São Paulo, 27 de Setembro de 2016

/ Opinião

Quem manda no povo
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Em 33 anos de colunismo político, reitero que o PT é mais um produto da precedência do Estado sobre o sentimento de nação

Mês que vem esta coluna completa 33 anos de publicação no Diário do Comércio de São Paulo.

Quando completou 30, gosto de enfatizar isso, o Diário fez um levantamento e constatou que eu era (e penso que ainda sou) o colunista político mais antigo da imprensa paulista.

Atrás de mim, não em anos de jornalismo, mas de colunismo, vinham Jânio de Freitas e Clovis Rossi, ambos da Folha de S. Paulo, onde trabalhei por dez anos.

Digo isso, mais uma vez, com admiração pelos dois renomados colegas e para invocar novamente o testemunho do leitor de tantos anos, sobre os fatos atuais da vida nacional e o que escrevo aqui ao longo das últimas três décadas.

Reitero que, sem nenhuma pretensão, mas pelo estado de espírito de, finalmente, começar a ver algo em torno do que exaustivamente apontei neste espaço ao longo do tempo se tornar realidade, peço ao leitor amigo licença para lembrar uma confirmação de minhas teses e rememorar a realização de outras previstas.

Repito, não por arrogância, mas pelo exercício da experiência diária, da vivência no meio, e pelo respeito permanente ao leitor.

Previ, desejando para que ocorresse, a ida da multidão às ruas contra a corrupção, as mazelas, o mau uso do dinheiro público, as infâmias, os abusos, tudo de errado que nossos políticos e governantes transformaram em normalidade na vida nacional.

Previ, e sempre cobrei, a participação dos jovens estudantes em todos os espaços disponíveis, como grêmio estudantil, centro acadêmico, associação de bairro, clube social, diretório acadêmico, entidades de classe e também partidos políticos.

Os jovens e a população em geral foram às ruas, tomam consciência dessa necessidade e alijaram os partidos políticos que, corrompidos, desviados, deturpados, tentam se valer da espontaneidade para buscar ganhar o crédito da rebelião contra o PT e Dilma e Lula, pela retomada dos bons costumes e da moralidade pública.

O que de fato foi o grito das ruas, embora os políticos e governantes resistam tentando desvirtuar até o recado recebido.

Tenho visto acontecer, antes do que esperava e ainda em menor intensidade, que deve crescer, as coisas que escrevo aqui há anos irem se tornando realidade.

Gosto de mencionar artigo publicado há algum tempo na Folha de S. Paulo pelo historiador, professor da Unicamp e UEC, Jaime Pinsky, onde de discorre sobre um tema que é o fundamento das palestras que faço em empresa e escolas, tentando explicar porque o Brasil é o que é, simplificando aqui.

Digo, de novo, sem ser historiador ou pesquisador, apenas como jornalista interessado, estudioso, que parte importante do caráter, da cultura, do comportamento do brasileiro, seja ele do povo ou das “zelites” (na qual hoje o burguês maior do país é Lula) decorre do nascimento do Estado brasileiro antes da Nação brasileira.
 
Quem me lê, ouve, sabe do que falo. Desde a vinda de Dom João VI até os dias de hoje, a presença do Estado sobre a cidadania é imperativa. O Estado brasileiro ainda tutela a sociedade, quando a sociedade deveria tutelar o Estado.
 
Posso discorrer horas sobre isto. O assunto me atrai porque é a origem de nossos problemas de identidade e crise permanente de Estado, o que o articulista chamou de “O pecado Original”.

Reitero que a necessidade de Dom João VI ter um aparato para governar, estando num país que até então era mera colônia, de extração e praticamente sem governo e políticas públicas (não tem até hoje) fez nascer de cima para baixo uma estrutura burocrática, concessiva, centralizadora, baseada numa corte de interesses próprios, que se perpetua no Brasil, seja vice-reino, império, Republica, ditadura ou democracia.

O governo central, Brasília é a sede do reino. O Estado brasileiro ainda manda em tudo e em todos. Todos dele dependem, reverenciam, corrompem, compram favores, benefícios, privilégios, e este vende despudoradamente, em favor pessoal de quem negocia.

Do jeito que, feliz e finalmente, ando acertando, preciso começar a jogar na mega-sena.

Mas, no fundo, sem demagogia, todos desejamos mesmo é um país mais decente. Menos canalha. Onde a população mande no Estado, no governo, não como ainda é, onde os ocupantes de cargos públicos e partidos, mandam na população.

Mas, feliz e finalmente, isto está começando a mudar com a conscientização do mal que o lulo-petismo tem feito ao país, ao elevar à enésima potência os males do pecado original.

 



Na comparação com igual mês do ano passado, a queda de junho foi menor que a registrada em maio, de acordo com levantamento ACVarejo, da Associação Comercial de São Paulo

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Mesmo na mais louvada das democracias, o Estado é hoje o mediador e juiz soberano de todas as ações e relações humanas, até as mais particulares e íntimas

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Comparado à organização estatal, mesmo o conjunto das ciências existentes não passa de uma mixórdia de teorias contrapostas, grupelhos em disputa e preferências irracionais

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