São Paulo, 11 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Pobres... remediados
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Petistas qualificam de "burguês" aquele que precisa comprar no mercado aquilo que o Estado não fornece

A verdadeira classe média brasileira que hoje em dia sobrevive nas grandes áreas urbanas do país tem sido vítima de uma perversa distorção, que a coloca numa situação de ré, malvada, e, ainda por cima, encarregada de pagar as contas de todos que vivem em solo tupiniquim. Na capital paulista o fenômeno –sim, é algo anormal- é mais acentuado pela óbvia grandeza e riqueza existentes.

Não há um só brasileiro, pode-se considerar, que não tenha como meta melhorar de vida, ascender econômica e socialmente e se tornar parte do mercado de consumo. Com sacrifícios gigantescos, milhares conseguem, mercê de seus estudos, trabalho, e logram comprar sua casa própria, seu carro, colocar os filhos em escolas particulares, ter plano de saúde privado e ter um padrão de vida tido como minimamente decente.

O próprio ex-presidente Lula, um dos responsáveis pelo Brasil estar se tornando um país sectário, de forma zombativa diz que todos querem ter “sua casinha, seu carrinho, sua geladeirinha”.

Ocorre que ao alcançar este patamar, por mínimo que seja, e sem considerar todo o sacrifício de vida – e dívidas - assumido para chegar, o cidadão ainda passa a ser considerado, pelos mesmo que falam em seu nome  de forma falaciosa, vilões da própria sociedade, por terem se tornados burgueses, uma palavra usada de forma pejorativa pelos populistas para diferir alguém que deixou de ser morador de aluguel, usuário de ônibus, dos hospitais (?) públicos, dos mencionados acima. Burguês eram os moradores dos burgos, cidades do mundo ainda ignorante medieval, e, hoje em dia, servem de alimento ao ódio que se busca promover nos pobres, contra os remediados.

Sim, somos todos remediados os iludidos que conseguem na vida atingir uma posição que os permita em vez de ir ao trabalho de ônibus, ficar preso nos congestionamentos de carros; em vez de morrer nas filas do serviço de saúde pública, morrer de susto e raiva ao pagar os carnes dos planos privados e serem mal atendidos; em vez de pôr os filhos em boas escolas públicas, pagarem os olhos da cara no colégio particular que vai doutrinar seus filhos para serem socialistas, numa lista infindável que faz do burguês um freguês do purgatório na Terra, achando que está no céu.

E ainda sofre o ataque ideológico dos demagogos, os insultos de egoísta, as ofensas de “bon vivant”, como se fossem os responsáveis pela existência da pobreza, alimentadas pela ganância dos oligopólios ainda hoje associados ao petismo no poder, pela corrupção endêmica que o petismo implantou no país e pela falta de vergonha, de probidade, de lisura, de decência, da imensa maioria dos homens e mulheres da vida pública pátria.

Os remediados são os pagadores de impostos que sustentam a máquina pública e a máquina monstruosa da corrupção que vomita todos os dias na cara dos brasileiros decentes, como são surrupiados nos gabinetes encarpetados, sem nenhum pejo ou constrangimento dos que se enriquecem (ainda mais) à custa desses expedientes, falando em defender os pobres, e massacrando a classe média que chafurda no lamaçal da indignidade.

Interessante notar que os mesmos que fazem mal permanente aos remediados (os ricos se viram de outra maneira, e ainda ficam mais ricos) são os que se jactam fantasiosamente de ter elevado mais de 35 milhões de brasileiros à categoria de classe média.
É tanta mentira, é tanta propaganda falsa, é tanta ilusão, que até os remediados da classe que sustenta com seu trabalho honesto, decente, o Brasil, acabam acreditando que são mesmo os culpados pelos desajustes da sociedade. Se sentem culpados enquanto ficam presos dentro de casa, são assaltados nas ruas, esquinas, restaurantes, supermercados, farmácias, clinicas, hospitais particulares, por outros remediados que buscam sobreviver à sanha da inflação (que o governo nega existir) e à necessidade de dar lucro para operar.

O brasileiro que paga as prestações de sua casa ou apartamento próprio se espreme nas grandes cidades em congestionamentos provocados pela incúria do poder público, dirigem seus carros com prestações atrasadas, trabalha como um camelo para fechar as contas no fim do mês e deixar um terço do que arrecada nas mãos corruptas dos maus governantes. Pois esse brasileiro é um pobre... pobre remediado que vive num país onde os valores se inveteram, e o partido que esta no poder há 12 anos e se elegeu para mais quatro, ainda quer saber, afogando-se no  petróleo da corrupção, porque há um sentimento antipetista na população e vai pesquisar para saber.

Seria de gargalhar se não fosse de chorar.
 



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