São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Opinião

Um grande blefe
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É um erro acreditar que jornais com preferência partidária podem eleger candidatos a postos majoritários

Depois de fazer minuciosa consulta nos resultados das últimas eleições, o PT chegou à conclusão óbvia de que a imprensa não elege e nem derrota candidatos a cargos executivos, como os de prefeito, governador e presidente da República.

O máximo que a imprensa consegue é colaborar na eleição de alguns poucos candidatos a vereador e deputado; nada além disso.

Na verdade, a imprensa não tem a força que pensa que tem em eleições majoritárias. É um blefe a enganar o partido que ainda acredita que o eventual engajamento de jornalistas na campanha de determinado candidato é suficiente para derrotar o adversário.

Não é; 2014 mostrou isso.

Vamos aos exemplos: em 2002, a imprensa não escondeu sua preferência pela candidatura do senador José Serra à presidência da República contra Lula, mas perdeu a eleição; em 2006, a imprensa não maquiou sua simpatia pela candidatura de outro tucano, Geraldo Alckmin, ainda contra Lula, e também perdeu; em 2010, a imprensa investiu outra vez em Serra contra o primeiro “poste” de Lula, Dilma Rousseff, e voltou a perder; em 2012, a imprensa insistiu em colaborar novamente com Serra, desta vez, contra o segundo “poste” de Lula, Fernando Haddad e também foi derrotada; e, em 2014, a imprensa se expôs mais do que nas eleições anteriores, apoiando ostensivamente a candidatura de Aécio Neves contra a presidente Dilma Rousseff, e deu no que deu.

Em contrapartida, a imprensa favorece quem busca um mandato nas casas legislativas, sobretudo quando os candidatos se exibem na televisão ou fazem campanha subliminar, usando os microfones das emissoras de rádio em que trabalham.

Tiririca, por exemplo, se elegeu deputado com 1 milhão e meio de votos fazendo palhaçadas na TV Record; o jornalista Afanázio Jazadji ancorava um programa policial de grande audiência na rádio Globo e se elegeu deputado com mais de 500 mil votos; Eli Correa pilotava um outro programa de muita audiência na rádio Capital e também elegeu seu filho, - que tem o mesmo nome do pai- deputado; e, Nelo Rodolfo debutou no microfone da rádio Jovem-Pan e conseguiu se eleger vereador, depois de tentar, em vão, na eleição anterior, voltar a ser deputado, mas, desta vez, ele fez campanha sem a ajuda decisiva do microfone.

Ressalte-se, porém, que nenhum desses profissionais de imprensa –e mesmo Tiririca - usou indevidamente a imagem da empresa para fazer sua campanha. Todos tiveram o consentimento de diretores das redações para caitituar os votos dos telespectadores e ouvintes.

Ultimamente, o PT tem feito uma leitura diferente das revistas semanais Época, Veja e Isto É, concluindo que elas decretaram, antecipadamente, a vitória do PSDB na eleição presidencial de 2018, em função da crise política e econômica que agride a estabilidade do País; que jogou o partido de Lula no chão e que pode ferir de morte o PT.

A pergunta que os petistas fazem, com uma pitada de ironia, é: será que desta vez as revistas acertam?

O PT estranha que, faltando mais de três anos para as eleições de outubro de 2018, os “urubus derrotados”, ou “aves de mau agouro”, começassem a “prender” e a” matar” o político Lula, provável candidato à sucessão de Dilma Rousseff, como fizeram na campanha presidencial de Aécio Neves.

O partido reafirma que, nos regimes democráticos, como o Brasil, vence a eleição quem tiver mais votos. Para os petistas, ninguém pode anunciar, com tanta antecedência, a “morte política” de nenhum candidato, sobretudo de quem” é bom de voto”.

 



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