São Paulo, 25 de Setembro de 2016

/ Opinião

Pés no chão e cabeça no lugar
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PSDB precisa se convencer de que são os votos, e não o tamanho das manifestações, que permitem a vitória eleitoral

O PSDB está sendo aconselhado a tomar duas providências imediatas, se quiser encarar a realidade como ela é e levar mais a sério seu projeto de Poder, que tem como objetivo reconquistar a presidência da República, em 2018: a primeira é se convencer que perdeu a eleição no ano passado, e a segunda, deixar de se preocupar demais com a presidente Dilma Rousseff e de menos com Lula.

A terceira coisa a fazer é se convencer também que Dilma representa o passado porque já foi reeleita, enquanto Lula simboliza o futuro. Dilma já deu ao PT o que o partido queria dela: derrotar o tucano Aécio Neves, missão que cumpriu com muita dificuldade.
 
Dilma e o PT não estão preocupados com os resultados de pesquisas que ganham manchetes na imprensa, porque registram queda de popularidade da presidente.

Assim que deixar o governo, Dilma vai para casa curtir a filha e o neto, uma vez que não será candidata a nenhum outro cargo público nas próximas eleições.

O PT se preocuparia se o índice de popularidade de Lula despencasse como o de Dilma, devido à crise política e econômica que agride a população.  O que o partido tem interesse em saber, na verdade, é se Lula vai estar bem na fita de largada para suportar a maratona de mais uma provável candidatura ao Palácio do Planalto.

Está sendo sugerido ainda ao PSDB que não se empolgue com o mesmo grau de euforia que domina a militância do partido, toda vez que presencia o sucesso das manifestações e passeatas de milhares de pessoas convocadas pelas redes sociais para protestar contra o governo.

O PT mantém a convicção de que mais de 90% dos manifestantes votaram em Aécio Neves para presidente e são fieis eleitores dos candidatos tucanos.

O tucanato, contudo, não pode esquecer que também houve protestos parecidos no País em 2013, além de vaias e xingamentos patrocinados pelas oposições contra a presidente Dilma nos jogos da Copa do Mundo.

Os marqueteiros recomendam cautela aos tucanos, sugerindo que não esqueçam também do resultado da eleição de 2014.

Os tucanos que estão com os pés no chão e que raciocinam com a razão e não com a emoção, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sabem que o cenário atual é favorável ao PSDB, por dispor de três presidenciáveis que brilharam nas últimas eleições, -os senadores Aécio Neves e José Serra e o governador paulista Geraldo Alckmin- enquanto o PT só pode contar com Lula, único no partido com possibilidade de evitar a vitória do PSDB.

Mas, o PSDB não pode esquecer que eleição se ganha com voto e não com CPIs, Mensalão, Petrolão, Passeatas e Panelaço.

 O PT detectou que a mídia está abrindo mais espaços para o PSDB, sobretudo para Fernando Henrique “vender” a imagem do partido em seguidas entrevistas na televisão.

Em apenas dois dias, por exemplo, FHC concedeu duas prolongadas entrevistas na mesma emissora da Rede Globo, a GloboNews, aproveitando para transmitir ao telespectador a ideia de que seu partido abriga apenas filiados incorruptíveis, que seriam como os seguidores das mensagens de frei Galvão, da madre Tereza de Calcutá e da irmã Dulce, sem admitir, porém, a existência de qualquer ranço de roubalheira envolvendo tucanos, nem mesmo os 12 anos do escândalo das  propinas no Metrô e Trens Metropolitanos de São Paulo, ocorridos nos governos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, e ignorados pela imprensa, segundo o PT.



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