Por Sonaira San Pedro
O sonho do Brasil de conquistar a medalha de ouro no futebol transformou-se, ontem em Pequim, no pior dos pesadelos. A derrota na semifinal por 3 a 0 para os argentinos - justo para eles - coloca em xeque o futuro de Dunga na equipe, mostra que Ronaldinho Gaúcho, mais uma vez, não serve para a seleção e contribui para a festa da imprensa argentina. "Tirou de Letra" estampava o site do jornal Olé.
Jorge Araújo/Folha Imagem |
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| O que mais se viu em campo foi argentino comemorando gol, de Aguero, de Riquelme. E Messi confortando o apagado Ronaldinho Gaúcho. |
Para o Clarin foi uma grande "humilhação" para os brasileiros. "A Argentina deu um baile no Brasil e espera pela Nigéria", assinou o jornal Perfil. O La Nación classificou o resultado de "inesquecível".
Porém, antes do jogo, a expectativa da torcida e dos colunistas era por uma vitória do Brasil. Tanto que a imprensa publicou à exaustão uma lista de vitórias dos brasileiros. A derrota era tão certa que foi baixo o interesse pelo jogo e o movimento em Buenos Aires pouco se alterou.
Até Maradona, que assistiu a partida em Pequim, decepcionou-se com a atuação dos brasileiros. "Faz tempo que não vejo um Brasil tão pequeno e defensivo", disse. "A Argentina foi superior a cada metro do campo". Dos três gols, dois foram de Aguero, genro de Maradona e pai do seu primeiro neto. O outro foi o pênalti cobrado por Riquelme.
O maior erro do Brasil foi jogar recuado, com medo. De nada adiantou Lucas ficar colado em Riquelme e Anderson em Messi. A Argentina dominou e o pouco equilíbrio no primeiro tempo, desapareceu totalmente no segundo. Não teve nem graça. Nem as expulsões de Lucas e Thiago Neves.
Rodolfo Buhrer/AE |
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Riquelme anunciou depois da partida que era preciso "saborear esse triunfo, comer bem e cantar um pouco mais, por que não é todo dia que se ganha do Brasil dessa forma".
Agora a Argentina decide a medalha de ouro com a Nigéria, que venceu a Bélgica por 4 a 1, sábado à 1h (horário de Brasilia). O Brasil joga com a Bélgica, sexta-feira às 8h (horário de Brasília) pelo bronze.
Abatidos, os jogadores brasileiros procuravam uma explicação para a derrota. "Fizemos o que podíamos, mas não deu", afirmou Hernanes. "Perdemos para uma equipe que foi muito melhor que a gente", disse o resignado Alexandre Pato, acrescentando que estava "feliz pelo trabalho que fizemos nesta Olimpíada".
Rodolfo Buhrer/AE |
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O técnico também fez de conta de que estava tudo bem, num discurso de que o melhor é pensar no futuro. "Agora é bola para frente", afirmou. Mas o treinador sabe que um tropeço no dia 7 de setembro contra o Chile, pelas eliminatórias, poderá encerrar o seu ciclo na seleção.
A convocação para esta partida e para o jogo com a Bolívia, será anunciadana China, amanhã.
O grande inimigo - Para o Brasil, a Argentina é a grande adversária, porém para os hermanos, apesar da gozação na imprensa, os brasileiros ficam em segundo lugar quando o assunto é a rivalidade em campo. Não que não seja um belo clássico, com emoção e raiva. Mas quem ganha a disputa é a Inglaterra. Explica-se: a competição começou com as Ilhas Malvinas por uma questão geopolítica e continua até hoje nos campos de futebol. Por isso, quando Brasil enfrenta os ingleses, a Argentina torce por nós. |
Some o futebol de Ronaldinho
Ronaldinho Gaúcho ganhou uma medalha em Pequim: a de atleta mais badalado de toda a Olimpíada. Onde esteve foi bastante assediado. Nos estádios, o público vibrava sempre quando tocava na bola. Quando aparecia no telão, então, era quase delírio. Virou capitão com a tarefa de comandar a Seleção Brasileira em campo. Pessoalmente, tinha a segunda chance de conquistar o ouro, após integrar a seleção que fracassou em Sydney/2000. Mas ontem, no jogo mais importante, sumiu. O atacante decepcionou. E também se decepcionou. "Nós, brasileiros, não estamos preparados para perder"", disse. Agora, o desafio é encontrar motivação para o bronze. "Eu, como o mais velho, tenho que motivar o resto e ganhar a medalha para acabar bem" (AE) |