| Em ano de comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil não é difícil passear pela cidade e encontrar exposições que celebram a data. Na instituição que leva o nome de uma japonesa não poderia ser diferente. Até o dia 10 de agosto o Instituto Tomie Ohtake abriga a mostra Laços do Olhar que reúne cerca de 350 obras de arte. São pinturas, gravuras, desenhos, esculturas, vídeos, instalação, fotografias, cerâmicas e documentos que estabelecem os vínculos entre o Brasil e o Japão, desde o século XIX.
A exposição tem curadoria de Paulo Herkenhoff que explica Laços do Olhar como uma constelação de núcleos sobre encontros e o reconhecimento do Japão pelo Brasil e a integração dos artistas japoneses no ambiente cultura do País. "É uma mostra-pesquisa mais que contemplação. Os laços se espraiam por todas as regiões: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Brasília, Bahia e Pará", completa.
 |
À esquerda, fotografia de Pierre Verger. Ao lado, óleo sobre aglomerado de Tikashi Fukushima. |
|
A mostra revela, por exemplo, que as construções típicas orientais foram fonte de inspiração para Lygia Clark, na criação da maquete Construa Você Mesmo o Seu Espaço para Viver. Há também uma série de trabalhos modernistas feitos por japoneses próximos aos quadros de Anita Malfatti. Mas nem sempre a ligação entre as obras de brasileiros e japoneses é tão evidente como na mostra Quando Vidas se Tornam Formas, em cartaz no Museu de Arte Moderna (MAM), no Parque do Ibirapuera.
Entre os vídeos há o longa Gaijin, dirigido pela cineasta Tizuka Yamasaki. O filme mostra a saga da imigração japonesa no País e é exibido em uma pequena tela posicionada entre outras obras. É em vídeo também que o público pode ver o poema Tudo Está Dito, de Augusto de Campos. Na entrada de uma das salas expositivas o espectador logo encontra outra figura típica do Japão, um samurai em tamanho natural fazendo pose. Os apaixonados por histórias em quadrinhos têm um prato cheio, ou melhor, uma mesa repleta de mangás.
E quem não resistir a folheá-los pode aproveitar a oferta, para puxar a cadeira e se divertir com a leitura das aventuras. A gatinha Hello Kity é outra que desperta paixões e pode ser encontrada no meio de alguns trabalhos. Em Viagem ao Japão (1934) é Pierre Verger quem exibe a beleza japonesa por meio de belas fotografias.
Massao Okinaka, Nelson Leiner, Geraldo de Barros, Tomie Ohtake, Flavio-Shiró, Adriana Varejão e Wesley Duke Lee estão entre os diversos artistas que mostram a conexão entre as culturas do Brasil e do Japão. Laços do Olhar é a primeira de três exposições que o Instituto Tomie Ohtake apresenta em comemoração ao centenário da imigração japonesa. |