São Paulo, 24 de Setembro de 2016

/ Opinião

O setor elétrico tem craques
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Se é impossível brigar com São Pedro, a crise hídrica tem como outra dimensão a existência de técnicos altamente reputados no setor elétrico e não aproveitados pelo governo

Vivemos um momento de imensas preocupações com os efeitos da longa estiagem nos reservatórios das nossas usinas hidroelétricas, em níveis que colocam em risco a operação de muitas delas. E temos a crise da água para consumo humano, atingindo quase todo o país.

Estes problemas podem ser divididos em duas origens: as climáticas e as políticas. Quanto à primeira, nada a fazer além do que o mundo já vem fazendo e recomendando. A segunda se deve a equívocos e erros nas alterações das últimas décadas.

A primeira, e muito grave, foi a interferência dos ambientalistas, sem fundamentos técnicos convincentes, interferindo na aprovação dos projetos, permitindo que tenhamos usinas com reservatórios insuficientes, inclusive na Amazônia. Menos capacidade de armazenar, menos capacidade de enfrentar anos menos chuvosos.

Também não se cumpriu o combinado em relação à revitalização do São Francisco, contrapartida da transposição. Resultado: hoje temos o grande rio com trechos secos, afetando inclusive a população ribeirinha, já tão sofrida.

Depois, o modelo que terminou com a renovação automática das concessões, que enfraqueceu as empresas. A começar pelo Grupo Eletrobrás, referência nacional e até internacional na construção e operação de usinas e linhas de transmissão, algumas objeto de reconhecimento mundial na transmissão em corrente continua de Itaipu, através deste colosso que é Furnas, hoje presidida por Flavio Decat, quadro de excelência do setor.  Foi um equívoco a ser reparado de alguma forma.

Mas o importante, para tranquilidade dos brasileiros, é que o setor reúne quadros altamente preparados, experientes, criativos, na sua imensa maioria sem nenhuma proximidade com os erros cometidos.

Os diferentes governos das últimas décadas têm recorrido a estes quadros para o preenchimento dos cargos de direção no setor estatal, no caso a Eletrobrás. São homens respeitados e competentes, e os governos, desde sempre, jamais tiveram problemas de malfeitos. A corporação é forte, tem executivos de todas as tendências partidárias, mas em comum a boa formação técnica e moral.

Na economia, o governo encontrou um nome de ampla confiança e acima de qualquer suspeita: Joaquim Levy. E poderia também, na reforma do setor elétrico, buscar grandes nomes, disponíveis.

Além dos atuais diretores do grupo Eletrobrás, presidido pelo respeitado José da Costa Neto, ex-presidentes como Aloísio Vasconcelos, Firmino Sampaio, hoje no setor privado, Altino Ventura, que está no MME, e outros mais. Algo deve ser feito para retirar do sufoco empresas, consumidores, independentemente dos humores de São Pedro.
 
Os novos projetos não andam pela insegurança em relação a uma aprovação definitiva do setor ambiental, quando não do indígena. Uma empresa teve de devolver a concessão que ganhara, pois, depois de aprovado o projeto, o setor ambiental levantou exigências que levaram cinco anos a serem acordadas e a ANEEL não quis prorrogar o prazo da concessão.

O negócio deixou de ser feito e hoje já estaria até pronto. Enfim, de todos os problemas, o mais fácil de se resolver, com vontade política e humildade, é o da energia elétrica.  A Presidente pode ouvir este time, que é bom, testado, e que nunca perderia de 7 x 1, podem é virar o jogo.

 



Tanto o Departamento de Justiça quanto a SEC ampliaram as investigações de corrupção de empresas brasileiras com negócios nos EUA, ou que lançaram ações ou bônus no país, além da Petrobrás.

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