Fotos: Leonardo Rodrigues/e-SIM
 
Adélia Jeveaux próxima da obra Vídeo Portrait Gallery # 2, da sérvia Marina Abramovic. Instalação com diversos monitores exibe performances da artista que encantou a estudante de cinema.
 

As opiniões são diversas quando o assunto é a 28ª Bienal de São Paulo. Não faltam comentários de críticos, curadores e artistas sobre o vazio do segundo andar. Além disso, o tom conceitual da mostra também tem provocado discussão.

Mas qual será a opinião de quem decidiu visitá-la? A edição deste ano caiu no agrado do público? O artista plástico Nivardo Victoriano não tem do que reclamar. Ele observava atentamente cada obra durante a última terça-feira. "Visitei todos os andares, mas gostei mais do terceiro". Entre as obras preferidas, Victoriano destaca Drawings, do americano Allan McCollum. A intrigante criação reúne 1.800 desenhos emoldurados feitos com grafite. Impossível passar despercebido por ela. "Eu gostei muito desse trabalho pela repetição de elementos que ele apresenta." A obra ilude porque apesar da quantidade de pequenos quadros, nenhum desenho se repete. Ele ainda afirma que ficou encantado com o segundo andar. "Dei uma volta no andar vazio e me deu uma sensação muito boa. Eu gosto de espaço livre. A exposição está muito conceitual, então não deu para o andar vazio ‘matar’ a Bienal".

Quem também saiu satisfeita da edição deste ano foi a artista plástica Uiara Bartira. "Os três andares são bons, cada um em sua especificidade. O vazio é maravilhoso! É como se você pudesse sentir as almas perambulando no espaço", diz Uiara, que já foi parceira de trabalho de Ivo Mesquita, curador da Bienal 2008. "Acho que neste terceiro andar o Ivo pegou a essência da gravura e transformou numa revitalização da cidade de São Paulo". Assim como diversos visitantes, a artista plástica não resistiu ao vazio do segundo andar. "Fotografei e percorri muito o vazio. Acho que ele é exatamente o que a arte contemporânea propõe, ela propõe esse vazio no ser humano. As pessoas confundem que o vazio seja, digamos assim, a essência da arte contemporânea. Não! Ela é justamente uma crítica".

E não faltaram boas surpresas durante a visita de Uiara. A melhor? A visão do nada seguida do encontro com as mais de mil unidades da criação de Allan McCollum, Drawings. "Tive a maior surpresa quando sai do vazio e encontrei a obra com acumulação. Acho que foi a parte que me instigou mais porque todas as obras são muito reflexivas. Quando a gente vira a curva da subida do vazio e dá de cara com aquela acumulação dialogando com o vazio anterior dá um embate".

A artista plástica é presença garantida nas edições da Bienal. "Sempre visito as bienais. Gostei muito dessa. Gostei de pensar, do que eu vi, de ver as pessoas experimentando as coisas com calma, com tranqüilidade". Adélia Jeveaux era uma das observadoras. A estudante de cinema veio do Rio de Janeiro especialmente

 

para acompanhar a 32ª Mostra Internacional de Cinema e visitar pela primeira vez a Bienal. Fã declarada do trabalho da sérvia Marina Abramovic elegeu a instalação Vídeo Portrait Gallery # 2 como uma de suas preferidas. "Quando cheguei já fui procurando para ver onde estava o trabalho dela e achei bem interessante". A instalação reúne 17 monitores que mostram diversas performances da sérvia ao longo de sua carreira. Adélia conta que não participou de nenhuma obra interativa, nem do sedutor Valério Sisters, dupla de escorregadores do artista Carsten Höller. Medo? Nada disso. O empecilho foi a fila. "Eu até tinha interesse em ir ao tobogã, mas quando eu passei tinha uma fila grande. A galera estava muito empolgada para descer no tobogã".

A Bienal 2008 reúne no total 42 artistas de 21 países. E quem pensa que andar vazio é sinônimo de passeio mais rápido vai se surpreender. Contemplar e participar desta edição pode levar o tempo costumeiro das anteriores. E com uma boa dose de diversão.

 
Visitantes participam ativamente de atividades

 

 
 
Pavilhão da Bienal. Parque do Ibirapuera, portão 3, tel.: 5576-7600. Terça a domingo. 10h às 22h. Grátis.
 
© Copyright 2008 Diário do Comércio - Todos os direitos reservados