São Paulo, 25 de Setembro de 2016

/ Tecnologia

Nos EUA, petróleo barato pode acabar com o etanol
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Com o petróleo cotado abaixo de US$ 70 o barril, depois de uma alta de US$ 115 no início de 2014, simplesmente não serão construídas novas usinas, prevê Wallace Tyner, economista da Universidade de Purdue.

Por David Talbolt

A queda dos preços do petróleo, acelerada pela recente decisão da Opep de manter a meta de produção planejada, resultará em um novo golpe contra os esforços de comercialização de biocombustíveis avançados, tais como o etanol de bagaço ou o diesel produzido a partir de óleos vegetais.

Além disso, esses preços mais baixos podem também fortalecer o argumento de que é preciso reduzir a escala de regulações federais que exigem o uso de biocombustíveis.

O progresso na comercialização de biocombustíveis avançados, como o etanol de celulose, tem sido lento apesar das leis federais que exigem a utilização desse tipo de combustível. No início de 2014, entraram em operação algumas usinas de etanol celulósico de grande porte, entre elas as operadas pela Poet-DSM, DuPont e Abengoa.

Todas foram planejadas quando o petróleo estava cotado a US$ 100 o barril. Vários outros projetos foram cancelados antes mesmo da queda recente de preços.

Agora que o petróleo está cotado abaixo de US$ 70 o barril, depois de uma alta de US$ 115 no início de 2014, simplesmente não serão construídas novas usinas, disse Wallace Tyner, economista especializado nos segmentos agrícola e de energia da Universidade de Purdue.  

Os programas federais de biodiesel foram criados por meio de um projeto de lei de energia aprovado pelo governo americano em 2005.

O projeto transformado em lei pelo então presidente Bush previa o fomento à independência energética exigindo para isso que se utilizasse um volume cada vez maior de galões de etanol e de biocombustíveis avançados nos combustíveis destinados ao transporte. 
Em 2013, a Administração de Proteção ao Meio Ambiente dos EUA (EPA, na sigla em inglês) reduziu o número de programas que fixavam o volume total de biocombustíveis a serem adicionados aos combustíveis para transporte.

A EPA citou a saturação de mercado devido à demanda menor do que a esperada para a gasolina, limitando o volume de etanol a ser misturado.

Aguarda-se desde o início do ano a atualização desse volume pela EPA. Se os programas forem repelidos, disse Tyner, "os biocombustíveis de celulose e o biodiesel deixarão de existir".

Os efeitos do petróleo barato em outros setores de tecnologia limpa deverão ser mais limitados. "É muito pouco o petróleo usado na produção de energia elétrica, portanto a queda nos preços do petróleo terá impacto, principalmente, sobre o setor de transporte", disse Massoud Amin, diretor do Instituto de Liderança Tecnológica da Universidade de Minnesota e ex-executivo do Instituto de Pesquisa em Energia Elétrica, um grupo de pesquisas financiado pelo setor de serviços públicos.
 



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