São Paulo, 25 de Junho de 2017

/ Opinião

Tem receita de bolo pra produtividade? Tem, sim senhor!
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Como fazer sua equipe ser mais produtiva sem reinventar a roda – inovar fica pra depois do arroz-com-feijão, como tudo na vida

Picasso só conseguiu criar um novo momento artístico porque dominava (como poucos) as técnicas da pintura clássica. A Toyota e Honda ocupam-se não de lançar carros novos a cada ano, mas de aperfeiçoar os já existentes e, assim, chegar à excelência –não por acaso estão entre os modelos empresariais de sucesso há décadas e dispensam maiores comentários.

Em tempos que valorizam a velocidade em busca da inovação, perdemos um pouco a noção de valor do simples baseado no concreto: ser mais produtivo passa, primeiro, por comportamentos minúsculos, individuais, pessoais e intransferíveis. 

Primeiro, vamos esclarecer o que é a tão famosa produtividade, presente em artigos econômicos e dados brasileiros infelizes: como termo, é a capacidade de produzir; ato ou efeito de produção, segundo os dicionários. Como conceito, é a relação entre tudo o que foi produzido e os recursos utilizados para fazê-lo (pessoas, dinheiro, máquinas, tempo, espaço etc.).

Nesse sentido, a produtividade, empregada como “qualidade” de uma pessoa, um grupo, uma empresa ou um país, tem a ver com a eficiência em utilizar os recursos para produzir mais e melhor.

Parece simples. E é.

A produtividade de um empregado está relacionada, diretamente, com três fatores:
1.    A competência que ele tem para realizar a tarefa
2.    O processo desenhado para a realização da tarefa
3.    A estrutura disponível para que ele realize a tarefa

Agora ficou fácil. E, se estamos olhando sob a ótica de RH, vamos nos concentrar no primeiro item. Competência, tecnicamente falando, é o conjunto de comportamentos, habilidades e atitudes que uma pessoa aplica em determinada atividade. E o desenvolvimento de cada um desses pilares só se dá com treinamento e orientação constantes.

Pra você, que não tem uma área dedicada ao tema (e pra você, que até tem), vale a pena estudar um pouco o roteiro que batizei de “soluções dentro da caixa”. Lembra do Picasso? Pois é, ninguém vai fazer mágica sem, antes, fazer a roda rodar como deve. Tem receita de bolo:
1.    Organização: de tempo, de tarefas, de papéis, de tudo. O mais clichê dos clichês quando o assunto é produtividade não pode faltar na receita. Caso o empregado não seja naturalmente organizado, ensine-o a fazer listas, anotar prioridades, não perder tempo com e-mails a todo momento. Ensine-o a organizar instrumentos, ferramentas; descreva com ele uma rotina de limpeza (se for uma lanchonete, por exemplo).

2.    Método: as coisas são feitas de forma mais perfeitas quanto mais você as repete de maneira semelhante e com uma ordem lógica. Limpar primeiro a bancada e depois o chão parece óbvio, certo? Mas o óbvio não existe. Ensine sua equipe a ter método – de pensamento e de ação.

3.    Foco: é importante prestar atenção no que se faz, de preferência no momento em que se está fazendo. Soa irônico, mas não é: a nossa vida multi-tudo faz a gente ter a cabeça na lua, principalmente em atividades “mecânicas” e isso aumenta a chance de haver erros ou de levar mais tempo para executar algo simples;

4.    Disciplina: se a sua equipe conseguir desenvolver os três primeiros pontos, o desafio é manter as coisas acontecendo e não perder os detalhes de vista. Parece maluco, mas é só isso. Um excelente serviço é feito de rotinas excelentes. 
Inicialmente, não tem segredo. E nunca vai ter mágica. 

Melhor produtividade é feita de trabalho duro e muita atenção ao que parece pequeno. É claro que tem muito mais a ser aplicado, mas aqui temos um bom começo (que não vai dar resultado do dia pra noite). Logo você estará inovando, acredite!
 

 



O cálculo é do Ministério do Planejamento, que faz uma avaliação positiva do impacto da mudança na correção de uma queda que se acentua desde os anos 80

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Para Kelly Carvalho, economista da FecomercioSP, alta rotatividade, baixa remuneração e pouca capacitação de funcionários e gestores criam gargalos de crescimento e reduz a produtividade do segmento

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Para Charles Duhigg (foto), autor do livro O Poder do Hábito, pensar com profundidade e criar rotinas são cada vez mais importantes para os negócios e a vida na era da informação

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