São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Opinião

Vá embora, senhora idosa
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O bom senso desmente a versão chapa-branca de que a corrupção é mais visível com o PT porque ele é rigoroso na investigação

Dia após dia, somos bombardeados com novas revelações da Operação Lava Jato. As cifras das maracutaias da Petrobras já passaram dos muitos bilhões de reais, e as investigações começam a enveredar pelo setor de energia elétrica.

Em breve, o “eletrolão” estará com o bloco na rua, desfilando toda sorte de alegorias e adereços desonestos. Tudo plagiado de outros carnavais petistas.

No meio da volúpia geral com os recursos públicos, aparecem duas teorias a respeito do nosso atual momento: 1) “o país foi sempre assim e o grupo governante atual é apenas mais insaciável em sua sanha aos cofres públicos”; 2) “o país sempre foi assim e o grupo governante atual é mais insaciável em sua sanha investigativa. Por isso, tantos escândalos seriam descobertos”.

Esta última, a “hipótese chapa-branca”, é defendia vorazmente pelo PT, por seus acólitos e suas linhas auxiliares. Enquanto aquela, a “hipótese popular”, é a visão da população em geral que, inclusive, tomou as ruas no último dia 15 de março de 2015, na maior manifestação popular da nossa história. Pelo menos até as manifestações do dia 12 de abril.

Os partidários da “hipótese chapa-branca” argumentam que o PT não inventou a corrupção. Fato irrefutável e que não foi questionado por ninguém.

Entretanto, juram de pés juntos que o PT inventou a independência da Polícia Federal, do Ministério Público e dos órgãos de controle em geral.

Devem acreditar, inclusive, que o atual governo, em seu “ímpeto moralizador”, estendeu essa independência aos órgãos investigativos do exterior. Somente assim, os Ministérios Públicos da Holanda e da Suíça, na Europa, além da Securities and Exchange Commission, do Departamento de Justiça e da Prefeitura de Providence, nos Estados Unidos, puderam investigar, processar e até mesmo condenar casos de corrupção da Petrobras.

É muito verossímil imaginar o nosso ministro da Justiça, em uma reunião com os gringos, esmurrando a mesa aos berros: “Investigate everything! From now on, I allow you to do this!”, no melhor estilo Joel Santana de pronunciar.

A “hipótese popular”, por outro lado, representa o senso comum dos achacados. Não demanda premissas imbricadas ou raciocínios tortuosos.

Se nunca antes da história do Brasil houve um escândalo destas proporções, só pode ser porque nunca antes na história do Brasil roubou-se tanto.

Ressalte-se, no entanto, que, ao contrário da última oração, o sujeito da roubalheira não é indeterminado. Nem tampouco é oculto. É por isso que as manifestações do dia 15 de março estavam repletas de faixas contra o PT, contra o Lula e contra a Dilma.

A corrupção não é um pensamento abstrato. É um ato que demanda agentes, os quais, neste caso, respondem a um comando central. E este é o ponto chave. De fato novo no atual assalto ao Estado brasileiro somente a organização e os seus objetivos.

Uma súcia de quadrilheiros, orquestrados pelo Planalto, operou um esquema de proporções inéditas, com o intuito de comprar apoio político e enriquecer. Utilizaram dinheiro público para fraudar a representação popular.

A corrupção foi institucionalizada e transformada em forma de gestão. Com os já estratosféricos 39 ministérios, só faltou inventar o “Ministério do Financiamento Público do Apoio Político”.

A estrutura formal não foi criada, mas a função ficou a cargo da Casa Civil. Pensando bem, nem a estrutura foi inovadora, afinal o “petrolão” é a continuação do “mensalão”. Uma espécie de “bolivarianismo disfarçado”.

A “hipótese chapa-branca” briga com o bom senso. Somos induzidos a pensar que o fato deste governo ter sido o protagonista dos maiores escândalos da nossa história é evidência de probidade.

Assim sendo, quanto mais casos de “mal feitos” forem encontrados, mais sérios o governo e o partido se tornarão!

No limite, quando prenderem todos os petistas, ficará provado que eles deram total autonomia para as investigações. Não se pode negar que o encarceramento de todos os petistas faria um enorme bem ao país..

Petistas alegam ainda, já em desespero, que “ninguém fala mais que existe um engavetador geral da república”, o que é uma obviedade. Quem chamava o antigo procurador de “engavetador” eram os próprios petistas. Como eles pararam de chamar, ninguém mais chama.

O quadro todo é tão risível que nem os “mensaleiros” foram expulsos do partido. O PT afrontou o próprio estatuto, que prevê expulsão de condenados pela justiça, para dar guarida a bandidos sentenciados pela corte suprema da nação.

Como se fosse pouco, organizou “vaquinhas” para pagar as multas impostas à trupe de foras da lei. As investigações atuais já mostraram que parte dos recursos das “vaquinhas” foi desviada da Petrobrás.

Incrível! O “partido que investiga” usou recursos da corrupção para pagar multas de membros condenados pela justiça por corrupção! O Brasil petista está explicado.

Para acrescentar ofensa à injúria, o mesmo partido que está no poder há 13 anos apresenta mais um “pacote anticorrupção”! Só agora, a dona Dilma resolveu, então, apertar as regras contra os larápios do dinheiro público?

Por que o PT não cria um “pacote anticorrupção” interno e expulsa seus próprios ladrões de estimação para tornar este cinismo um pouco mais crível? Em tempo, esse já é o terceiro “pacote anticorrupção” lançado pelo PT.

Tudo isto, as falhas lógicas e factuais, mostra que o povo está certo. A culpa de toda essa pouca vergonha exposta em praça pública é do PT e, principalmente, da sua cúpula. Nesse caso, vox populi vox Dei!

No frigir dos ovos, é evidente que a “hipótese chapa-branca” é somente mais um engodo para enganar desavisados e dar “argumentos” à militância. Tentam, em uma inversão digna do tinhoso, transformar seus vícios em virtudes.

Antes, o PT era, nos dizeres de José Dirceu, o partido que “não rouba e nem deixa roubar”. Hoje, tentam nos convencer de que é o “partido que rouba, mas investiga”.

Mentiam antes e mentem agora. E seguirão mentido. É a moral trotskysta do partido. É o gramscismo na veia. Para o PT, todo dia é um “1º de abril”.

Tudo o que importa é manter o esquema de poder. Como disse o presidente do PT, Rui Falcão, num raro lapso de sinceridade: “É um governo de m(...), mas é o meu governo!”

E o governo se supera na farsa a cada pronunciamento. Querendo nos convencer que o PT não manda no esquema, a ainda presidente Dillma foi à TV há alguns dias - à tarde e de surpresa para não haver outro “panelaço” - dizer que a “corrupção é uma senhora idosa, que não poupa ninguém”.

Faltou esclarecer se estava se referindo à Rosemery Noronha, à Erenice Guerra ou a ela própria.

O povo, no entanto, não tem dúvidas. Toda vez que a presidente aparece na TV, as pessoas empunham suas panelas, como se tambores fossem, e gritam: “vá embora, senhora idosa!” E leve o PT junto.

P.S: No 1º de abril, popularmente conhecido como o “Dia da Mentira”, nada como escrever um artigo em “homenagem” aos petistas.


(Com Reinaldo Bedim, economista)



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