São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

/ Tecnologia

À sombra da Apple
Imprimir

Samsung, Microsoft e BlackBerry disputam as migalhas deixadas pelo iPhone - que domina 93% do lucro no mercado de smartphones

Telefones grandes, pequenos, baratos, caros, curvados – tudo na tentativa de roubar uma fatia do mercado do iPhone.
Boa parte dos maiores fabricantes de smartphones do mundo utilizou a enorme feira do setor realizada em Barcelona – o Congresso Mundial de Aparelhos Móveis – para atrair clientes do mundo todo.

Mas apesar da falta óbvia da Apple, o iPhone era o alvo de todas as novidades. E ele parece ser invencível. Há pouco mais de um mês, em um padrão aparentemente inevitável, a Apple registrou outro recorde de vendas do iPhone, incluindo um aumento de 83% nas vendas na China, em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com um relatório da Canaccord Genuity, uma empresa de investimento, a Apple fica com até 93% por cento de todo o lucro no setor de celulares.

Então, o que resta para os concorrentes? Brigar pelas migalhas.

"Eles são os donos do bairro e têm margens de lucro astronômicas em um momento em que a maioria dos outros fabricantes lutam para não levar prejuízo. A margem é tão pequena para o resto do mercado, que a concorrência só aumenta", afirmou Ben Wood, analista de aparelhos móveis e wireless da CCS Insight, referindo-se à Apple.

Essa dinâmica era óbvia no evento, onde os fabricantes adotavam diferentes estratégias para se separar do grupo na busca pelo segundo lugar.

SAMSUNG: A MAIOR CONCORRENTE

A Samsung recorreu a seu aparelho mais parecido com o iPhone. Os novos modelos da empresa, o Galaxy S6 e o Galaxy S6 Edge, são feitos de vidro, com telas de altíssima definição, processadores velozes e um foco nas câmeras, na tecnologia de impressões digitais e nos sistemas de pagamento via celular.

Os telefones têm um acabamento melhor e mais luxuoso que o dos modelos anteriores do Galaxy. A estratégia, de acordo com Jan Dawson, analista chefe da Jackdaws Research, pode ajudar a aumentar novamente a venda de smartphones Samsung, que havia caído nos últimos tempos.

"A Samsung vendia bem para o mercado varejista até agora, mas o desafio era cobrar preços similares ao do iPhone por aparelhos que estavam longe de ser especiais ou diferentes ", afirmou Dawson.

Porém, até mesmo a Samsung parece admitir que isso não será o bastante.

Assim como muitas outras empresas presentes na feira, a Samsung tentou mostrar que seus aparelhos seriam os melhores para as empresas. Ela promoveu um serviço conhecido como Knox, que é basicamente um aplicativo que permite que outros aplicativos e serviços de trabalho fiquem separados das informações pessoais no mesmo telefone, sugerindo mais de uma vez que esse seria o telefone predileto dos gerentes de TI.

Porém, mais uma vez a Samsung está se aventurando em uma das áreas de especialidade da Apple.
"A Apple já conta com uma fatia considerável desse setor", afirmou Wood.

Em fevereiro, o Mobility Index Report (Relatório de Índice de Mobilidade), da Good Technology, uma empresa de gestão de aparelhos móveis, relatou mais iPhones novos estavam sendo ativados pelas empresas nos últimos três meses de 2014, se comparados a aparelhos Android.

Além disso, a Apple busca garantir uma fatia ainda maior do mercado executivo, anunciando em dezembro um acordo com a IBM para criar aplicativos e serviços on-line mais apropriados para o local de trabalho.

Dan Bieler, analista de empreendimentos e futuros na Forrester Research, afirmou que as empresas esperavam que o mercado executivo pudesse compensar a queda nas vendas no varejo, já que mesmo que as empresas não ganhem tanto com a venda de cada aparelho, o número total de aparelhos vendidos é impressionante.
 

GALAXY S6: A APOSTA DA SAMSUNG PARA COMPETIR COM O iPHONE / FOTO: DIVULGAÇÃO

Os analistas afirmam que o iPhone é caro demais para que as empresas o ofereçam a todos os funcionários. Naturalmente, isso significa que os clientes executivos ficarão chocados com o preço do Galaxy S6, da Samsung, que custa basicamente o mesmo.
O mesmo vale para o novo HTC One. Mas outra gigante está começando a ganhar espaço no setor: a Microsoft.


MICROSOFT: EM BUSCA DE SEU MERCADO

"Esse é um setor em que, curiosamente, a Microsoft tem uma enorme oportunidade", afirmou Wood. Ele afirmou que inúmeros CIOs "dizem que podem comprar três ou quatro ótimos telefones de nível baixo ou médio com sistema operacional Windows pelo preço de um iPhone".

Com essa finalidade, a Microsoft acaba de apresentar dois telefones de baixo custo da linha Lumia no Congresso Mundial de Aparelhos Móveis, e o vice-presidente executivo do setor de aparelhos móveis da Microsoft, Stephen Elop, afirmou em uma entrevista que as empresas estavam na mira da Microsoft.

"Queremos ter um telefone comercial, perfeitamente conectado com a infraestrutura Microsoft. Ela é muito boa na segurança e nos centros de dados e as empresas criaram aplicativos sob medida dentro do sistema Windows, o que significa que elas não querem jogar dinheiro fora com o iPhone 6 ou o Samsung", afirmou Elop.

A estratégia dos modelos de baixo custo, afirmou, "faz parte dos nossos planos".

LEIA MAIS: Smartphone não precisa ser caro para ser bom

Naturalmente, qualquer venda de smartphones é boa para a Microsoft. A empresa conta com menos de três por cento do mercado global de smartphones. Mas o preço baixo é um argumento convincente.

A ESTRATÉGIA DAS MENORES 

Outras empresas oferecem alternativas mais específicas para os consumidores executivos. A Blackphone e a empresa de privacidade em telecomunicações Silent Circle anunciaram o novo exemplar de seu modelo privado.

BLACKPHONE2: SMARTPHONE QUE PRIVILEGIA A PRIVACIDADE DO USUÁRIO / FOTO: DIVULGAÇÃO

As empresas afirmam que cerca de 70 por cento dos aparelhos vendidos são comprados pro outras empresas. Mas no caso do Blackphone 2, que custará em tornou de 649 dólares – basicamente o mesmo de um iPhone, mas sem tantas frescuras –, as empresas têm de levar a privacidade muito a sério.

Ainda assim, outras fabricantes de aparelhos voltados para o mercado executivo esperam vender tanto telefones quanto serviços. A BlackBerry, que apresentou o BlackBerry Classic no ano passado, mostrou um BlackBerry Leap, um aparelho de baixo custo com tela touchscreen no Congresso Mundial de Aparelhos Móveis.

Depois de despencar para apenas 0,4 por cento do market share em 2014, de acordo com o IDC, a BlackBerry também quer se converter em uma empresa de software e serviços, apresentando recentemente uma série de aplicativos e serviços que poderão ser baixados para iOS, Android e Windows até o fim de 2015.

Os fabricantes de telefone também estão de olho em mercados que não param de crescer, como a China e a Índia. Porém, também na China, a Apple está em uma ótima posição, a ponto de ultrapassar a concorrente Xiaomi em termos de fatia do mercado, de acordo com alguns relatórios.

Enquanto isso, as vendas da Samsung nesses países foram detonadas pela Xiaomi, a Lenovo e a Huawei. (A Huawei, fabricante chinesa de celulares, apresentou um telefone chamado Honor 6 no Congresso Mundial de Aparelhos Móveis, ao lado de um smartwatch muito bem recebido.)

E assim que as pessoas passam a comprar iPhones, a chance de que voltem para outra marca é menor. Os smartphones sempre fidelizaram os consumidores com seus ecossistemas, mas os serviços oferecidos pela Apple nunca foram tão abrangentes, indo de música a compra de aplicativos, armazenamento de itens digitais preciosos na nuvem, como fotos, além da possibilidade de controlar a casa ou o carro pelo celular.

Nada disso quer dizer que o iPhone estará sempre em rota ascendente. O hardware vem se tornando cada vez menos importante, e os serviços cada vez mais relevantes, o que significa que a Apple precisa melhorar os serviços de mapas e mensagens – além de outros mais complicados, como o HealthKit e o HomeKit, que servem de base para registrar dados de saúde e bem estar e se conectar com aparelhos domésticos inteligentes.

Mas aqui em Barcelona, a sombra da Apple estava em toda a parte. Para todos os efeitos, a empresa é uma poderosa máquina de ganhar dinheiro e, além disso tudo, os aparelhos e a marca são adorados. Esse é um desafio e tanto para qualquer um.
"As outras empresas observam embasbacadas", afirmou Wood.

Veja a galeria de fotos dos celulares que foram lançados no Congresso Mundial de Aparelho Móveis: 



Smartphones e eletroportáteis foram alguns dos itens mais procurados. Crescimento atingiu 5,8% ante igual mês de 2015, de acordo com o Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)

comentários

Venda de computadores no terceiro trimestre recuou 35% na comparação com igual período de 2015

comentários

Levantamento preliminar da consultoria IDC mostra que, após seis trimestres de queda, as vendas de aparelhos cresceram 3,3% no período entre julho e setembro

comentários