São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

/ Opinião

O relançamento de uma parceria construtiva
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Brasil e Estados Unidos têm tudo a ganhar com suas relações bilaterais. A visita da presidente a Washington, agora em junho, será uma boa oportunidade

Há uma sequência de encontros entre os presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama que permite que se tenham expectativas positivas da próxima visita da senhora presidente aos Estados Unidos, no mês de junho.

A convite da presidente Dilma Rousseff, o Presidente Barack Obama realizou Visita de Estado ao Brasil nos dias 19, 20 e 21 de março de 2011.

Na ocasião, a presidenta Rousseff e o presidente Obama manifestaram sua satisfação com o estado das relações entre o Brasil e os Estados Unidos como parceiros globais, plenamente comprometidos com o estabelecimento de uma ordem mundial mais democrática, justa e sustentável.

Mais que isso, a visita aprofundou o relacionamento Brasil-EUA e criou a expectativa de um aprofundamento de relações bilaterais mutuamente proveitosas para os dois países.

O comunicado conjunto divulgado ao final da visita enfatizava a parceria entre as duas nações, não somente no contexto bilateral, mas também multilateral.

Dando continuidade a esse encontro, em 9 de abril de 2012, a presidente Dilma Rousseff realizou visita oficial aos Estados Unidos para tratar do estado das relações entre os dois países. A ampla agenda incluiu temas de natureza bilateral, regional e multilateral.

Entre as decisões tomadas, os dois presidentes reiteraram a decisão dos dois países em apoiar esforços internacionais para o desarmamento e a não-proliferação, indispensáveis para a manutenção da paz e da segurança em um mundo sem armas nucleares, reiteraram o apoio ao ciclo de revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), ao Tratado Abrangente para o Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT) e ao início de negociações de um tratado para proibir a produção de materiais físseis para armas nucleares ou outros propósitos explosivos.

Ao final da visita, os dois presidentes enfatizaram sua satisfação com a parceria construtiva e equilibrada, baseada nos valores comuns e confiança mútua que existem entre os dois países, as duas maiores democracias e economias das Américas.

Esse processo de reaproximação foi abalado pela espionagem da NSA. Governo, empresas brasileiras e a própria presidente foram vítimas dessa ação de espionagem. 

Todo o progresso obtido até então empacou e não havia clima para a vista da presidente Rousseff aos EUA, conforme programado e posteriormente adiado. Essa visita está agora prevista para a segunda quinzena de junho.

Passados os resquícios do lamentável episódio, é hora de retomar a agenda de cooperação estabelecida em 2012. A pauta de temas para a retomada é ampla. Na área comercial, trata-se de pôr em prática medidas para a facilitação de comércio entre os dois países.

Essas medidas servirão também de exemplo para a retomada desse tema em escala multilateral na OMC.

Também na área comercial está em curso um amplo acordo EUA-União Europeia de convergência regulatória. Precisamos levar adiante esforços bilaterais também nesse contexto, vital para a inserção do Brasil nas cadeias globais de valor.

O plano de trabalho da reunião de 2012 enfatizava também a cooperação em diversos temas relativos à cooperação na área de Defesa, de interesse dos dois países.

A possibilidade de abertura de negociações do acordo de salvaguarda tecnológica é crítica para que o País possa dar seguimento ao seu programa espacial. A cooperação com o setor privado americano é importante para a reconstrução da base Alcântara, de onde serão lançados nossos mísseis no futuro.

O foco da relação Brasil-EUA é basicamente econômico-comercial. Nessa área, a presidente Dilma poderia reafirmar seu comprometimento com o plano de ajuste econômico em curso.

O que mais pode resultar da próxima visita da presidente aos EUA? Primeiro, uma agenda de encontros regulares entre os dois presidentes para manter o momento da reaproximação – tanto no que diz respeito a assuntos bilaterais como multilaterais.

Segundo, dadas as características comuns de nossas duas sociedades – nossos regimes democráticos e as duas maiores economias de mercado do continente – é chegada a hora de termos um tratamento especial e diferenciado por parte dos EUA. Esse tratamento é especialmente importante para a cooperação tecnológica entre empresas brasileiras e americanas.

Por tudo que foi dito e se espera da visita, o momento é de relançamento de nossa parceria construtiva, com vistas a retomar a normalidade de nossas relações – norma e não exceção ao longo de nossa história.



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