São Paulo, 11 de Dezembro de 2016

/ Sustentabilidade

Fundo lucra com investimento social
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Empresa de investimento americana aposta em companhias que, além de lucrar, querem causar impacto social. Três delas já abriram capital na Nasdaq

Em 2007, quando Lyndon e Peter Rive, levantaram dinheiro para sua empresa de energia solar, a SolarCity, chamaram somente um investidor externo. Não era a Andreessen Horowitz, a Sequoia Capital, ou nenhuma dessas famosas empresas de capital de risco do Vale do Silício, mas um fundo de US$ 75 milhões gerenciado pelo JPMorgan Chase.

Nancy Pfund, diretora desse fundo, não é um nome conhecido no mundo dos negócios. Contudo, ao longo da última década, ela construiu em silêncio a reputação de investir em empresas interessadas em causar impacto social. O histórico de Nancy é a prova de que o investimento com um propósito maior pode fazer bem aos negócios. Cinco das 18 empresas de seu fundo, criado em 2004, abriram capital, incluindo a SolarCity e a Tesla Motors, empresa que desenvolve veículos elétricos. 

Em 2008, Nancy fundou sua própria empresa de capital de risco, a DBL Investors, em São Francisco. O nome vem da sigla em inglês para "double bottom line" (lucro financeiro duplo), noção segundo a qual uma empresa tem dois objetivos: o primeiro ganhar dinheiro e o segundo fazer a diferença para as a sociedade. "Nós sempre começamos pelo primeiro objetivo. Se uma empresa não é bem-sucedida, não haverá impacto social", disse Nancy.

Muitas das empresas da carteira da DBL Investors têm um impacto social óbvio, tais como energia limpa ou produtos sustentáveis, mas o universo de investimentos potenciais é muito mais amplo do que isso. "Parte da nossa missão é mostrar que as empresas podem ter um impacto profundo independentemente da área de atuação", garantiu Nancy.

Nancy e sua sócia Cynthia Ringo, ex-executiva de telecomunicações e diretora-geral da VantagePoint Ventures, enxergam o investimento no estágio inicial  como uma oportunidade para tornar a responsabilidade social um elemento central da cultura da empresa. "A questão não é fazer um evento de caridade. As preocupações sociais devem fazer parte de como a empresa atua", declarou Cynthia.

Um exemplo é a Revolution Foods, empresa com sede em Oakland que prepara refeições e lanches saudáveis para distribuir em duas mil lojas. A empresa fatura US$ 100 milhões anuais e emprega mais de mil pessoas, muitas em áreas de baixa renda. Kristin Groos Richmond, fundadora e CEO da companhia, atribui a Nancy a ajuda para ajustar o modelo de negócios e a conhecer outros investidores.


Nancy Pfund, fundadora da DBL Investors, fundo que investe em empresas que causam impactos sociais

Uma cláusula do investimento estabelece que as empresas que trabalham com a DBL devem identificar as metas de impacto social e relatá-las duas vezes por ano. A maioria das empresas provoca impactos em diversas áreas. Ao mesmo tempo em que a SolarCity ajuda a levar energia solar às casas e empresas, por exemplo, ela emprega mais de 7.500 pessoas, incluindo centenas de veteranos, muitos que moram em regiões onde empregos não são fáceis de achar.

O empreendedor Elon Musk, envolvido com a estruturação de empresas como a Paypal, SpaceX e Tesla Motors, acredita que o foco no impacto social ajuda esses negócios a lucrarem. "Quando uma empresa trabalha num produto ou serviço verdadeiramente útil para a sociedade, isso aumenta a probabilidade de um bom retorno financeiro", ele afirmou. No mínimo, isso ajuda a recrutar e manter funcionários. "Pessoas inteligentes e talentosas têm muitas opções, e é importante que possam unir duas coisas: ganhar dinheiro e ter um impacto positivo na sociedade", afirmou Musk.

Os investidores parecem começar a concordar que fazer o bem e lucrar não são coisas que se excluem. Quando Nancy formou seu primeiro fundo, os investidores eram principalmente bancos que precisavam investir em áreas de baixa renda por causa da legislação norte-americana. Hoje, entre os sócios cotistas do segundo fundo existem pensões, instituições e empresas familiares. "Estamos vendo muito interesse de fora de nosso grupo de ativos", declarou Nancy, que dá aula sobre investimento de impacto na Stanford Business School.

Recentemente, Nancy e Cynthia foram procuradas por mais empreendedores que querem incorporar um segundo – ou terceiro ou quarto – objetivo ao modelo de negócios e que necessitam de orientação. "Somos musas do impacto, por assim dizer. Nós os ajudamos a expressar ideias e a implantá-las", explicou Nancy.


Sarah Max / The New York Times.

 



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