São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Sustentabilidade

É possível (e necessário) transformar o lixo em fonte de lucratividade
Imprimir

“A única maneira de traduzir o conceito de sustentabilidade ao empresariado é mostrar como será paga esta conta”, diz especialista em seminário na Associação Comercial de São Paulo

Uma das causas do processo de desindustrialização no Brasil é o desperdício de recursos relacionados a problemas ambientais. A saída está em aproveitar o potencial de riqueza existente no lixo descartado pelas empresas para criar uma nova fonte de lucratividade.

Essa a tese exposta em palestra no seminário Exportar para Crescer – Caminhos da Sustentabilidade, pelo professor Alcides Lopes Leão, do Departamento de Recursos Naturais da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp e especialista em destinação de resíduos. O seminário é uma iniciativa da ACSP-Associação Comercial de São Paulo.

Também consultor da ONU, o professor apresentou os principais aspectos em discussão no mundo hoje sobre a migração da economia para uma produção mais limpa e ao mesmo tempo mais competitiva.

 “A única maneira de traduzirmos o conceito global de sustentabilidade para o nosso empresariado é mostrar como será paga esta conta”, disse. Ele lembrou que ações de gestão ambiental, antes adotadas por decisão voluntária pelas empresas, passaram a ser mandatórias no mercado internacional, com influência crescente sobre as empresas que atuam ou têm planos de crescer no exterior.

As vantagens das empresas que adotam políticas ambientais para lidar com os riscos e problemas causados por suas operações, de acordo com o especialista, são registradas em duas pontas. Há, de um lado, um ganho em reputação, acesso a novos mercados e a financiamento, redução de riscos e diminuição de perdas e desperdícios, entre outros fatores. De outro, ganhos monetários na transformação do lixo em matéria-prima.

“Existe tecnologia para tratar qualquer tipo de resíduos e transformá-lo em nova matéria-prima”, explicou. “As empresas que jogam fora seu resíduo estão perdendo muito dinheiro.”

À frente do laboratório de tratamento de resíduos da Unesp de Botucatu, o pesquisador defendeu maior colaboração entre a academia e a indústria como forma de converter o momento difícil enfrentado pelo mercado brasileiro em nova fonte de oportunidades.

 

O professor Leão no seminário da ACSP: lixo em transformação/Foto: Fábio H. Mendes

Leão descreveu as iniciativas em andamento na instituição, algumas em conjunto com a iniciativa privada. Entre elas, o uso de lodo de esgoto como matéria-prima para produção de fibra de celulose a partir da nanotecnologia. “A inovação tem papel fundamental na recuperação da indústria brasileira e quando se fala em inovação trata-se de desenvolvimento sustentável”, disse.

Ao ressaltar a importância da lucratividade para dar sustentabilidade à gestão ambiental, apontou os principais entraves existentes no país para a aceleração destas práticas. Embora a Lei de Resíduos Sólidos constitua um grande avanço, faltou estruturar um modelo de desoneração para a mudança de tecnologia. “A percepção de custo ainda inibe os empresários a adotar a gestão ambiental, especialmente os pequenos empreendimentos.

Sucede, segundo ele, que a falta de conhecimento e tecnologia torna inacessível o tema para a maioria dos municípios do país.” Ele calcula que apenas 20% das prefeituras têm hoje condições de criar políticas públicas para atender a nova legislação.

O ponto crítico para esta transformação, segundo o especialista, está exatamente no pequeno e micro empreendedor, pela inexistência de cuidados ambientais nas operações. Uma das medidas em gestação para facilitar o acesso deste setor do mercado é a criação de uma certificação ISO ambiental específica para pequenos empreendimentos.

 



No país do sol, o setor ganha musculatura para competir pela matriz energética. O Índice Comerc Solar quer ajudar os empreendedores a escolher as melhores cidades para investir

comentários

Instituto C&A, dirigido por Giuliana Ortega (foto), se alinha à líder varejista para incentivar todos os elos da cadeia a tornarem-se mais responsáveis. A tarefa vai exigir muitas alianças

comentários

Em palestra na ACSP, especialista apresentou o novo cenário do segmento, que vem se consolidando nos grandes centros urbanos. Ao fortalecer os canais de venda, os pequenos produtores encontraram o caminho da profissionalização

comentários