São Paulo, 05 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Segurem a loira
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Marta Suplicy corre riscos ao tentar se eleger prefeita pelo PSB

Não deixa de ser um desafio para Marta Suplicy ser candidata à Prefeitura de São Paulo pelo PSB, porque seu êxito parcial na política, até agora, é atribuído ao PT e também pelo fato de ter sido mulher do ex-senador Eduardo Suplicy, quando disputou a maioria das eleições. Mudando de partido, Marta vai disputar a eleição sem os apoios do PT, de Lula e do ex-marido, que já está engajado na campanha de reeleição do prefeito

Fernando Haddad, de quem é secretário dos Direitos Humanos.

O PSB não é um partido movido pela mesma grandeza eleitoral do PT: até recentemente o partido era considerado de modesto a nanico, que ganhou mais visibilidade no ano passado com a reeleição do governador Geraldo Alckmin, por ter indicado o candidato a vice na sua chapa o deputado e ex-prefeito de São Vicente, Márcio França.

Isolado, o PSB ainda é um partido sem maior expressão eleitoral.

Marta Suplicy pode dar aos socialistas um pouco mais de projeção em São Paulo por ser senadora da República que deixa o PT. Ela foi prefeita da Capital eleita pelo PT de Lula e sonha em voltar à Prefeitura, coisa que deve tentar pelo novo partido. Seu desejo de deixar o PT brotou no dia em que o partido decidiu bancar a candidatura do prefeito

Fernando Haddad à reeleição. Márcio França chega a admitir que se Marta for eleita para a principal prefeitura do País, o PSB ganha importância e pode se credenciar a alçar voos mais altos, sonhando até em lançar candidato próprio ao governo do Estado, em 2018. Marta, contudo, está de sobreaviso: tem gente no PT que deseja tomar seu mandato por deixar o partido para ingressar no PSB.

O principal desafio de Marta é provar nas urnas a versão de que é detentora de bom índice de popularidade na periferia da cidade, reduto tradicionalmente em que o PT sempre é bem votado. Ela tem dito que merecia ser candidata pelo PT por achar que tem mais votos do que Haddad nos bairros mais populares da Capital. Para os petistas, porém, disputar eleição pelo PT e com o apoio de Lula é coisa bem diferente do que concorrer sem o empurrão do ex-presidente e, ainda por cima, por um partido ainda fraco eleitoralmente.

Se candidata vier a ser, Marta pode atrapalhar a votação de Fernando Haddad, desconfiança que já levou Lula a discutir o assunto nas reuniões do partido. O ex-presidente chegou a prometer a Marta que, se ela não deixasse o partido, seria sua candidata ao governo estadual em 2018. Ela não acreditou na promessa de Lula. O fato da senadora continuar criticando o governo de Dilma Rousseff -de quem foi ministra da Cultura- deixou claro que sua decisão de deixar o PT era irrevogável.

A eleição para a Prefeitura de São Paulo ainda é uma incógnita, porque nenhum dos partidos top de linha dispõe do chamado candidato bom de voto. O Ibope de Fernando

Haddad, por exemplo, não traz tranquilidade ao PT, enquanto os pré-candidatos do PSDB – como Bruno Covas e Zuzinha, neto e filho de Mário Covas, respectivamente; o vereador Andrea Matarazzo e o suplente de senador, José Aníbal- são “donos” de reservas de votos, votos ainda insuficientes para se eleger prefeito de São Paulo.

Paulo Skaf, candidato do PMDB, alcançou votações limitadas nas eleições que já disputou e Celso Russomano (PRB) se elegeu deputado federal no ano passado com expressiva votação, mas que ainda não dá para se eleger prefeito. A fragilidade dos adversários, portanto, pode beneficiar o veterano Paulo Maluf, caso ele confirme sua já anunciada candidatura pelo PP.



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