São Paulo, 28 de Maio de 2017

/ Opinião

Tsunami varre o PT
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Entrevista de Marta Suplicy põe o dedo em feridas que o petismo preferia ignorar

Ao detonar o PT na entrevista que concedeu à colunista do Estadão, Eliane Cantanhêde, a senadora Marta Suplicy sabe que criou um nó no partido que dificilmente será desfeito sem deixar uma ferida exposta: ou ela deixa o PT por decisão própria ou pode ter o dissabor de enfrentar inclusive um pedido de expulsão.

No PT, ela não tem mais condições de continuar, sobretudo porque já comentou que será candidata à Prefeitura da Capital no ano que vem, sem qualquer possibilidade, portanto, de conseguir a legenda e o apoio da cúpula petista.

O PT bateu o martelo e já decidiu que seu candidato será Fernando Haddad, que vai tentar a reeleição, apesar de ostentar razoável índice de popularidade no Ibope e no Datafolha.

Marta Suplicy foi dura nas críticas a Dilma Rousseff, ao ministro da Justiça, Aloísio Mercadante e, principalmente, ao presidente do partido, Rui Falcão, a quem xingou de traidor. A senadora carregou no verbo ao defenestrar Mercadante e Falcão, dizendo que ambos traíram Lula, impedindo que o ex-presidente fosse o candidato do PT ao Palácio do Planalto em 2014.

Marta deixou a oposição satisfeita ao dizer que o PT pode acabar e endureceu novamente as críticas responsabilizando a presidente Dilma pelo deslize na condução da política econômica do País e pelo pibinho de pouco mais de 0% no ano passado.

Dilma, Lula, Mercadante e Falcão continuam em silêncio, mas os petistas esperam que a cúpula responda acusação por acusação da senadora, antes de tomar, por exemplo, a decisão extrema de expulsá-la do partido, se for o caso. Por enquanto, apenas o chamado baixo clero do PT decidiu cutucar Marta, dizendo que ela está sem a identidade política verdadeira, porque continua usando o sobrenome do ex-marido Eduardo, de quem se divorciou há muitos anos.

Marta Suplicy está namorando o Partido Solidariedade, recém criado por Paulinho da Força Sindical e flerta ao mesmo tempo também com o PMDB. Como o PMDB deve bancar a candidatura do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, à Prefeitura, é mais provável que a senadora faça a opção pelo Solidariedade ou procure uma outra legenda.

Seja qual for seu destino, porém, dificilmente Marta Suplicy vai encontrar um partido com a mesma força eleitoral do PT, capaz de brigar em igualdade de condições com adversários fortes, como é o caso do PSDB.

 Os últimos levantamentos de opinião indicam que o mais provável é que PT e PSDB voltem a polarizar a campanha de prefeito em 2016. O PMDB surge nas pesquisas como terceira força, porque o PSD de Gilberto Kassab e Guilherme Afif Domingos não deve concorrer à eleição, já que o partido participa da equipe do primeiro escalão do governo de Dilma Rousseff, ocupando dois ministérios importantes.

Uma coisa, finalmente, intriga o PT: Marta Suplicy ainda é lembrada por muitos eleitores da periferia da Capital, apesar de ter deixado a Prefeitura há tanto tempo. É isso que alimenta o otimismo da senadora em ser candidata no ano que vem.

 



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