São Paulo, 27 de Julho de 2017

/ Opinião

Posição Facesp-ACSP/O embrulho das sacolinhas
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"Transferir para o comércio a responsabilidade de um problema que é de todos é injusto e não contribui para a busca de soluções"

O Brasil atravessa um período marcado por crises. Crise econômica, com inflação elevada, desaceleração do emprego, juros muito altos - inibindo as vendas do varejo -, perda de confiança do consumidor e insegurança quanto ao futuro. 

Crise política, com dificuldades da presidente da República em seu relacionamento com o Congresso e baixa aprovação popular. 

Crise ética, com a constatação de conluio criminoso entre empresas privadas e estatais, o que, além de prejudicar o desempenho do setor público, ainda distorce o mecanismo democrático, pelo uso político das verbas desviadas.

Na capital paulista observa-se ainda um trânsito caótico, agravado pela instalação indiscriminada de ciclovias - sem estudos e sem diálogo -, pelas calçadas e ruas esburacadas, pelas manifestações que tumultuam a vida da população e pelo abandono do centro velho, que está sem segurança, mal iluminado e que, à noite, vira um albergue a céu aberto, com grupos de drogados, prejudicando o comércio e os serviços e assustando quem passa próximo a esses locais. 

A isso se soma, ainda, a epidemia de dengue, com a população e as autoridades impotentes para conter os focos dos mosquitos - e os governos incapazes de atender a todos os atingidos.

Com tudo isso, no entanto, o assunto que tem dominado os meios de comunicação e as conversas da população é o das sacolinhas, com muitos colocando o comércio como o vilão que não quer colaborar para a melhora do meio ambiente, pensando apenas em aumentar seus lucros de forma abusiva. 

Não se analisa de forma racional o que se objetiva com a lei, nem se ela representa, realmente, uma solução para o que pretende. 

O primeiro passo deve ser o de se enunciar corretamente o que se pretende e, então, procurar a melhor alternativa para solucionar o problema que se espera resolver.  

O que motivou a apresentação e aprovação da lei das sacolinhas foi procurar impedir a população de se utilizar das mesmas para descartar lixo, uma vez que elas não são biodegradáveis.  

Não se trata, portanto, de um problema do comércio, uma vez que muitos se utilizam de sacos de lixo plásticos que apresentam os mesmos inconvenientes.  

Além do mais, a quantidade de recipientes plásticos que embalam produtos, inclusive vasilhames, mostra que querer transformar a sacolinha em vilão do meio ambiente é um simplismo injustificado. 

É preciso considerar que parcela importante da cidade não conta com coleta seletiva de lixo, o que torna inútil a separação do material para descarte nessas regiões.

Além disso, grande parte da população não está informada - e menos, ainda, conscientizada - da importância do descarte seletivo de lixo, que se refere não apenas ao recipiente em que o mesmo é colocado, mas na separação e na utilização de embalagem adequada.

Nós somos favoráveis à lei que impede a utilização das sacolinhas brancas por parte do comércio, mesmo considerando que não vai solucionar o problema do descarte de lixo. 

Mas entendemos que sua implementação deveria ser gradativa, atentando para a disponibilidade do produto alternativo no mercado, e acompanhada de uma campanha de esclarecimentos à população, para não deixar a impressão de que basta substituir as sacolinhas e o meio ambiente estará salvo. 

Além da conscientização da população, é preciso que o poder público faça a sua parte, oferecendo a coleta seletiva para todas as regiões.

Transferir para o comércio a responsabilidade de um problema que é de todos é injusto e não contribui para a busca de soluções efetivas, tendo em vista, também, que nem todo comércio tem a mesma capacidade de suportar medidas que coloquem em risco o seu orçamento.

Em tempo: não poderíamos deixar de protestar contra a aprovação e sansão do orçamento de 2016 com um aumento expressivo, quase triplicando, as verbas destinadas aos partidos. 

Parece que a classe política não se dá conta da difícil situação que o país atravessa, do elevado ônus que as empresas e os cidadãos vêm enfrentando em consequência do necessário ajuste fiscal, ignorando por completo as manifestações da população. 

Ao invés de se discutir aumento de recursos partidários, o debate deveria ser no sentido de reduzir o número de partidos existentes. 



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