São Paulo, 28 de Março de 2017

/ Opinião

Um risco à democracia
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O MST, sem maior protagonismo nos primeiros anos do governo, foi alçado por Dilma e por Lula a uma condição que o fortalece em seu marxismo bolivariano

No contexto de crise em que vive o país, as articulações dos principais atores políticos terminam ganhando uma dimensão toda especial, particularmente considerando a posição que ocupam, como a da presidente Dilma Rousseff e a do ex-presidente Lula.

Ambos têm dado afagos consistentes ao MST.  A atual presidente visitou um acampamento do “movimento” em Eldorado, no Rio Grande do Sul, poucas semanas após ter recebido suas lideranças femininas, que destruíram um laboratório de pesquisa da Suzano Celulose.

O ex-presidente atiça o mesmo movimento, conclamando o seu líder, José Stédile, a lançar o seu “exército” à rua para defender o atual governo.

Convém analisarmos a natureza do MST. Esse movimento segue a doutrina marxista em sua vertente ideológica da Teologia da Libertação, sendo muito veiculado à esquerda da Igreja Católica, através da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Sua organização interna é fortemente centralizada, sendo de tipo leninista, com um Comitê Central ditando o rumo de suas invasões e ocupações de ruas e estradas.

Seus braços são múltiplos, em uma tentativa de apresentação junto à opinião pública que vele precisamente essa centralização, como se suas invasões fossem espontâneas.

Seu braço urbano é o Movimento dos Sem Teto; seu braço internacional, também atuando nacionalmente, é a Via Campesina; seu braço feminino é o Movimento das Mulheres Camponesas; seu braço na área de energia é o Movimento dos Atingidos pelas Barragens; e o seu braço para a agricultura familiar é o Movimentos dos Pequenos Agricultores.

Há uma coordenação minuciosa desses diferentes braços.

A ideologia dessa organização leninista é a doutrina marxista. Mais especificamente, nas condições atuais da América Latina, segue a vertente bolivariana.

Ainda recentemente, João Pedro Stédile foi dar apoio à repressão de Maduro e à ditadura que está sendo estabelecida nesse país. Na verdade, o seu objetivo consiste no estabelecimento do mesmo regime autoritário, de feitio totalitário, no Brasil.

Seu objetivo consiste na destruição da economia de mercado, do direito de propriedade e do Estado democrático de direito. Seu objetivo não é “social”, como apregoado por eles, mas “político”, voltado para criar condições de uma revolução socialista no país.

Sua relação com o PT é estreita, estando vinculado às tendências mais à esquerda do partido, que seguem a mesma orientação.

O cenário é ainda mais complexo pelo fato destes grupos bolivarianos terem se tornado novamente “interlocutores”, tanto da presidente Dilma quanto do ex-presidente Lula. Estavam relegados a uma posição secundária no governo atual, não tendo exercido nos últimos anos nenhum protagonismo importante.

Voltaram a ser atores na última eleição presidencial e estão, agora, sendo solicitados novamente e, mesmo, apoiados em suas manifestações e invasões. Nenhuma condenação é feita à violência por eles empreendida, enquanto as livres manifestações de rua, como a do dia 15 de março, são “identificadas” a reações da direita que procura derrubar o “governo popular”.

Alguns mais afoitos chegam a atribuir a essas livres manifestações uma tentativa de golpe e, inclusive, uma orquestração da CIA. Há louco para tudo neste partido!

O grande problema reside em que tanto Lula quanto Dilma, ao recorrerem a uma organização leninista e bolivariana deste tipo, e ao se fortalecerem junto a esses grupos mais à esquerda do PT, estão fazendo um jogo extremamente perigoso.

E esse jogo pode fugir do seu controle, na medida em que esses grupos perseguem objetivos “socialistas” próprios, entendendo essas articulações governamentais e partidárias com fortalecendo seus objetivos específicos de “acumulação de forças”.

Se é bem verdade que muito dificilmente conseguirão atingir os seus objetivos improváveis no imediato, podem causar um imenso estrago. Podem conturbar a vida institucional do país e influenciar negativamente a imagem internacional do país, prejudicando investimentos e avaliações internacionais.

Podem fugir totalmente de controle.

 



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