São Paulo, 30 de Setembro de 2016

/ Opinião

O fundamentalismo agrário
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O MST circula pelas instituições governistas, pratica impunemente atos de vandalismo e se torna o "exército" de Lula

O fundamentalismo foi um movimento que se iniciou nos Estados Unidos no começo do século 20, quando grupos religiosos conservadores se uniram em um movimento de defesa dos fundamentos das religiões cristãs, em resposta ao modernismo, que, segundo eles, vinham deturpando os valores fundamentais da sociedade.

Ele é definido pela interpretação literal dos textos sagrados à realidade atual, renegando os valores da modernidade.

Atualmente o termo “fundamentalismo” é aplicado não apenas à esfera religiosa, como à política, ideológica, étnica e a outras áreas em que predomine o fanatismo e seja rejeitada qualquer possibilidade de diálogo ou contestação de suas posições.

É muito comum que o fundamentalismo seja utilizado como instrumento para a conquista ou manutenção do poder por algum grupo, embora sempre se utilizando de um discurso justificador, baseado na defesa de princípios ou objetivos comuns.

No Brasil, felizmente, não temos conflitos religiosos ou étnicos, embora alguns grupos procurem fomentar a divisão entre índios e não índios, com propósitos que não visam à defesa dos indígenas, mas a outros fins.

Temos, contudo, o fundamentalismo agrário, representado pelo MST e seus grupos auxiliares, que procuram impedir – ou, pelo menos, dificultar - o desenvolvimento da agricultura brasileira, setor que vem prestando a maior contribuição à economia do país, com o resultado altamente positivo de sua balança comercial, graças ao uso da tecnologia, de modernas técnicas de administração e de integração ao mercado mundial.

O MST promove a intranquilidade na área rural, com a invasão de propriedades e destruição de pesquisas genéticas, como se a lei não existisse.

E tem contado não apenas com a omissão das autoridades, mas até com estímulos das mesmas, o que o torna cada vez mais agressivo.

A recente destruição de mudas e sementes da Suzano Futuro Gene, que representava 14 anos de pesquisa para o desenvolvimento de um novo tipo de eucalipto, provavelmente vai ficar impune.

Essa mesma impunição tem ocorrido desde de 2006, quando o centro de pesquisa da Aracruz Celulose foi completamente destruído, sem que se conheça até hoje qualquer punição dos responsáveis.

Na época – assim como ocorre atualmente - foram utilizadas mulheres para esses atos de vandalismo criminoso. No caso da Suzano, as responsáveis pela destruição, utilizando facões e machados e com os rostos cobertos, fizeram questão de filmar e colocar nas redes sociais suas ações, talvez como uma demonstração de força para intimidar o que chamam de setores “reacionários” não apenas do campo, como das cidades, uma vez que o ex-presidente Lula ameaçou convocar o “exército do Stedile”, comandante do MST, para a defesa de seu grupo.

Não se conhece a dimensão do exército do MST, até porque o movimento não tem existência legal. Mas sabe-se que ele possui muitos acampamentos - a maioria perto de estradas -, várias escolas onde faz doutrinação desde o curso elementar ao superior, sem qualquer controle.

Por sua atuação abrangente, também se pode inferir que dispõe de um grande volume de recursos, cuja origem e utilização não são conhecidas. Mas se pode presumir que boa parte seja proveniente de receita pública, através de convênios com entidades a ele ligadas, e outra parte proveniente de ONGs estrangeiras, cujos interesses não parecem ser os do país.

Preocupa muito a utilização de mulheres em ações de violência praticadas pelo grupo, o que, por um lado, as expõe a riscos em caso de reações dos atingidos e, de outro, dificulta a atuação dos que devem manter a ordem.
 
Embora as ações do MST pareçam destinadas apenas a impedir o progresso da agricultura moderna, as manifestações de seus dirigentes revelam que, a exemplo de outros grupos fundamentalistas, seu objetivo real é o poder, acabando com o regime capitalista, pelo enfraquecimento das instituições que lhe dão suporte, do qual o direito de propriedade é o mais fundamental - e o respeito à lei e à manutenção da ordem são condições necessárias a seu funcionamento.

As declarações de João Pedro Stedile, um dos fundadores do movimento e seu principal porta-voz, são muito claras no sentido de que o objetivo real do MST é a implantação do socialismo no Brasil, como reiterado recentemente na Venezuela em ato de apoio ao governante daquele país, Nicolás Maduro. 

Se a omissão das autoridades com relação às ações violentas do MST e de seus parceiros é injustificável, mais lamentável é a indiferença das elites urbanas com relação a esses atos, como se não lhes dissessem respeito, sendo apenas um problema do setor rural, sem atentar que os ataques se dirigem às instituições.

Talvez agora, com a ameaça de que o exército do MST possa ser acionado para impedir a livre manifestação nas cidades, essa conduta omissa da maioria se modifique.

É de se esperar que a convocação de Lula seja apenas uma ameaça que não irá se concretizar, mas que seja suficiente para que todos os segmentos da sociedade se mobilizem para cobrar o fim das ações ilegais do MST e a punição dos que praticarem atos de vandalismo ou desrespeito à lei.