Tecnologia

Glossário do empreendedor: o que é unicórnio


No mundo das startups, o nome do animal mitológico é usado para designar empresas emergentes de tecnologia com valor de mercado superior a 1 bilhão de dólares


  Por Italo Rufino 10 de Novembro de 2016 às 13:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Do Oriente ao Ocidente, o unicórnio costuma ser retratado como um ser mitológico similar a um cavalo, geralmente branco e de temperamento dócil, com um chifre espiral na testa. 

O ser, por exemplo, é uma das figuras centrais da série francesa de tapeçaria A Dama e o Unicórnio, criada por volta do fim do século XV. A obra expressa os cincos sentidos do ser humano e o sentimento do amor. 

O animal também aparece com frequência na cultura pop – foi personagem da série Harry Potter. Acabou com um final trágico. Seu sangue serviu de alimento para o vilão Voldmort.

No ambiente das startups e dos fundos de capital de risco, são chamadas de unicórnio empresas emergentes avaliadas com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão. 

Essas empresas possuem modelo de negócio inovador e tecnológico, alto potencial de crescimento – embora não sejam necessariamente lucrativas – e são fomentadas por pujantes rodadas de investimentos. 

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Um dos unicórnios mais relevantes do momento é o Uber. Em junho, a empresa de mobilidade urbana teria arrecado US$ 2,1 bilhões numa rodada de investimento, de acordo com o The Wall Street Journal. Hoje, seu valor atinge cerca de US$ 62 bilhões.

Saiba mais sobre o termo.

ORIGEM 

O termo apareceu pela primeira vez em 2013, num artigo do site TechCrunch, de autoria de Aileen Lee, fundadora da empresa de capital de risco Cowboy Ventures. 

Aillen elencou 39 negócios emergentes de internet ou software, criados a partir de 2003, que estavam avaliados em mais de US$ 1 bilhão. Essas empresas representavam 0,07% do total de negócios de internet criados entre 2003 e 2013. 

“Sabemos que o termo ‘unicórnio’ não é perfeito – unicórnios aparentemente não existem, e essas empresas sim”, afirmou Aillen no artigo. “Mas nós gostamos do termo porque, para nós, isso significa algo extremamente raro e mágico.”

Atualmente, de acordo com o TechCrunch, há 201 empresas classificadas como unicórnio. Entre elas estão Xiaomi, AirBnb, SnapChat e Spotify, que somam um valor de mercado de mais de US$ 742 bilhões. 

CINCO ANOS APÓS FUNDAÇÃO, UBER FOI AVALIADO EM US$ 62 BILHÕES / FOTO: ALEX DE JESUS/Estadão Conteúdo

CASOS BRASILEIROS 

O Brasil ainda não possui nenhum unicórnio. Embora o ecossistema empreendedor nacional tenha se fortalecido na ultima década, com crescimento de investimentos-anjo e aceleradoras, o surgimento de startups bilionárias é afetado por problemas típicos do país, como burocracia, alta carga tributária e escassa educação voltada ao empreendedorismo tecnológico. 

Contra a maré, algumas empresas nacionais estão próximas de alcançar o valioso status. Uma delas é a Movile, que desenvolve serviços e aplicativos móveis. 

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A empresa é a criadora do aplicativo de jogos e desenhos infantis PlayKids, que possui mais de 6 milhões de usuários e está disseminado em mais de cem países. 

A Movile também é dona do iFood, serviço de entrega de refeições por celular que realiza mais de 1,7 milhão de pedidos mensais.  

Outras empresas que se avizinham do título: Nubank, emissora de cartão de crédito, e PSafe, que desenvolve aplicativos de antivírus para smartphones. 

APLICATIVO PLAYKIDS DA MOVILE: 6 MILHÕES DE USUÁRIOS NO MUNDO

OUTRAS NOMENCLATURAS 

De acordo com um relatório da SharesPost, plataforma de investimentos em empresas não listadas na bolsa, cerca de 30% dos unicórnios americanos de tecnologia perderão o status. 

O levantamento destaca que nos últimos anos houve uma alta repentina no mercado de capital de risco, que financiou os unicórnios. Muitas dessas empresas foram sobrevalorizadas devido o otimismo exacerbado de investidores. 

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Em abril, o site americano de negócios Business Insider publicou um artigo que afirma que em 2016 os investidores estariam em buscas das startups “baratas” (o inseto mesmo). 

De acordo com a publicação, uma startup barata se desenvolve de forma lenta e constante – priorizando o equilíbrio entre receitas e lucro.

As despesas são controladas para que o negócio consiga resistir a variáveis repentinas de mercado e rupturas de investimentos. 

“Agora, tudo é sobre resiliência para enfrentar a tempestade”, disse Tim McSweeney, diretor do fundo de investimento Restorations Partners. “Enquanto o unicórnio é um animal mítico, uma barata pode sobreviver a uma guerra nuclear.”

ENTENDA OUTROS TERMOS DO GLOSSÁRIO DO EMPREENDEDOR:
Break-even
Cobranding
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