete contra os Estados Unidos a final de 2004, em Atenas. Desta vez, porém, as brasileiras não querem nem saber da prata


A Seleção Brasileira feminina de futebol decide contra os Estados Unidos, hoje às 10 horas (horário de Brasília), quem vai fazer história ao conquistar a medalha de ouro, em Pequim. O jogo repete o encontro ocorrido em Atenas, há quatro anos, quando o time, então dirigido por Renê Simões, ficou com a prata. Desta vez, ninguém da equipe se contentaria com a segunda colocação, pois representaria um novo fracasso olímpico.

Daniel Garcia/AFP
A equipe feminina está pronta para decidir e não disfarça o favoritismo contra as norte-americanas. Marta, a goleira Andréia e a volante Formiga (ao lado), como as demais jogadoras, só pensam na conquista da medalha e o que ela pode representar para este abandonado esporte no Brasil. O técnico Jorge Barcellos (acima) acredita no poder da sua seleção, principalmente no ataque. Por isso, a ordem é atacar, marcar, ganhar

É que as brasileiras, mais do que defender o Brasil, jogam por elas mesmas, por uma boa premiação e, quem sabe, por condições melhores de trabalho. E ainda que digam que a conquista poderá mudar o cenário do futebol feminino, ninguém acredita.

Razões existem para isso. Nem a escolha de Marta como a melhor do mundo pela Fifa por dois anos seguidos alterou a condição de abandono na qual se encontra a modalidade. "Não há times, nem campeonatos", disse Marta. A CBF e os clubes ainda não encontraram uma maneira de prolongar a vida do futebol feminino e torná-lo competitivo no País, como na Europa, onde a atacante Cristiane atua há quatro anos -primeiro, na Alemanha, e, agora, na Suécia. Mesmo assim, qualquer mudança, por menor que seja, passará obrigatoriamente pela conquista em Pequim.
O técnico Jorge Barcellos aposta alto na seleção, principalmente na força do seu ataque. Por isso, pediu para Marta, Cristiane e Daniela atuarem pelas pontas. As três são a grande preocupação da treinadora Pia Sundhage. Segundo ela, a única forma dos Estados Unidos ter alguma chance de vencer o jogo é anulando Marta, Cristiane e Daniela. Se isto acontecer, Marta lembra que outras jogadoras poderão aparecer. "Afinal, somos um time e não um trio", afirmou.

Sergio Moraes/Reuters

Seja como for, os EUA estão entalados com Marta, Cristiane, Daniela e companhia desde a goleada de 4 a 0 na semifinal da Copa do Mundo, disputada justamente na China no ano passado. Naquela partida, Marta fez uma das maiores exibições da sua carreira.

As norte-americanas não esqueceram, e planejam dar o troco. "Não gostamos do que aconteceu e agora temos uma grande chance de dar o troco", afirmou a zagueira Christie Rampone, capitã do time.

Apesar do respeito, as jogadoras estão confiantes. Shannon Boxx acredita numa final emocionante em razão da boa fase do time brasileiro. "O Brasil é um grande rival, mas nós estamos muito bem."

Na preliminar, Alemanha e Japão decidem o terceiro lugar.(AE).