São Paulo, 25 de Junho de 2017

/ Tecnologia

Ele fatura milhões vendendo computadores para “gamers”
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Emerson Salomão (na foto) foi dono de um carrinho de cachorro-quente e hoje tem sua própria marca de notebooks de alto desempenho

No último mês de julho, mais de 10 mil pessoas se reuniram no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. 

A torcida atenta, formada principalmente por jovens, acompanhava a final do Campeonato Brasileiro de League of Legends (LoL), jogo online no qual participantes disputam entre si. 

Quem não conseguiu um dos disputados ingressos, pode acompanhar nas 22 salas de cinema que transmitiram as partidas ou, ainda, nos mais de 60 pontos espalhados pelas cidades brasileiras.  Na internet, o público somou quase um milhão de pessoas. 

A consultoria especializada Newzoo estima que o mercado de e-sports (esportes eletrônicos) movimentou US$ 463 milhões em todo o mundo em 2016 – um aumento de 43% em relação ao ano anterior.

Há cinco anos quase ninguém podia prever esse boom dos jogos eletrônicos. Mas quem apostou no mercado, hoje colhe bons frutos. 

É o caso de Emerson Salomão, fundador da Avell, empresa que vende notebooks de alto desempenho. 

DOS CACHORROS-QUENTES PARA OS COMPUTADORES

A trajetória de Salomão, assim como de muitos empresários foi repleta de percalços. Ele nasceu em Londrina, no Paraná, e ficou órfão muito jovem. Aos noves anos, perdeu a mãe e, aos 15, o pai. 

Com 18, pediu demissão do banco em que trabalhava e mudou-se para Joinville, em Santa Catarina. Investiu o dinheiro que tinha num carrinho de cachorro-quente. O negócio não deu certo por causa da pouca experiência com os negócios. 

Emerson teve outras experiências profissionais. Foi vendedor de sapatos e trabalhou na mercearia do sogro. 

O interesse em tecnologia começou enquanto cursava o curso de processos gerais na Fundação Getúlio Vargas (FGV).  

Em 1997, ele deu o pontapé inicial para o que se tornaria uma empresa de sucesso. Abriu a Notebook Century, uma pequena loja de 40 m² que vendia notebooks de diversas marcas. 

Na época, os computadores portáteis eram uma grande novidade. 

“Diferente dos desktops que tinham de ser montados, os notebooks eram caixinhas prontas e podiam ser levadas para qualquer lugar”, afirma Salomão. 

O negócio demorou a engrenar. Mas, depois de um começo difícil, o empresário começou a ver os primeiros resultados positivos. 

Após três anos da fundação da empresa, a loja foi mudada para um espaço de 100 m². Além de vender os computadores, Salomão também passou a oferecer assistência técnica. 

Os negócios prosperaram e o empreendedor abriu duas filiais: uma em Florianópolis e outra em Curitiba.

 

Notebook da linha gamer da Avell, modelo G1513 Iron

 

AVELL 

Nesse período, a demanda por notebooks cresceu e Salomão decidiu que era o momento certo para lançar uma marca própria no mercado: a Avell. Em 2004, os notebooks foram lançados no mercado. 

Produzir e vender eletroeletrônicos nacionais em meio a grandes multinacionais não é tarefa fácil. Por isso, em 2010, a Notebook Century passa a vender apenas os produtos da marca Avell. 

Para se diferenciar da concorrência, Salomão decidiu apostar em um novo nicho de mercado: os notebooks de alto desempenho. 

Esses computadores potentes são ideais para pessoas que utilizam programas de computadores muito pesados, como os “gamers” de jogos online (citados no começo da matéria), arquitetos, engenheiros e designers. 

A marca é pouco conhecida para a maioria dos consumidores comuns. Mas é possível ver diversos produtos da Avell circulando nas mãos dos participantes de eventos de tecnologia e de jogos online.

Em 2016, a empresa faturou R$ 35 milhões – crescimento de 18% em comparação com o ano anterior. Cerca de 70% dos clientes da marca são jogadores. 

Além das lojas físicas, a empresa vende seus produtos pelo e-commerce. Um dos principais diferenciais dos produtos da Avell é a possibilidade de personalização. 

“Tudo é adaptado para as necessidades do consumidor. Os teclados, por exemplo, podem ser modificados para responder mais rapidamente aos comandos”, afirma Salomão.

“Essas alterações não fazem muito sentido para o público tradicional, mas para os jogadores fazem toda a diferença.”

Em 2014, a empresa abriu sua primeira loja fora do Brasil. O destino escolhido foi Miami, nos Estados Unidos. “É um mercado muito difícil e a concorrência é muito maior”, afirma Salomão. 

O próximo passo da Avell é a expansão para a América Latina. Salomão estuda agora mercados que concentram a maior quantidade de jogadores online, como México, Argentina e Chile. 

FOTOS: Divulgação/ Avell