São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Tu... Cano.....
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O pensamento dominante do PT ofusca a memória militar brasileira e episódios da 2a Guerra com lições para a política atual

Com a aproximação do 70o aniversário do Dia da Vitória (8 de maio) já se anunciam lançamentos de bons filmes sobre o tema, e em breve teremos notícias das expressivas comemorações que marcarão a data. Nos Estados Unidos e na Europa, obviamente.

Por aqui, a História continuará a ser apagada, pois, mais importante do que lembrar a participação do Brasil na vitória contra o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial é negar qualquer reconhecimento aos brasileiros que tiveram atuação decisiva no conflito, em especial Humberto de Alencar Castelo Branco, o cérebro da 1a Divisão de Infantaria Divisionária durante a campanha vitoriosa da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália e depois Presidente da República.

Para a Gleischschlatung (coordenação) petista continuar a alinhar indivíduos e instituições aos objetivos do partido é fundamental controlar a cultura, o pensamento e a lembrança, o que, no caso da memória militar do país, significa apagar não só o conhecimento das razões e antecedentes de 1964, ou o que aconteceu em 1935, mas tudo o que os brasileiros fizeram em defesa da Pátria, nas lutas pela fronteira Sul da Guerra da Cisplatina (1825-1828), na Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) e na Campanha da FEB (setembro de 1944 a abril de 1945).

Ninguém assistiu, e dificilmente vai assistir, qualquer comemoração ou evento acadêmico dignos de nota referentes aos 190, 150 e 70 anos desses acontecimentos que, respectivamente, definiram as fronteiras do Brasil, sua integridade territorial e o seu papel no mundo pós-Segunda Guerra. É assim que se desconstrói uma Pátria para impor-se outra.

Mas o mundo lá fora tem memória, e cada país preserva a sua para ser e merecer o que é. Neste ano, nós brasileiros veremos diversos filmes e leremos bons livros de uma história da qual também fizemos parte, mas que será contada por outros.

A Segunda Guerra Mundial estará em evidência, e alguns de seus principais acontecimentos inspirarão articulistas políticos que gostam de metáforas militares, sendo um deles a Operação Market-Garden (17 a 25 de setembro de 1944), muito útil para ilustrar o desastre político que se arma neste cenário brasileiro de 2015.
  
Cerca de três meses depois do desembarque na Normandia (6 de junho de 1944), com os alemães em retirada, o mais renomado general britânico, Bernard Law Montgomery, convenceu o Comandante Supremo das Forças Aliadas, General norte-americano Dwight David Eisenhower, a realizar uma mirabolante operação militar para terminar a guerra. Tratava-se de lançar 35 mil paraquedistas sobre a Holanda para capturar pontes sucessivas numa única estrada pela qual avançaria celeremente o 30o Corpo de Exército inglês rumo ao objetivo final, Arnhem, com sua ponte sobre o Reno, e ao coração industrial da Alemanha.

O problema era a evidência dos dados e informações que indicavam o fracasso da operação. De comandantes de divisão até oficiais subalternos informados do plano, experimentados combatentes, com uma ideia bem real do poder do inimigo e das dificuldades do terreno, incluídos os “donos do terreno”, os oficiais holandeses que combatiam com os aliados, a sensação era de estarrecimento.

O filme (“Uma Ponte Longe Demais”, 1979) sobre a operação, baseado no livro homônimo de Cornellius Ryan, encena um diálogo entre o general-de-Exército Frederick Browning, comandante do 1o Corpo Aero terrestre Inglês, um defensor do plano, e o general-de-divisão polonês Stanilaw Sosabowski (Gene Hackman), comandante da 1a Brigada Paraquedista polonesa.

Ao ouvir o que estava reservado a seus homens, o polonês se pôs a olhar o seu superior que, estranhando o procedimento do subordinado, perguntou-lhe o que havia. Sosabowski respondeu-lhe: “estou olhando seu uniforme, para me certificar de que estamos do mesmo lado”. A insensatez do tão sensato Montgomery levou a um dos mais famosos fracassos da 2a Guerra Mundial.

O noticiário político da terça-feira (27/1) trouxe a público que os cardeais do PSDB, o principal partido de oposição – o mesmo partido que angariou 51 milhões de votos no mais disputado pleito presidencial da história do país – decidiram desencadear uma operação para conter dissidentes que cogitam “um desembarque em bloco” da candidatura do PSB à presidência da Câmara de Deputados, candidatura que qualquer um minimamente informado sabe não ter a menor chance perante o rolo compressor do PT.

Pior é ler na mesma notícia que um dos sábios do PSDB considera “um absurdo o partido priorizar a derrota do PT ao que é melhor para o país”.

É simplesmente estarrecedor constatar que a liderança do principal partido de oposição, de quem dezenas de milhões de eleitores esperam a vitória política em prol da democracia no Brasil, afirme que derrotar o PT não é o melhor para o País, neste momento em que afloram os dados e as informações do saque perpetrado pelo condomínio do poder e do projeto autoritário que avança de maneira sincronizada nos Três Poderes da República.

Que elevada sabedoria pode se impor ao conhecimento dos políticos que conhecem por amarga experiência própria o que significa a presidência da Câmara de Deputados nas mãos do PT? Que atilado cálculo político pode desprezar os sentimentos de milhões de brasileiros que repudiam o PT no poder e a quem o PSDB pede que não se dispersem?

Enquanto o PT não adota uniformes para seus integrantes (devem estar a caminho disso), o baixo clero do PSDB não precisa conferir se os seus líderes vestem o uniforme do inimigo: basta encará-los e, a exemplo do que os soldados fazem em guerra, sugerir uma senha e contrassenha inconfundíveis para reconhecer o inimigo nessa mirabolante operação do seu partido.

Senha TU (decides...); contrassenha CANO (eu entro pelo...).

 



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