São Paulo, 25 de Setembro de 2016

/ Opinião

Picada mortal
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FHC reage com lucidez ao se opor ao impeachment de Dilma, porque isso traria Temer à disputa presidencial

Para se posicionar contrário à tese do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, Fernando Henrique Cardoso enxergou o óbvio que outros tucanos teimam em não enxergar, porque raciocinam com a emoção e não com a razão.

FHC percebeu que o candidato de seu partido, o PSDB, corre o risco de ficar fora de um quase certo segundo turno na eleição presidencial de 2018, caso o vice Michel Temer assuma a presidência da República.

O ex-presidente sabe também que Dilma não é Collor e nem o PT é o PR. Collor não tinha maioria no Congresso; Dilma (ainda) tem.

O segundo turno é disputado pelos dois candidatos mais votados no primeiro turno. Por mais que o PT esteja combalido pela crise atual, dificilmente Lula deixaria de alcançar votação suficiente que o leve ao segundo turno, caso confirme sua candidatura.

Qualquer pesquisa que se faça ignorando o interesse partidário vai constatar que Lula iniciaria a campanha com cerca de 30% de intenção de voto, que representariam aproximadamente 30 milhões de votos. Esse índice garantiria a ele o direito de passar para o segundo turno, na hipótese de nenhum candidato se eleger ainda no primeiro turno.

Empossado na presidência, Michel Temer teria o tempo necessário para fortalecer o PMDB e preparar um forte candidato (próprio) ao Palácio do Planalto na próxima eleição. A segunda vaga no segundo turno, portanto, seria disputada pelos candidatos do PSDB e PMDB, e é isso que FHC não permite que aconteça.

Com base nesse contexto irrefutável, Fernando Henrique chegou à conclusão de que permitir a Temer assumir a Presidência seria criar um grande problema para a oposição e, particularmente, para seu partido.

No jargão popular do mundo político, Michel Temer é chamado de “cobra criada”, capaz de picar quem a criou, inoculando na vítima seu veneno mortal.

Se o quadro eleitoral de hoje for mantido, qualquer que seja o candidato do PSDB na próxima eleição – Aécio, Serra ou Alckmin - sua vaga num eventual segundo turno está assegurada, porque o partido teria apenas um adversário a enfrentar, o PT.

É o mesmo quadro que tem norteado as eleições presidenciais dos últimos 20 anos.

Os três presidenciáveis do PSDB saíram consagrados nas eleições do ano passado e qualquer um deles que for indicado para concorrer ao Palácio do Planalto reúne boas condições para se eleger, porque é “dono” de invejável reserva de votos, suficiente para levá-lo à vitória.

Mas, essa garantia só pode ser assegurada se o quadro eleitoral for mantido até 2018.

O senador Aécio Neves perdeu a eleição para Dilma Rousseff, mais saiu consagrado das urnas com 51 milhões de votos, contra 54 milhões da presidente reeleita.

A mesma consagração nas urnas alcançaram também José Serra e Geraldo Alckmin. Serra voltou ao Senado derrotando o forte candidato do PT, Eduardo Suplicy, que exercia o mandato de senador havia 24 anos, enquanto Alckmin se reelegeu governador ainda no primeiro turno, com 58% dos votos.

Qualquer um dos três pode se eleger o próximo presidente da República, principalmente se não encontrar um novo e difícil obstáculo a ser superado.

Apesar de ser um candidato reconhecidamente “ bom de voto”, Lula fez uma declaração na campanha de Dilma do ano passado que chamou a atenção, quando disse que o ciclo de Poder do PT pode se esgotar em 2018.

Lula, portanto, não é e nem se considera um candidato imbatível; longe disso. É apenas um osso duro de roer, para uns; e carne de pescoço, para outros.



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