São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Opinião

O caos paulistano
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Seguidos governos municipais com visão limitada, prioridades equivocadas, a sempre presente corrupção e interesses menores foram incapazes de acompanhar o crescimento dos problemas e das soluções

A cidade de São Paulo há muito tempo se tornou o sinônimo do caos urbano. Com crescimento acelerado de sua população, sempre com uma parcela acentuada de mão de obra desqualificada, gente desprovida de condições de sobrevivência em busca de recomeço, e o mais absoluto descaso de suas autoridades com o planejamento desvinculado da demagogia e interesses políticos, a grande metrópole tornou-se um gigante quase imobilizado.

O coração grandioso dessa mesma gente, aonde muitos chegaram antes nas mesmas condições e prosperaram, acolheu e ainda acolhe quem busca a megalópole, numa realidade, todavia, distinta das anteriores, onde havia espaço, mobilidade e condições de acolhimento com um mínimo de dignidade.

Seguidos governos municipais com visão limitada, prioridades equivocadas, a sempre presente corrupção e interesses menores, criminosos, incompetentes diante da grandeza das questões vitais do grande município, foram incapazes de acompanhar, na apresentação de soluções, o crescimento dos problemas.

A situação piorou quando o Partido dos Trabalhadores chegou ao poder. Falo no plano federal e as influências que passaram a emanar do Planalto sobre a vida nacional. No plano municipal, houve a gestão de Luísa Erundina, eleita pelo PT (saiu depois) que não foi comprometedora. Teve suas mesmices e escândalos, mas não acelerou a mediocrização da cidade.

Vou saltar Pita, Lima, Serra e Kassab, porque ficaram no arroz e feijão também. Estou aqui me referindo à maneira de ver a gestão pública e não o simples usufruto do cargo, onde também o PT sempre supera os adversários em matéria de inadequação.

Chego a Marta Suplicy. Outro desastre para a cidade na limitadíssima visão de enxergar a capital paulista como algo muito maior que a miopia petista.

O caos só acentuou. Nenhum prefeito ou prefeita seja quem for dá sequência ao que deveria estar sendo feito. Cada um quer deixar sua marca, desiste de projetos, cria outros e a cidade patina sobrevivendo muito mais pela pujança de seus habitantes do que pela ação de governo que a paralisa.

A eleição do “poste” de Lula, Fernando Haddad, calcada em arcos do futuro e outras megalomanias da competente propaganda ilusória petista, tem se revelado na prática, um retrocesso atordoante.

As opções para fazer média com a massa votante penalizam os mais pobres e tornam os “burgueses” reféns da imobilidade, da violência, das invasões, das paralisações. É crime na visão petista o cidadão ter seu carro próprio, morar em bairro que tem iluminação, asfalto e esgoto.  Embora a propaganda falaciosa petista se jacte de promover pobres a gente da classe média, portanto, tornando-os “burgueses”, seguem contraditoriamente buscando infernizar a vida dos mesmos, em dita prioridade para os de maior necessidade, levando o caos à vida de todos.

Em apenas dois dias, notícias de jornal:

“Haddad está longe da meta de novos CEUS e vagas em Creches”.

“CET baixará velocidade nas marginais”.

“Prefeitura de SP aprovará aluno com notas baixas”.

“Haddad cumpre só 16 promessas em dois anos”.

“Grupo ergue por conta própria pista de bicicross em parque na zona leste”

Eu dou uma manchete: “Nova favela surgindo nos baixos do viaduto da avenida vereador José Diniz, sobre a Avenida dos Bandeirantes”. Nos olhos da municipalidade.

São exemplos de um único dia.

Invasões, passeatas, organismos municipais com mau atendimento. Subprefeituras aparelhadas.

Não falo das faixas de ônibus, dos buracos, da escuridão nas ruas, da sujeira, do abandono dos próprios municipais. Não falo da inoperância prática da Câmara Municipal, nem do anonimato do secretariado desconhecido e escondido do prefeito.

Trânsito arrastando o dia todo. Choveu, sem semáforos. A cidade precisa de chuva e morre de medo dela.

Filas em tudo. Caos geral na mobilidade.

São Paulo é hoje um fim de feira sem xepa.

Paulistano ferrenho já começa a sonhar com outras plagas.



Não é possível se enfrentar uma crise dessa dimensão sem causar polêmicas. O consenso não vai resolver nada, o que é necessário é necessário, e inegociável

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A Secretaria da Fazenda pode cassar a inscrição no cadastro do ICMS de quem trabalhar com mercadoria roubada ou contrabandeada

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Vamos começar pela eleição do próximo domingo (02/10), votando para prefeito em candidato o mais afastado possível do vício. E em vereadores que de fato trabalhem para a população e não para si e seus donos.

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