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12/08/08
Um dia de ouro para o Brasil
Com apenas 20 anos, Ketleyn Quadros conquista bronze histórico para ela e o judô. Pouco depois, Leandro Guilheiro ganha o seu

Para o Brasil, as duas medalhas de bronze conquistadas ontem pelo judô representam muito pouco. Para Ketleyn Quadros e Leandro Guilheiro é, sem dúvida, um feito histórico.

AFP/Toshifumi Kitamura
Ketleyn derrota a japonesa Aiko Sato,
na repescagem, e abre caminho para a conquista da inédita medalha
de bronze para o judô.

Para tornar-se a primeira brasileira a ganhar medalha olímpica em esporte individual e a primeira medalha da história do feminino de judô, a brasiliense Ketleyn, de 20 anos, disputou quatro lutas. Ganhou uma e perdeu outra.

Na repescagem, duas vitórias e a chance de lutar pelo bronze contra a australiana Maria Pekli. Com um ippon não desperdiçou a oportunidade. Afinal, desde os oito anos a menina já falava para a mãe , Rosemary: "Quando eu crescer vou ser atleta olímpica de judô".

E, com muito sacríficio feito por ela e por sua família, subiu ao pódio. "Senti o gostinho da medalha", afirmou. Na platéia, Rosemary, cabeleireira, divorciada e mãe de mais de duas filhas, fez um pedido. "Sempre rezo para ela não se machucar, mas é preciso ganhar dinheiro", dizia sem saber que a filha vai receber, junto com Leandro, R$ 20 mil da Confederação Brasileira de Judô. Ketleyn reconhece que "a ficha ainda está caindo" e a mãe sugere que ela seja recebida pelo presidente Lula, em seu retorno ao Brasil na quinta-feira. "Bem que o presidente poderia chamar a minha filha para almoçar. Ela merece."

Até agora, os melhores resultados no feminino haviam sido de Edinanci Silva, eliminada nas quartas-de-final, em Atlanta, Sydney e Atenas.

Reuters/Kim Kyun-Hoon
O ippon deferido por Leandro Guilheiro foi fulminante. Em 23 segundos, o bronze era do brasileiro

O feito de Leandro não foi menos especial. Em Pequim chegou ao seu segundo pódio olímpico já que em Atenas também havia conquistado bronze. Dessa forma iguala ao número de medalhas de Aurélio Miguel (ouro, em Seul, e bronze, em Atlanta). Na decisão, Guilheiro fez uma luta relâmpago. Em 23 segundos derrubou o iraniano Ali Malomat, com golpe máximo, o ippon.

Há quatro anos, depois de voltar de Atenas, Guilheiro precisou operar o pulso, o quadril e o ombro. Agora, também terá de retornar à mesa de cirurgia para corrigir um problema na coluna. Mas nada parece impedir esse atleta de 25 anos de seguir em seu sonho de conquistar o ouro olímpico, que ficou para Londres, em 2012.

"Sou teimoso, turrão e ainda muito jovem. Vou atrás do lugar mais alto e ouvir o Hino Nacional. Já apanhei muito do meu corpo, mas não vou desistir", garantiu Leandro.
Com os dois bronzes, o judô empata com a vela como o esporte com mais medalhas olímpicas: 14, até agora. (AE)