São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Opinião

O realismo e a crise
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Precisamos de uma dieta de dois anos nos avanços sociais para que o ajuste na economia seja bem-sucedido

Não é só o Brasil que vive um momento de tensão, com crise política e problemas nas áreas social e econômica. O fenômeno atinge os povos latinos em geral, na mesma linha cultural do que a nossa.

Na Europa, com eleições este ano na Itália, em Portugal e Espanha, a incerteza vem de partidos novos, indefinidos, mas possivelmente orientados por pensamento radical ou de certa ingenuidade no trato de questões sérias, como as relações no mercado financeiro internacional.

E isso cria um clima de preocupações e certa imobilidade nos agentes econômicos.

A Argentina, que era um país de referência no continente – com pobres mas não miseráveis, com bom padrão de vida e de educação –, mergulhou nesta crise, com desemprego, problemas no abastecimento, inflação, depois que deixou de pagar dívidas.

Apenas é um país abençoado pela natureza, tem petróleo (embora já não exporte), uma agricultura e uma pecuária de qualidade e produtividade, bom clima. Assim vem sobrevivendo. Mas a tendência é piorar, em todos os sentidos, ao longo deste ano.

O caso brasileiro é um pouco diferente pelo porte do país em população e a própria economia, que, desde o presidente João Figueiredo, vem oscilando em torno da oitava posição, mas que agora, com a realidade cambial, deve estar entre as dez ou até doze economias.

O México, com governo conservador, como é o caso da indústria automobilística em que pela primeira vez passa a nossa frente. Temos mercado interno robusto, bons empresários, agronegócio de qualidade, cabeças pensantes experientes na economia e no processo de desenvolvimento.

Precisamos é de ter paciência para atravessar um ou dois anos de dieta nos chamados avanços sociais. Distribuir é bom, mas é necessário ter o que distribuir para não agravar a situação dos menos favorecidos.

Houve uma queda na qualidade de nossos empresários e governantes, em todos os níveis, nas últimas três décadas. Não se pode negar uma realidade inquestionável para os que vivem nosso momento histórico desde a redemocratização.

O consumismo exacerbado, o fascínio pelo dinheiro, ganho de qualquer forma, domina parte dos grupos que comandam grandes verbas, sejam elas públicas ou privadas. Os aventureiros passaram a ter vez, sempre com grande ousadia.

Logo, é preciso de bom senso, desambição, consciência de que a austeridade é uma necessidade alheia à vontade das famílias e dos governos. Paciência e confiança no amanhã, para que as coisas não fiquem mais complicadas.

Na Argentina, como na Venezuela e no Equador, sabe-se que os mais ricos já estão fora dos seus países – a maioria em Miami, que virou uma espécie de capital da América Latina. Quem vive o sofrimento e as limitações do dia a dia são as classes médias e os trabalhadores.

Vamos parar, um minuto que seja, para vermos as consequências desses movimentos que exploram as dificuldades e não oferecem alternativas válidas!

 

 



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