São Paulo, 24 de Setembro de 2016

/ Opinião

Prioridades
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A sociedade não tem discutido os critérios que orientam o corte de gastos públicos, na operação de saneamento do Ministério da Fazenda

Nesse momento de cortes, é preciso o estabelecimento de critérios gerais, para que o período de desconforto da sociedade seja o menor possível. O caso do Rio de Janeiro é prioritário na medida em que as obras atingem toda a capital e temos o prazo determinado pelas Olimpíadas.

O evento que prende a atenção do mundo por semanas não pode se constituir em fator de desgaste para o Brasil, que já vem sofrendo rebaixamentos em dezenas de itens que medem a qualidade de vida de um país. Estamos mal de credibilidade nos dados da economia, de crédito financeiro, de produtividade, de educação, na saúde e de infraestrutura em geral. Na América do Sul, temos um desempenho inferior ao do Peru e da Colômbia, por exemplo.

Alguns gargalos no setor de transportes na região norte são prioridades, como é o caso da estrada Cuiabá-Santarém, que se arrasta e prejudica demais a produção do Mato Grosso, que chega a ficar inviável pelos altos custos de transportes. Com uma ligação segura ao porto de Santarém, o Mato Grosso dará um novo salto na sua produção, especialmente na soja e no milho.

Nas próximas semanas, teremos um quadro mais claro da dimensão de nossas dificuldades no mercado internacional. Juros altos, rebaixamento de muitas empresas brasileiras que operam na bolsa de Nova York, desvalorização de nossos papéis no mercado da renda fixa. Enquanto um banco de primeira linha americano paga dois por cento, os nossos já passam dos dez, no mercado secundário. E o desdobramento da crise na Petrobras pode acarretar consequências graves com base na legislação americana.

Precisamos retirar de nossa pauta assuntos irrelevantes, comparados à crise econômica, inclusive na política externa em que não temos acertado. E a limpeza nas relações do setor público com o privado se impõe nos estados como na União. O nepotismo escancarado, o toma lá dá cá, compromete todo o quadro nacional e coloca em risco tantas conquistas dos últimos 50 anos.

Conversar sobre esses temas deveria fazer parte da pauta do ministro Joaquim Levy com a presidente. Não adianta política econômica austera, correta, em meio a politicagem, desmandos nas estatais, nos estados e municípios. Tudo se resume em fixar o que é prioritário e aceitar o fato de que estamos sendo observados com grandes desconfianças nos mercados externos e nos fóruns que reúnem as principais potências democráticas do mundo.

É público e notório que os países denominados Brics estão com problemas que assustam, tanto na corrupção como na segurança pública. Nenhum deles, apesar de tantos atrativos, seria um destino turístico seguro para um cidadão ajuizado. É tudo triste, mas é verdade.

 



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