São Paulo, 11 de Dezembro de 2016

/ Sustentabilidade

Práticas sustentáveis trazem lucro de melhor qualidade
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Pesquisadores analisam 190 estudos internacionais para medir a influência da responsabilidade social, gestão ambiental e boa governança sobre o desempenho financeiro das empresas

Como demonstrar os benefícios econômicos da  sustentabilidade? Mesmo sabendo que  72% das empresas listadas no índice acionário americano S&P 500 divulgam relatórios de sustentabilidade, esta questão continua a ser uma incógnita para as empresas. Um grupo de pesquisadores na Inglaterra encarou o desafio de procurar a resposta. No relatório inglês From Stockholders to Stakeholders (de acionistas a parte interessada), um trabalho conjunto da Universidade Oxford e da consultoria Arabesque Partners, deram um meticuloso mergulho em 190 estudos sobre o tema em todo o mundo para responder ao dilema do fator econômico, vivido pelas empresas que têm políticas e práticas de gestão em relação aos stakeholders

A boa notícia, encontrada em uma das fontes, é que 81% dos presidentes demonstram conhecimento sobre a importância do tema para o desempenho de longo prazo de suas companhias. A má notícia é que apenas um terço consegue colocar em prática um sistema para ouvir e atender seus públicos de interesse; a maioria sucumbe à pressão por resultados de curto prazo. Trata-se da dicotomia entre consciência e execução que ainda barra a expansão da sustentabilidade no mundo dos negócios. 

As principais conclusões mostram que sustentabilidade e desempenho financeiro andam juntos. As companhias mais alinhadas com seus públicos estratégicos (como funcionários, clientes, acionistas, fornecedores, comunidades) e capazes de integrar a sustentabilidade às decisões de investimento demonstram mais capacidade de alcançar resultados financeiros consistentes e duradouros.

Ao selecionar empresas para estudo de caso, de acordo com o relatório, “constataram que as mais bem sucedidas em construir vantagens competitivas a partir das iniciativas de sustentabilidade têm clareza sobre as responsabilidades da alta gestão, sobre a mensuração e prazos das metas, mantêm uma estrutura de incentivos para os funcionários inovarem e auditores externos para avaliar seu progresso”.  

Nessas análises, os pesquisadores procuraram dimensionar os efeitos exercidos por três campos essenciais para o desempenho corporativo – riscos, performance e reputação - e os impactos financeiros que tiveram sobre o desempenho das empresas. Na abordagem dos riscos, chegaram a contas estratosféricas sobre as perdas das companhias quando negligenciaram as questões socioambientais e de governança na gestão. O estudo examina especialmente os casos de empresas dos setores financeiro (entre as quais o JP Morgan), farmacêutico (GlaxoSmithKline) e tecnológico (Siemens) envolvidas em escândalos de deturpação de dados para investidores, negligência em pesquisas científicas e corrupção.

Na questão do desempenho, contrapõe a ineficiência, demonstrada pelo desperdício de recursos e pela poluição, à busca de inovação em processos e produtos, vetor fundamental para a rentabilidade. Empresas como a Coca-Cola, Phillips e Mark & Spencer são citadas como exemplos de melhora do lucro e criação de valor por força de programas de sustentabilidade com visão de longo prazo. Do lado negativo, o exemplo estudado – a companhia British Petroleum e o acidente no Golfo do México em 2010 - dispensa maiores explicações. Desde então, suas ações perderam 60% de valor e os prejuízos são avaliados em US$ 42 bilhões.


QG da Coca-Cola em Atlanta: citada entre os exemplos positivos do estudo

Em relação à reputação corporativa, o estudo leva em conta a gestão correta do capital humano e a transparência da cadeia de fornecedores como fatores essenciais para a imagem da empresa e a decorrente satisfação de consumidores e acionistas. Entre os casos negativos apontados, está a reação pública contra as condições de trabalho na indústria de confecção da Tailândia e Bangladesh, fornecedora de inúmeras grifes internacionais 

Ao aprofundar a análise do impacto da gestão sustentável em relação a custo do capital, performance operacional e preço das ações, o relatório Arabesque/Oxford encontrou correlação positiva nos seguintes aspectos: 

*90% dos estudos sobre custo de capital mostram que este item é mais reduzido para quem adota a sustentabilidade na gestão

*88% dos estudos demonstram que práticas sustentáveis sólidas resultam em melhor performance operational

*80% dos estudos confirmam que o valor das ações é influenciado positivamente por boas práticas de sustentbilidade

Embora as conclusões do relatório consigam chegar a bom termo no objetivo de demonstrar os benefícios econômicos da sustentabilidade nos negócios, seus autores são enfáticos em recomendar: “é imperativo que a inserção das práticas responsáveis na estratégia corporativa esteja amparada na performance do negócio”. Como exortação final, eles recomendam que as empresas troquem a pergunta "quanto terei de lucro" por "quanto terei de lucro sustentável". Elas terão  melhores resultados, acreditam.  



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