São Paulo, 01 de Outubro de 2016

/ Opinião

O corujão da madrugada
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O PSDB tem sobre os petistas a vantagem de possuir três candidatos presidenciais. Mas é preciso abandonar a boataria como forma de fazer campanha


Se Lula fizer forfait e decidir não se candidatar, cresce de forma extraordinária a chance do PSDB eleger o próximo presidente da República, em 2018. Enquanto o PT dispõe apenas do ex-presidente com potencial de voto para manter a hegemonia do partido na presidência, o PSDB reúne três presidenciáveis top de linha em condições de ganhar a eleição e levar o partido a subir a rampa do Palácio do Planalto, pela terceira vez.

Os três tucanos que vão trocar bicadas quando chegar a hora do partido indicar seu candidato ao Planalto são: Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin. Todos eles mostraram nas eleições de outubro que são bons de voto. Aécio perdeu a eleição paraDilma Rousseff, mas saiu das urnas consagrado com mais de 50 milhões de votos; Serra se elegeu senador derrotando o forte candidato do PT, Eduardo Suplicy, que está o Senado há 24 anos; e, Alckmin conseguiu se reeleger governador no 1º turno, obtendo 58% dos votos e jogando por terra a tentativa de Lula de iluminar mais um “poste”.

A esperança do PT está restrita a Lula, que continua sendo o eleitor nº 1 no Brasil. Opartido ainda não dispõe de nenhum substituto com o mesmo carisma e a mesma força eleitoral do ex-presidente. O único nome lembrado no PT que poderia substituir Lula,em caso de necessidade, é o do ex-governador da Bahia e  ministro da presidente Dilma, Jacques Wagner, que pode contar com razoável penetração no eleitorado do Nordeste,mas que não alcança a mesma repercussão –por exemplo- no conjunto de eleitores do
Sul, Sudeste e Norte do País.

A oposição erra ao insistir em alimentar o boato de que Lula continua enfrentando um problema grave de saúde. Durante a campanha de Aécio Neves, oposicionistas inconsequentes “mataram” Lula dezenas de vezes, espalhando boca-a-boca ou por meiode redes sociais, que ele ia a hospitais, sempre de madrugada, combater a metástase de um câncer que curou na laringe. Foi apenas boato porque, se Lula comparecer a um hospital na calada da noite, para tratamento de um tumor maligno, a imprensa ficará sabendo de tudo no dia seguinte. O PT ainda reclama da “imprensa que tucanou” desde a campanha de Aécio, acusando a mídia de não dar trégua ao ex-presidente e também à presidente reeleita. Os petistas citam como exemplo a mais importante revista semanal de informação que mantém uma equipe de repórteres com a missão específica de vasculhar a vida de Lula e da presidente Dilma, todo dia, toda semana, todo mês e todo o ano.

Para os petistas, se Lula frequentasse hospitais de madrugada, como um doente coruja, a revista não perderia a oportunidade de colocar na capa uma nova foto sua ilustrada por  mais uma manchete negativa, prevendo um desenlace para breve que daria o que falar, como fez com Cazuza. É aconselhável à oposição, portanto, mudar o eixo de sua preocupação com a eleição presidencial de 2018, porque eleição não se ganha com boato e nem com baixaria. Eleição se ganha com voto.

 



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