São Paulo, 27 de Setembro de 2016

/ Opinião

Realismo e crise
Imprimir

"Temos mercado interno robusto, bons empresários, agronegócio de qualidade, cabeças pensantes e experientes na economia e no processo de desenvolvimento"

Não é só o Brasil que vive um momento de tensão, com crise política e problemas nas áreas social e econômica. O fenômeno atinge os povos latinos em geral, na mesma linha cultural do que a nossa.

Na Europa, com eleições este ano na Itália, em Portugal e Espanha, a incerteza vem de partidos novos, indefinidos, mas possivelmente orientados por pensamento radical ou de certa ingenuidade no trato de questões sérias como as relações no mercado internacional.

E isso cria um clima de preocupações e certa imobilidade nos agentes econômicos.

A Argentina, que era um país de referência no continente – com pobres mas não miseráveis, com bom padrão de vida e de educação –, mergulhou nesta crise, com desemprego, problemas no abastecimento e inflação, depois que deixou de pagar dívidas.

Apenas é uma país abençoado pela natureza, tem petróleo (embora já não exporte), uma agricultura e uma pecuária de qualidade e produtividade, bom clima. Assim vem sobrevivendo. Mas a tendência é piorar, em todos os sentidos, ao longo deste ano.

O caso brasileiro é um pouco diferente pelo porte do país em população e a própria economia, que, desde o presidente João Figueiredo, vem oscilando em torno da oitava posição, mas que agora, com a realidade cambial, deve estar entre as dez ou até doze economias.

O México, com governo conservador, estaria já na nossa frente, como é o caso da indústria automobilística em que pela primeira vez passa à nossa frente.

Temos mercado interno robusto, bons empresários, agronegócio de qualidade, cabeças pensantes e experientes na economia e no processo de desenvolvimento.

Precisamos é ter paciência para atravessar um ou dois anos de dieta nos chamados avanços sociais. Distribuir é bom, mas é necessário ter o que distribuir para não agravar a situação dos menos favorecidos.

Houve uma queda na qualidade de nossos empresários e governantes, em todos os níveis nas últimas três décadas. Não se pode negar uma realidade inquestionável para os que vivem nosso momento histórico desde a redemocratização.

O consumismo exacerbado, o fascínio pelo dinheiro, ganho de qualquer forma, domina parte dos grupos que comandam grandes verbas, sejam elas públicas ou privadas. Os aventureiros passaram a ter vez, sempre com grande ousadia.

Logo, é preciso de bom senso, desambição, consciência de que a austeridade é uma necessidade alheia à vontade das famílias e dos governos. Paciência e confiança no amanhã, para que as coisas não fiquem mais complicadas.

Na Argentina, como na Venezuela e no Equador, sabe-se que os mais ricos já estão fora dos seus países – a maioria em Miami, que virou uma espécie de capital da América Latina. Quem vive o sofrimento e as limitações do dia a dia são as classes médias e os trabalhadores.

Vamos parar um minuto que seja para vermos as consequências desses movimentos que exploram as dificuldades e não oferecem alternativas válidas!

 



Sete em cada dez entrevistados não pagaram parcelas de empréstimos em dia, seguidos por inadimplentes em cartão de loja

comentários

Dados do Banco Mundial de 2015 mostram que o país tem índice de 20,84% de abertura comercial. Média mundial é de 45,19%

comentários

Projeção para a economia passou de queda de 1,7% do PIB do país para 0,30% em 2017, segundo a Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico

comentários