São Paulo, 25 de Julho de 2017

/ Opinião

Os desastres de cada dia
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Revelados ou não os sigilos das delações, com ou sem gravações aceitas, o estrago de ontem fez o governo acabar.

Por mais difícil, por mais lamentável e por mais perigoso que seja para o Brasil, é forçoso reconhecer que o governo Temer, não importa quanto dure, acabou.

Revelados ou não os sigilos das delações, com ou sem gravações aceitas, o estrago de ontem fez o governo acabar.

Pode durar mais ou menos. Pode terminar com alguma dignidade ou da forma mais vexatória possível, ou simplesmente se diluir em um mandato fantasma. Mas acabou na sua capacidade de governar, de conduzir o Estado no seu papel de promotor do interesse público. 

Não tem credibilidade da sociedade, não tem condições políticas no Congresso e não tem nomes a salvo das investigações em curso. 

O golpe de ontem foi duro, e doeu. Doeu a todos os brasileiros que torciam para as coisas melhorarem. Doeu ver o Brasil derreter na bolsa e no bolso. Doeu ao Ministério Público que cortou na própria carne.

Doeu na consciência de todos nós, perplexos com a situação a que chegamos.

Mas o revés de hoje pode ser bom amanhã. Quem sabe melhor ainda no futuro. O Brasil está vivendo a sua grande ruptura com as atitudes e práticas prejudiciais a todos nós.

Não se trata, portanto, de mais uma crise institucional.  É a ruptura com um estado de coisas que não se sustenta, que não se justifica e que não tem como continuar, mas ao qual, desgraçadamente, o País foi se acostumando há algum tempo.

Romper com algo assim não é fácil. Mas um desastre pode ser útil, depende do que vamos fazer com ele.

Antes e acima de tudo, há que se criar, mais do que consenso, o compromisso das lideranças responsáveis do País em torno da rigorosa observância dos preceitos constitucionais da República.

Se há algum resquício de certeza ao qual o Brasil deve se agarrar neste momento de desorientação e perplexidade, é o cumprimento da Lei, a começar pela  maior delas. 

O quadro é desolador, sendo precária qualquer prospectiva. De novo, em pouco mais de um ano, estamos assistindo ao abismo entre o ilusionismo dos detentores do poder, em seus patéticos discursos de negação, e a crua realidade do derretimento da base de apoio político ao governo.

Todo mundo já sabe onde isso vai dar, só não se sabe o quanto vai durar e a que custo.

O melhor cenário seria a rápida evolução para uma transição segura conduzida de forma inatacável, garantindo a governabilidade e a estabilidade que nos levem até 2018.

O que está ruim pode ficar muito pior. 

Os desastres de cada dia servem para nos alertar para desastres maiores que rondam o Brasil.

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As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio
 

 

 



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