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18/08/08
Fernanda Oliveira e Isabel Swan brilham e conquistam inédita medalha para vela

PEQUIM - O mergulho nas águas de Qingdao, o barco virado e a emoção no pódio, caracterizada por sorrisos, lágrimas e bandeira do Brasil nas mãos, simbolizaram muito bem a importância do feito de Fernanda Oliveira e Isabel Swan nas Olimpíadas de Pequim. Com ascensão meteórica nas últimas regatas da classe 470, a dupla venceu a última prova, assegurou a terceira colocação geral e recebeu com muito orgulho o bronze.

Pascal Lauener/Reuters

A medalha, que em alguns casos é considerada apenas razoável, atribuída a fracassos e até mesmo desprezada, como foi o caso do sueco Ara Abrahamian na luta greco-romana, tem cara de ouro para as brasileiras. Principalmente por ter um caráter inédito, afinal é a primeira vez que uma categoria feminina da vela dá uma conquista dessas ao esporte nacional - os homens têm 14 na história. Esse bronze é comemorado como ouro também porque elas chegaram às Olimpíadas de Pequim longe da lista de favoritas.

O caminho para o pódio

A timoneira Fernanda e a proeira Isabel tiveram uma trajetória de certa maneira surpreendente na disputa da classe 470. Até a quinta regata, de um total de 11 (incluindo a Medal Race), elas não tinham passado das dez primeiras colocações.

Conseguiram avançar um pouco ao fim da sexta prova, quando assumiram a nona posição no geral. Após isso, a ascensão foi impressionante. A dupla brasileira chegou em quinto na sétima prova, em quarto na oitava e também na nona, para então assumir a terceira colocação depois da décima regata.

Embora tivessem chegado à regata da medalha em situação mais cômoda, Fernanda e Isabel estavam muito concentradas em não vacilar na última prova. E o foco na competição foi tanto que elas deixaram todas as adversárias para trás e venceram a 11ª disputa. Fato que manteve o conjunto brasileiro na terceira colocação.

À frente das brasileiras só ficaram as australianas Elise Rechichi e Tessa Parkinson, donas do ouro, e as holandesas Marcelien de Koning/Lobke Berkhout, que conquistaram a prata.

Vela volta ao topo da lista dos esportes mais gloriosos

Pascal Lauener/Reuters

Com a medalha conquistada nas águas de Qingdao, a vela brasileira empata com o judô e soma 15 na história das Olimpíadas. Antes do início dos Jogos de Pequim, a modalidade era líder isolada, mas foi superada pelo pessoal do tatame após os bronzes de Leandro Guilheiro, Tiago Camilo e Ketleyn Quadros.

Ainda nesta edição das Olimpíadas existe a possibilidade de a vela verde-amarela voltar a ser o esporte mais vitorioso do Brasil nos Jogos. E as principais esperanças são Robert Scheidt/Bruno Prada, na classe Star, e Ricardo Winicki, o Bimba, na RS:X. A dupla, no entanto, tem oscilado bastante em sua categoria.

Agência O Globo

18/08/08
Esse bronze é da Fernanda e da Isabel
E dedicam primeira medalha da vela feminina para elas

Fernanda Oliveira e Isabel Swan saíram do Brasil determinadas a voltar da China com a primeira medalha olímpica da história da vela feminina brasileira. Ontem a dupla atingiu o objetivo ao conquistar o bronze na classe 470, com a vitória na regata da medalha.

O bronze foi um prêmio pelo trabalho marcado por dedicação e planejamento. Calculista, a dupla só teve um dia de folga. As 24 horas em repouso, segundo elas, foram as piores. "O dia parecia não acabar nunca", conta Fernanda. O outro momento de explosão foi pela conquista. Empolgada, a dupla começou a gritar e virou o barco para festejar.

Fernanda conta que a jornada até o bronze foi muito difícil. "Fomos melhorando nosso desempenho regata após regata", conta. Os ventos fracos e as correntezas de Qingdao foram adversários difíceis de superar. Na regata final, segundo a velejadora, foi a hora de colocar todo planejamento elaborado em prática. "Era uma estratégia complicada, mas conseguimos uma largada muito boa e acabamos vencendo".

Don Emmert/AFP
A euforia transborda nos sorrisos de Fernanda e Isabel, que levaram o bronze ao chegar em primeiro na última regata da classe 470.

No final, Fernanda, de 27 anos, e Isabel, de 24, ficaram com o bronze ao somarem 60 pontos perdidos, enquanto as australianas Elise Rechichi e Tessa Parkinson, com 43 pontos perdidos, ganharam o ouro. A prata acabou com as holandesas Marcelien De Koning e Lobke Berkhout, 53 pontos.

Ao falar da conquista, Fernanda deixou a diplomacia de lado. "Dedico esta medalha à gente mesmo, por causa de nossa dedicação, ao nosso técnico Paulo Ribeiro, às nossas famílias, namorados. Todo mundo trabalhou para que as coisas dessem certo."

O resultado de Fernanda e Isabel na classe 470 é consequência de um minucioso preparo de três anos, iniciado em 2005 com o técnico Paulo Ribeiro. Depois vieram três especialitas em preparação física, fisioterapia e psicologia.

Com a equipe montada, Fernanda e Isabel participaram de várias competições na Europa contra os prováveis adversários olímpicos e procuraram fazer um minucioso reconhecimento da complicada raia de Qingdao, marcada por forte correnteza e ventos irregulares. Também houve uma fase de ajuste de peso das duas velejadoras e dos dois novos veleiros. Só que na hora de testar os equipamentos, de elaborar as táticas, a neblina e os ventos fracos foram os principais adversários. Mas não o suficientes para impedir a conquista das duas brasileiras. (AE)