São Paulo, 30 de Setembro de 2016

/ Opinião

O longo caminho a percorrer
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A educação torna trabalhadores mais produtivos e faz com que contribuam mais para o crescimento

No último domingo, os então candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff e Aécio Neves, publicaram na Folha de S. Paulo, lado a lado, artigos apontando porque eram candidatos e o que fariam, se eleitos.

A senhora presidente, após historiar o desempenho da economia nos últimos doze anos, apresentou como grande prioridade estratégica a educação. Para ela, é através de sua universalização e da maior qualidade que se assegurará a melhoria da competitividade do País. Também por meio dela se daria prosseguimento à melhoraria da distribuição de renda.

Ao privilegiar a educação como o fulcro de sua atenção nos próximos quatro anos, a candidata Dilma Rousseff centrou seu texto no longo prazo e no papel da educação nesse processo. O crescimento depende de muitos fatores e a educação é um deles. De fato, um país cresce mais rapidamente quanto maior for o investimento realizado em seu território e quanto maior a introdução de inovações tecnológicas , nos bens de capital e nos processos produtivos.

Igualmente, a educação é o processo que torna mais produtivos os trabalhadores e permite-lhes dar uma contribuição mais significativa ao crescimento – além de todos os demais benefícios decorrentes de uma população mais educada.

Contudo, outros fatores são importantes para a promoção do desenvolvimento. Pessoas com mais educação formal precisam também locomover-se e os produtos resultantes de seu trabalho precisam deslocar-se espacialmente do local onde são produzidos para onde são consumidos.

O investimento em transportes – estradas, portos, aeroportos e a miríade de seus acessórios – consiste apenas em um dos pólos do investimento em infraestrutura, sem a qual o crescimento empaca.

Mais importante ainda, um ambiente macroeconômico estável e previsível é indispensável para ser possível avaliar a rentabilidade do investimento e seu direcionamento entre os diversos setores da economia. Este ambiente pressupõe a plena vigência do Estado de Direito e de suas instituições. É justamente um ambiente macroeconômico estável e a prevalência do Estado de Direito que permite ao país buscar no exterior as poupanças necessárias para custear os investimentos que são indispensáveis ao crescimento.

A senhora presidente referiu-se aos investimentos em infraestrutura apontando que muito já foi feito. Apontou também o que, em seu entendimento, foi conquista de seu governo: a estabilidade da inflação.

O fato de privilegiar a educação como o eixo principal de sua política no segundo mandato não implica que as demais prioridades serão esquecidas. A questão é saber como se fará a difícil transição da situação econômica atual, de graves desequilíbrios, para o longo prazo em que serão colhidos os investimentos em educação que ela promete realizar.

Como se fará o ajuste fiscal indispensável ao controle da expansão da dívida pública? No primeiro governo do presidente Lula o saldo primário, a reserva destinada ao pagamento dos juros da dívida, foi da ordem de 3% do PIB. Em 2014, estima-se que esse percentual não passe de 0,5% do PIB –valor irrisório para a estabilidade da dívida, como já apontamos na última terça-feira.

O Banco Central deixará de intervir no mercado de câmbio para conter a desvalorização do real e permitirá a flutuação de nossa moeda? Uma das causas da chamada "desindustrialização" brasileira é justamente a valorização do real. É ela que desestimula as exportações e incentiva as importações, reduzindo a quase zero nosso saldo comercial.

O que Sua Excelência fará com os preços administrados, como os dos combustíveis e as tarifas de energia elétrica, reprimidos que estão para seu emprego como instrumento anti-inflacnário? Em suma, abandonará o seu modelo econômico de estímulo ao consumo ou persistirá no "mais do mesmo"?

Diz-se, em política, que todo novo governo tem um período de "lua de mel", durante o qual suas iniciativas não são combatidas ferozmente pela oposição. É comum aceitar-se que um novo governo tenha 90 dias para ter liberdade de fazer escolhas e por em prática um nova política.

Tenho dúvidas de que essa lua de mel venha a ocorrer no segundo mandato da presidente Dilma. No primeiro dia de trabalho após a reeleição, ela amargou sua primeira derrota no legislativo. A Câmara dos Deputados rejeitou o decreto de criação de conselhos populares. Pode ser um caso isolado, mas serve de indicação de que as relações entre os poderes poderão ser mais difíceis no segundo mandato.

Torço para que a senhora presidente, reeleita, tenha sucesso em reunificar o País em torno de um projeto de desenvolvimento sustentável de longo prazo. Afinal, sou brasileiro, aqui tenho minha família, meus amigos e meus sonhos. Para que essa esperança se torne realidade é preciso que a senhora presidente indique, com a possível brevidade, o que fará, a curto prazo, para chegarmos ao longo prazo de crescimento sustentável que almeja.



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