São Paulo, 24 de Fevereiro de 2017

/ Sustentabilidade

Futuro da região industrial do Tamanduateí será decidido até junho
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Projeto prevê novos investimentos urbanos para a recuperação de áreas degradadas ao longo do rio

Há na capital paulista várias áreas à espera de grandes transformações urbanas. É o caso de alguns bairros das zonas leste e sul, sob a administração das subprefeituras de Vila Prudente, Sé, Mooca e Ipiranga. Fazem parte do chamado Arco Tamanduateí. O plano agora é formar uma região compacta, com oferta de empregos e moradia e revitalização de pontos subutilizados.

Mobilidade, drenagem, áreas verdes, equipamentos e habitação. São esses os itens que o projeto Arco Tamanduateí, antiga Operação Urbana Mooca - Vila Carioca, pretende implantar em trechos degradados de oito bairros localizados ao longo do rio Tamanduateí - Mooca, Parque da Mooca, Cambuci, Ipiranga, Vila Carioca, Vila Prudente, Vila Zelina e Henry Ford.

O objetivo é transformar um perímetro de 6 milhões de metros quadrados e facilitar a vida de quase 1 milhão de pessoas que vão e voltam todos os dias, dessas regiões para áreas centrais. A expectativa é a seguinte: aumentar a oferta de postos de trabalho na região periférica e diminuir a distância dos quilômetros percorridos diariamente. 

Vivem na área delimitada 139.648 paulistanos. Ali trabalham 223.522 pessoas. A intenção é aumentar o número de moradores para 251.873, construindo 83.958 novas moradias, e aumentar as vagas de trabalho para 324.127, por meio de parcerias e incentivos com empresas. Para ajudar no escoamento das águas das chuvas serão criadas valas de infiltração, além de mudanças viárias para melhorar a mobilidade urbana da área.

Também está prevista a construção de 8 novas UBS (Unidades Básicas de Saúde), 4 AMAs (Atendimentos Médicos Ambulatoriais) com cerca de 1.200 leitos hospitalares, triplicar o metro quadrado de áreas verdes, entregar 98,5 quilômetros de ciclovias, e construir 52 creches e 38 unidades escolares de ensinos infantil, fundamental e médio.

Em discussão desde maio do ano passado, o projeto foi submetido a audiências públicas e atualmente, seu estudo urbanístico está em fase de discussão, para que o documento seja finalizado e entregue à Câmara Municipal para a criação da Lei que viabilizará a implantação da Operação, ainda neste semestre.

De acordo com Caroline Bertoldi, arquiteta do escritório Vigliecca & Associados, responsável pelo projeto, os alagamentos são as principais urgências da região delimitada pelo Arco.

Apesar de todas as dificuldades que envolvem o projeto, Caroline acredita que a variedade de problemas sob um mesmo território deve ser vista como uma oportunidade para a prática de novas experiências. “A premissa se torna desenvolver ações que possam otimizar recursos e potencializar os resultados, trazendo ganhos para a população da região e também para a cidade”, diz.

Para a arquiteta, a localização estratégica dos bairros que compõem a Operação é o maior atrativo da região, que oferece conexões regionais, com transporte de média e alta capacidade, além das novas linhas de metrô previstas.

Antigos galpões da rua Borges de Figueiredo, na Mooca/Foto: Eduardo Nicolau/AE

Caroline afirma também que o conjunto histórico inserido nessas áreas será preservado. Com alguns edifícios tombados e outros à espera de avaliação, os galpões industriais deverão ser recuperados, preservados e inseridos nas novas funções que a cidade apresenta em seu processo natural de transformação.

“Transformar não significa destruir, mas sim dar novos usos ao que está subutilizado. O projeto propõe a requalificação das zonas industriais por meio da inserção de novas possibilidades produtivas, de residências, comércio e serviços conjugados com a preservação e valorização de sua história, reforçando a sua identidade”, diz.

Imagem 1: Avenida Presidente Wilson, na Mooca/ Imagem 2: Perspectiva do projeto para o local/ Fotos: Divulgação Vigliecca & Associados 

Para Antonio Carlos Pela, coordenador do CPU (Conselho de Política Urbana) da ACSP e vice-presidente da ACSP, qualquer movimento que sinalize uma recuperação região no entorno do rio Tamanduateí é positiva.  

Julio César Olivieri, conselheiro da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), acompanha a discussão do Arco Tamanduateí desde os seus primeiros esboços. Para ele, a ideia de estruturar uma região já consolidada e com fácil acesso a ônibus e metrô é muito interessante, porém terá de ser repensada.

“Não podemos ficar nas mãos do mercado imobiliário. O arco é um projeto para a cidade se desenvolver, no entanto, é necessária a existência de outros projetos atrelados a ele, como a Lei de Zoneamento. É preciso pensar de forma regional e uniforme”, diz.

Sem verba, a Prefeitura quer viabilizar o projeto por meio de Cepac (Certificados de Potencial Adicional de Construção). Trata-se de uma autorização concedida pela Prefeitura, e paga pelo proprietário do terreno para construir além do limite permitido dentro do perímetro de uma Operação.

De acordo com a Prefeitura, a implantação do programa terá potencial para render R$ 5,2 bilhões ao caixa do Município. A previsão de duração, entre o início e o término da operação na região, é de 30 anos.


 



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