São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

/ Opinião

O maior estelionato eleitoral e a "vitória de Pirro" do PT
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O governo do PT, já antes do início do segundo mandato de Dilma, tomou decisões que, durante a campanha, atribuía a seus adversários

“Nunca antes na história deste país” – para usar a frase preferida de Lula - houve tamanho estelionato eleitoral para vencer eleições.

Menos de três dias após a vitória nas urnas, em 2014, o Banco Central brasileiro elevou em 0,25 pontos percentuais a taxa de juros básica da economia.

A taxa de juros estava parada havia meses, esperando o calendário eleitoral. Na reunião seguinte do Copom, nova elevação sinalizando um aperto monetário que tinha sido mostrado durante toda a campanha eleitoral petista como marca dos adversários.

Durante a campanha, acusaram Marina Silva de estar “submetida a banqueiros” e apresentaram Armínio Fraga quase como um criminoso. Mas, para o Ministério da Fazenda, escolheram Joaquim Levy, intimamente ligado ao Bradesco, um dos maiores bancos privados do país.

Mal começou 2015, e o governo elevou a TJLP, quer diminuir o tamanho do BNDES e fala em abrir o capital social da Caixa Econômica Federal. Trata-se, portanto, de alterar o papel dos bancos estatais. Tudo o que acusaram os adversários eleitorais de quererem implementar.

O maior esforço da política fiscal está sendo feito com cortes de gastos e com o forte aumento da arrecadação. Tolheram-se direitos trabalhistas que não seriam tocados “nem que a vaca tussa”, segundo palavras textuais de Dilma. Pois, parece que a vaca morreu de pneumonia.

Os aumentos na conta de luz estão pipocando e serão pagos pelo consumidor, evidenciando o desastre perpetrado no setor elétrico e negado durante toda a campanha. A campanha de Dilma dizia que não havia risco de “apagão” e que seriam seus adversários a promover “tarifaços”. A realidade, no entanto, se impôs.

Os petistas colocaram-se como “defensores da Petrobras” contra o suposto “entreguismo” dos adversários. No entanto, é graças à gestão petista que a Petrobras agoniza, no maior escândalo de corrupção da história (detalhes da investigação em: http://www.lavajato.mpf.mp.br/).

O PT, em suma, acusava os adversários de quererem fazer justamente o que promove agora: elevação dos juros, arrocho, corte de direitos trabalhistas, diminuição do papel dos bancos públicos, “submissão aos banqueiros”, tarifaços, destruição das estatais.

Novamente, os petistas utilizaram de uma lição de Lênin: “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz.”

Muitos militantes petistas mais ingênuos estão chocados com o panorama pós-eleitoral. Nesse caso, entretanto, serve a lição ao estilo de Nelson Rodrigues: todo castigo para corno é pouco.

O PT, porém, obteve uma verdadeira “vitória de Pirro”: venceu, mas se enfraqueceu com o desgaste da guerra eleitoral. O rótulo de mentirosos e cínicos definitivamente foi incorporado ao PT.

Além disso, o êxito petista nas urnas veio acompanhado de uma maior dependência da aliança com o PMDB, fundamental para que o partido vencesse em Minas, no Rio e no próprio Nordeste.

E o PMDB ficou mais “rebelde”. A vitória de Eduardo Cunha, eleito presidente da Câmara dos Deputados, mostrou exatamente isso: ele encaminhará uma nova CPI da Petrobras, mostrou-se favorável à “PEC da Bengala” e quer uma reforma política que contraria todas as aspirações do PT.

As propostas de plebiscitos, constituinte para reforma política, financiamento público de campanhas e controle da mídia – outras quatro obsessões petistas - também têm sido rejeitadas veementemente por congressistas, e o novo Congresso que tomou posse em fevereiro promete ser mais hostil ao governo. Mesmo antes, o PT já havia sofrido uma enorme derrota na Câmara, que derrubou o chamado “Decreto bolivariano”.

A sociedade ainda está bastante polarizada, os insatisfeitos estão se mobilizando, e o impeachment da presidente já está sendo discutido abertamente.

Sob o pano de fundo de uma situação catastrófica na economia e uma corrupção sem precedentes na Petrobras, o claro estelionato eleitoral cobra seu preço com juros e inflação. Com o perdão do trocadilho.
 
P.S. Os oposicionistas não podem cair no papo de “união nacional” em prol dos ajustes, como fizeram há mais de uma década atrás quando PT assumiu a presidência do país pela primeira vez. O deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), em uma intervenção brilhante, atacou o PT usando a própria fala de Dilma Roussef com suas falsas promessas. O vídeo de seu pronunciamento está aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=U7f6duZNHV8.

O deputado, líder da minoria na Câmara, é um exemplo a ser seguido por todos aqueles que se opõem ao projeto de poder vigente. A vantagem de ser adversário do PT é essa: deixe um petista falar para depois expor seu cinismo. É a melhor forma de desmascará-los.

 



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