São Paulo, 18 de Janeiro de 2017

/ Opinião

Otimismo e pessimismo com a economia
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Se é verdade que o Brasil atravessa um mau momento, é também certo que o empreendedor pode se contrapor aos economistas, porque ele se habituou à cultura do risco

Roberto Campos costumava dizer que o “pessimista é um otimista bem informado” e, por isso, via com certo desânimo o futuro do Brasil. Apesar de seu pessimismo, nunca deixou de atuar, seja nos postos de governo, ou no Parlamento, ou nos seus escritos e palestras, para melhorar o desempenho da economia brasileira.

Sem que se olhe com uma visão pessimista a economia brasileira na atualidade, o cenário que se apresenta é de um ano de grandes dificuldades, pelos desequilíbrios existentes e pela necessidade dos ajustes indispensáveis.

Começando pela situação fiscal, o resultado das contas públicas em 2014 foi simplesmente desastroso, com déficit nominal do Tesouro e, para agravar, com as transferências de restos a pagar para o ano em curso, o que dificulta ainda mais o ajuste fiscal.
Apesar dos aumentos anunciados de tarifas e de alguns tributos, o cumprimento da meta proposta pelo ministro da Fazenda para 2015, de um superávit fiscal de 1,2%, será muito difícil, principalmente porque o baixo nível da atividade econômica afeta a arrecadação do governo. Existe o risco de que o governo procure aumentar novos impostos, uma vez que mostra dificuldades para reduzir despesas.

Além do déficit fiscal, o Brasil apresentou resultado negativo elevado e crescente em suas contas externas, o qual se torna mais difícil com a queda dos preços dos produtos primários, que vinham sendo a grande fonte de receita das exportações.

Embora o volume de reservas do Banco Central seja significativo e afaste preocupações de curto prazo com o setor externo, é inadiável que se procure reverter essa trajetória de desequilíbrio, antes que se torne uma ameaça real. Isso vai exigir, entre outras medidas, a desvalorização do real, que, por sua vez, tem impacto negativo sobre a inflação. Para impedir que a inflação suba ainda mais, o Banco Central, provavelmente vai realizar novos aumentos das taxas de juros, afetando ainda mais a atividade econômica.
 
A evolução da inflação é de crescimento da taxa, devido à correção dos preços administrados, como combustíveis, energia elétrica, transportes e, seguramente a tarifa de água, além das pressões da seca sobre os alimentos.  Com os aumentos de impostos de alguns produtos e a desvalorização cambial, devemos superar em 2015 a banda superior da meta de 6,5%.

A produção industrial acha-se em queda, e, com poucos sinais de recuperação no curto prazo, as vendas do varejo estão se desacelerando, as atividades de serviços mostram sinais de perda de ritmo, o que já está se refletindo negativamente sobre a oferta de emprego e o aumento da renda.

Os investimentos, que são fundamentais para a recuperação da economia, acham-se em compasso de espera pela falta de perspectivas de crescimento e pelas incertezas no tocante à disponibilidade de água e energia.

A crise da Petrobrás afeta fortemente seus fornecedores, levando alguns a demitirem funcionários - e até à insolvência -, além de paralisar novos projetos, e mesmo alguns em andamento, agravando o quadro de incertezas.  

Esse cenário para 2015 não pode ser considerado pessimista, pois reflete a realidade já consumada, embora ainda possam surgir novos fatos negativos no campo político, como desdobramento do “petrólão“ ou da crise hídrica.

A esperança é a de que esse seja um ano de ajuste, marcado não apenas por uma política fiscal de austeridade, mas por menor intervencionismo e voluntarismo governamental na economia, de regras claras e favoráveis para o investimento privado na infraestrutura, desburocratização e simplificação tributária, criando um clima de confiança em relação aos próximos anos.
Para os empresários, o desafio é o de superar as dificuldades de 2015, o que vai exigir atento acompanhamento da economia e de seu negócio, procurando ir se adaptando às variações da conjuntura, sem perder de vista o futuro.

Eles precisam temperar o pessimismo dos economistas com o otimismo natural de quem se dispõe a correr o risco de criar e administrar um negócio, lembrando que Churchill dizia que “o pessimista vê em cada dificuldade uma oportunidade; o otimista vê em cada dificuldade uma oportunidade” ou, como dizia Gramsci,  “combinar o pessimismo da análise com o otimismo da ação”.

 



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