São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Sustentabilidade

Uma academia para quem vai além do culto ao físico
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Com cuidados socioambientais, os sócios Antônio e Eduardo Gandra fazem a Ecofit se diferenciar da concorrência há 10 anos

Dar desconto para quem economiza na conta de água não é uma medida exclusiva da Sabesp, em São Paulo. A academia Ecofit estendeu a ideia para a mensalidade dos seus alunos em uma iniciativa criativa que une marketing à educação ambiental.

Mas essa não é uma iniciativa isolada da empresa. Aberto há 10 anos pelos irmãos Antônio e Eduardo Gandra, o empreendimento fez da redução no consumo de água o carro-chefe dos cuidados socioambientais que adota. A economia obtida com o controle de água, energia e destinação correta do lixo virou diferencial competitivo e preço 20% menor que os R$ 300 cobrados pelas concorrentes da região.

Academias de ginástica são um sucesso no Brasil. O país está a caminho de se tornar o primeiro mercado do mundo – se mantiver o ritmo de crescimento dos últimos três anos. Eram aproximadamente 22 mil estabelecimentos em 2013, de acordo com levantamento do Sebrae.

 

ACADEMIA VERDE ECONOMIZA ÁGUA, LUZ E LIXO

 

Quando entraram neste segmento, há 10 anos, os irmãos Gandra estavam motivados por graves questões de saúde enfrentadas pelos pais. Problemas esses que poderiam ter sido evitados se praticassem alguma atividade física em um ambiente que acolhesse clientes de todas as idades.

Pensar em saúde e bem estar, segundo Antônio Gandra, remeteu à ideia de criar uma academia em que os requisitos fossem além de aparelhos de última geração e música empolgante. “Ao desenvolver a Ecofit, nos concentramos em alguns pontos: usar os princípios de construção sustentável que estivessem ao nosso alcance; valorizar o aspecto educativo, para que pudéssemos influenciar as pessoas a mudar hábitos; e adotar cuidados socioambientais no dia a dia.”

 

ANTÔNIO GANDRA, DA ECOFIT

 

CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

Acostumados a lidar com o negócio da família – um supermercado localizado há mais de 30 anos no Tatuapé – os sócios planejaram todas as etapas. Quem deu forma às suas ideias para a Ecofit foi a arquiteta Patrícia Totaro, especialista em arquitetura esportiva e conhecida pelo uso de procedimentos sustentáveis em suas obras. Os cuidados ambientais básicos com água, energia e lixo foram previstos no projeto e incorporados depois à gestão.

O projeto privilegiou aspectos que gerassem o menor impacto ambiental possível durante a obra e no funcionamento. A montagem utilizou estrutura de aço, que possibilita um canteiro de obra mais organizado e menos uso de materiais. Pisos, painéis e móveis foram feitos de madeira certificada e de demolição. O projeto hidráulico previu o aproveitamento de águas pluviais, entre outros pontos. O sistema de amplas aberturas e ventilação cruzada favoreceu a economia de energia.

Instalada no bairro Alto de Pinheiros, em São Paulo, em uma área de 8 mil m², a Ecofit é freqüentada hoje por mais de 2,5 mil clientes, entre eles cerca de 600 crianças e 200 idosos. O sucesso do modelo imaginado pelos dois irmãos pode ser medido pela replicação do projeto em uma nova unidade no bairro da Aclimação, prevista para o final de 2015.

ÁGUA LUCRATIVA

Nas academias, a água representa o insumo com maior peso na conta de despesas e mereceu atenção redobrada no planejamento da Ecofit. A lista de cuidados resultou em uma economia de mais de 20% e inclui:

Em algumas medidas, a mudança foi feita gradualmente, diz Antônio, para dar tempo para os alunos se acostumarem e poderem comparar a diferença de gasto de água. “Optamos por instalar a válvula em metade dos chuveiros e explicar aos alunos os impactos ambientais que cada um representava”, explica.

LUZ E BRISA

A solução encontrada pela arquiteta para diminuir o consumo de energia elétrica foi substituir paredes por grandes janelas e mezaninos. Essa solução possibilita a passagem de luz e favorece a ventilação, o que resulta em menor uso de iluminação artificial e do ar-condicionado. Para bloquear o excesso de sol nas varandas e diminuir a sensação de calor, o projeto de paisagismo previu o uso de plantas em vários ambientes.

A piscina, grande consumidora de energia, ganhou um sistema de placas de energia solar que garante 50% do aquecimento da água. No total, de acordo com Antônio, estas medidas trazem uma economia de mais de 30% na conta de luz. Parte da eletricidade consumida pela piscina vai para a limpeza e o tratamento da água - a purificação por ozônio evita o uso excessivo do cloro, nocivo à saúde e ao meio ambiente.

MENOS LIXO

O sistema de coleta seletiva organiza o lixo produzido por alunos e funcionários. Plástico, isopor e vidro são separados e encaminhados à coleta. O lixo orgânico alimenta um minhocário e a composteira e o adubo resultante fortalece as plantas da academia.

Trimestralmente, uma empresa especializada em descontaminação de lâmpadas fluorescentes, a Naturalis Brasil, recolhe para reciclagem as lâmpadas da Ecofit. E também da vizinhança, depositadas no ponto de descarte oferecido como cortesia pela academia.

Acompanhar as iniciativas do pessoal da Ecofit fez a a nutricionista Milene Rackerik, aluna há seis anos, mudar sua visão sobre o lixo reciclado: “Acabei sendo influenciada pelo ambiente da academia, pelos informativos, pelos professores que sabem nos informar sobre o assunto e pelas campanhas sobre sustentabilidade, como a que dá desconto na mensalidade a quem apresenta economia em suas duas últimas contas de água.”

Os sócios ainda não conseguiram mensurar quantas pessoas são atraídas para a academia pelos cuidados ambientais. Mas, de acordo com Antônio Gandra, há uma percepção sobre o aumento de consciência dos alunos e funcionários sobre o uso da água e o destino do lixo.

Para a contratação e retenção dos funcionários, esta consciência se tornou fator de adesão. “Sei que uma pessoa não se enquadra na Ecofit quando percebemos que desperdiça água, não se preocupa com o lixo ou trata de forma indiferente os clientes e a equipe”, explica.

Mensalmente, os funcionários participam de reuniões, nas quais são discutidas questões como o tratamento aos clientes e práticas sustentáveis. Para Rose Alves, professora de dança e ginástica da academia há seis anos, “as reuniões, além de informar e integrar a equipe, ainda permitem que eu exponha a minha opinião sobre algum problema ou sugestão”.

 

 



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    Bianka Saccoman
    Jornalista