São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Opinião

Sobre governos e desgovernados
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O ensurdecedor panelaço do último dia 5 foi um recado claríssimo ao PT e sua presidente, mas o Congresso a ele ainda está surdo

Confessamos: não intencionávamos ouvir o pronunciamento do PT do dia 05 de maio. Chegamos ao ponto de somente conseguir ler as opiniões da sigla. A escrita, na frieza do papel, ajuda a suavizar a desfaçatez e o cinismo. E olhe lá!

A verdade é que não temos mais interesse nenhum em saber o que os companheiros querem nos dizer.

Entretanto, ainda que quiséssemos ter prestado atenção nas lorotas marqueteiras papagueadas em horário nobre, não lograríamos êxito.

O barulho foi arrasador e em diversas partes do Brasil. Uma sinfonia de panelas e buzinas tomou conta das ruas. Ninguém mais aceita escutar nada do que diz a organização criminosa com registro partidário chamada PT.

Cidadãos indignados e cansados se recusaram a dar ouvidos aos petralhas.

Isso é novo? Bom, nunca tínhamos visto nada parecido. Não com aquela força da semana passada. Não com aquela espontaneidade. Não de forma tão generalizada.

A velocidade de decomposição da imagem do PT é chocante. A mesma legenda, que surfava num tsunami de popularidade há não mais do que três anos, hoje apodrece em praça pública.

E esse movimento não foi provocado por forças externas. Foi obra própria. E como fede esse zumbi que nos assombra.

O famoso ditado latino “Quos volunt di perdere dementant prius” – “Os deuses primeiro enlouquecem aqueles que pretendem destruir” – descreve bem a situação.

O próprio partido, imaginando-se um ente superpoderoso, tomou as medidas que desnudaram para camadas amplas da população suas reais intenções e os resultados que se avizinham por consequência delas.

Precipitou, assim, um confronto antes de possuir forças para vencê-lo.

Imaginava, em devaneios demenciais, já tê-lo vencido. A realidade, entretanto, se impôs à vontade do partidão.

Veja bem, não se trata de dizer, como pipoca por aí, que o PT “se perdeu” ou “se corrompeu” por causa do poder, do dinheiro sujo ou algo do tipo. O PT sempre foi assim!

Tais análises são conversas fiadas de esquerdistas querendo preservar um “lado bom” inexistente do petismo sob a desculpa de que os frutos caíram longe da árvore.

Todos nós sabemos que árvores boas não podem dar maus frutos. De onde se tira que, pelos frutos, conheceremos a qualidade da árvore, conforme o critério bíblico.

O PT nasceu da intelectualidade gramsciana da USP, da “Teologia” da Libertação” e da parte oportunista do sindicalismo do ABC. Nada de bom poderia vir dessa combinação. E o seu discurso sempre foi um canto de sereia.

Outros frutos do esquerdismo são os que estamos vendo ao nosso lado em Cuba, na Venezuela, na Argentina, na Bolívia, no Equador, somente para ficarmos no Foro de São Paulo...

Nenhum deles é vistoso. Nenhum deles é saboroso. Nenhum deles seria comprado pelo valor de face, longe das estripulias propagandísticas.

Não obstante, a cada nova experiência desastrosa, os socialistas se arrogam o direito de tentar novamente. E é disso que se trata a blindagem da “áurea pura” imaginária do PT.

Para continuar tentando, os socialistas precisam culpar algo que não seja as suas próprias ideias destrutivas. Falam em “culpas individuais” e “desvios”, fingindo esquecer que, para eles, há uma força propulsora e impessoal a escrever a história.

Mas o que está diferente agora? Por que o partido que se pretendia o senhor da população não consegue sequer fazer um pronunciamento?

Finalmente, entendeu-se que “o PT é o partido dos trabalhadores que não trabalham, dos estudantes que não estudam e dos intelectuais que não pensam”, nos dizeres de Roberto Campos.

Muitos agora enxergam que o aspirante a “moderno príncipe” - como diria o principal ideólogo dos nossos bolivarianos - está nu! Sempre esteve, repetimos. Sem trajes e, agora, numa poça de areia movediça!

A cada movimento para sair do atoleiro, os petistas afundam um pouco mais. O panelaço do dia 5 de maio foi exatamente isso.

Esperta foi a “coração valente” que, amedrontada, preferiu não se pronunciar no Dia do Trabalhador e, tão pouco, dar as caras na propaganda partidária.

O som das panelas batendo no Dia das Mulheres traumatizou a atual beneficiária da desculpa “eu não sabia de nada”.

Quando se está preso na areia movediça, a melhor opção é ficar imóvel.

A “comandAnta” mostrou que ainda não está completamente demente, ao contrário do seu padrinho político, o “Macunaíma de Garanhuns”. Em tempo, ficar calada é a única habilidade comunicativa em que a presidente se sai razoavelmente bem.

As panelas batendo repetidamente são o sinal definitivo do ocaso da popularidade petista. É bem verdade que o apogeu sempre marca o início da decadência, mas os companheiros desceram do cume a cambalhotas.

A queda de braço entre PT e sociedade está estacionada em um ponto instável, mas no qual nenhum dos dois consegue realizar o movimento derradeiro.

Todavia, que se note, as divergências são inconciliáveis. Um terá que se livrar do outro para seguir em frente.

A sociedade já não os suporta, mas não possui forças, ainda, para enterrá-los, utilizando da ferramenta constitucional do impeachment, por exemplo. A vontade da população não encontra eco entre seus hesitantes representantes no Congresso.

O PT, por outro lado, está decrépito, um corpo em decomposição que não possui forças, ainda, para tornar o som das panelas irrelevante.

A cartada de curto prazo seria a reforma política que eles propõem, para alterar o sistema político de tal forma que eles nunca mais sairiam do poder. Mas o ambiente do Congresso lhes é hostil, e os vermelhos vêm tomando uma surra atrás da outra.

De tanto brincar de “luta de classes”, o PT, enfim, fabricou uma para chamar de sua. Vivemos o embate entre a população e os desclassificados. Entre os trabalhadores honestos e os rentistas mensaleiros. Entre a base da sociedade e a elite de Brasília.

“Por que não comem brioches e param de bater panelas? ”, perguntaria, desta vez de verdade, a “Maria Antonieta candanga”.

Alimentaremos, durante os tempos vindouros, a “democrática” situação em que os nossos governantes trabalham para inutilizar a opinião da população que governam e nós, os “desgovernados”, desejamos desempossar a elite política que nos comanda.

Até que essa mórbida figura se torne obesa demais para ser sustentada.

(COM REINALDO BEDIM)

 

 



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