Tecnologia

As empresas precisam de “velhos jovens” e “jovens velhos”


Para o especialista Dado Schneider, a mistura de gerações é fundamental para o sucesso tanto dos negócios tradicionais quanto das startups


  Por Thais Ferreira 02 de Fevereiro de 2017 às 12:45

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


A internet das coisas, o Big Data, as redes sociais, os aplicativos, os smartphones e mais de uma centena de outras inovações aconteceram na última década.

Para quem é jovem é fácil acompanhar. Mas para quem já passou dos 40 anos, entender tantas mudanças é um processo um pouco mais difícil.

Dado Schneider, teoricamente, pertence ao segundo grupo. Mas decidiu não se acomodar. Ele é professor, consultor, palestrante e autor de “O mundo mudou...bem na minha vez”.

Há anos ele se dedica a entender as mudanças que acontecem com as pessoas e com as empresas. É também, há quatro anos, frequentador e palestrante da Campus Party.  

Durante a 10ª edição do evento, ele subiu ao palco para falar sobre o conflito de gerações.

Para Schneider, existem dois extremos. De um lado estão pessoas mais maduras, mas desatualizadas. Para essas pessoas, ele até cunhou um novo termo: digiriatria, uma mistura das palavras digital e geriatria.

De outro, estão pessoas que dominam as novas tecnologias, mas com um déficit de formação e de bagagem cultural.

De acordo com Schneider, os problemas são maiores e mais complexos para os dois lados, uma vez que os conflitos estão mais relacionados a comportamento do que à domínio da tecnologia.

Os mais maduros costumam resistir às mudanças, enquanto os mais novos não valorizam a experiência e o passado. Ele acredita que é preciso existir mais “jovens velhos” e “velhos jovens” -ou seja, pessoas que misturem o melhor dessas duas gerações.

 

DADO SCHNEIDER EM PALESTRA NA CAMPUS PARTY NESTA QUARTA-FEIRA (01/02)

 

NEGÓCIOS

Esse conflito geracional também se reflete nas empresas. Para Schneider, os negócios tradicionais precisam se modificar para atrair funcionários mais jovens, uma vez que eles não são mais seduzidos pelas mesmas promessas que os antecessores.

Ele afirma que empresas com estruturas rígidas, que não se adaptarem, irão acabar com um quadro de funcionários com idade avançada e com baixo índice de inovação.

“Em pouco tempo, não seremos mais apegados a marcas e a empregos”, disse Schneider. “As empresas precisam se adaptar para atrair essas novas gerações.”

O oposto também é válido. Startups também podem se beneficiar com a experiência e a maturidade dos mais velhos.

CONSUMIDORES

Os clientes também não são mais atraídos pelas mesmas ofertas. Para as gerações anteriores, qualidade e preço eram fatores essenciais.

Nestes tempos, as empresas devem ir além para conquistar novos consumidores. Velocidade, disponibilidade e inovação se tornaram fundamentais para negócios de todos os setores.

A forma de alcançar esses consumidores também mudou drasticamente. No passado, as pessoas conheciam as marcas quando caminhavam na rua ou quando assistiam à televisão.

As  gerações atuais têm o primeiro contato com os produtos por meio da internet, das redes sociais ou dos marketplaces.

As empresas precisam saber ler essas mudanças e as próximas que estão a caminho e, rapidamente, se adaptar a elas. Com relação a isso, Schneider é categórico: “ou muda ou dança”. 

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