São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Opinião

Tucanos torcem o bico
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Aécio e Serra criticam Alckmin por sua relação amistosa com Dilma. Mas governador precisa dela para resolver o problema da água

Dois presidenciáveis tucanos nas eleições de 2018, senadores Aécio Neves e José Serra, reprovam os seguidos “beija-mão” de Geraldo Alckmin em Dilma Rousseff, pois acham que o governador paulista deveria se comportar como pólo de oposição à presidente, principalmente por representar o Estado que é o maior colégio eleitoral do País.

Alckmin se defende no partido, justificando suas idas a Brasília porque precisa da colaboração do governo federal para realizar obras urgentes no setor de captação e distribuição de água na região metropolitana da Capital, composta por 39 municípios que já sofrem com o ronco das torneiras.

A desaprovação de Serra e Aécio, porém, embute uma outra verdade, a de esconder uma guerra que já começou no PSDB pela conquista da futura legenda presidencial, uma vez que também Alckmin é mais um pretendente tucano que deseja se candidatar à sucessão de Dilma Rousseff.

Ao se encontrar pela terceira vez com a presidente num curto espaço de dias, o governador paulista registra sua preocupação com a ameaça do desgaste político que pode sofrer, assim quer for intensificada a secura nas torneiras
com o já anunciado rodízio no racionamento da água, que pode atingir de quatro a cinco dias na semana.

Alckmin sente na pele a repulsa da população da região metropolitana, a mais ameaçada pelo racionamento, num momento em que ganha corpo a versão de que, nos últimos 20 anos, em que o Estado foi governado pelo PSDB, quase nenhum real teria sido investido em obras importantes para aprimorar o método de captação e distribuição da água do Sistema Cantareira.

Pior para o governador tucano –que está no cargo há cerca de 10 anos- é ouvir a ladainha de que o último governador a investir no Cantareira foi um dos principais adversários do seu partido, Paulo Maluf.

A maratona de Aécio, Serra e Alckmin para conseguir a conquista da legenda do PSDB ganha importância à medida em que os tucanos levam muita fé de que o PT chegará chamuscado em 2018, com a crise da Petrobrás.

Apesar de uma possível desidratação do partido, os petistas não deixam de apostar na pule de Lula, que deve ser novamente candidato ao Palácio do Planalto. O PT não esconde que se sente incomodado com o que chama de “apoio total” da mídia ao PSDB e, usando de ironia ,os petistas dizem que  já funciona na Capital até uma “rádio tucana” instalada fora do Palácio dos Bandeirantes.

Os três tucanos que desejam se candidatar ao Planalto já tentaram se eleger presidente em eleições passadas: José Serra foi derrotado por Lula em 2002 e por Dilma em 2010, enquanto Geraldo Alckmin sentiu o mesmo sabor da derrota em 2006, contra o mesmo Lula.

O tucano que alcançou maior votação foi Aécio Neves - 51 milhões de votos - mas que não foi suficiente para derrotar Dilma Rousseff, que se reelegeu no ano passado com 54 milhões de votos. Os tucanos, no entanto, lembram que Lula disputou e perdeu três eleições antes de se eleger presidente pela primeira vez.

 



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